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“O País precisa pensar em investimentos levando em consideração os riscos climáticos”, diz Bonaldo
Por Fabio Soares

“O País precisa pensar em investimentos levando em consideração os riscos climáticos”, diz Bonaldo

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 16 de julho de 2026

A chegada do fenômeno El Niño voltou aos holofotes, levantando preocupações entre governo, população e empresas, principalmente pelo risco de o País não estar totalmente preparado para enfrentar situações climáticas extremas em algumas regiões. Em um país das dimensões territoriais do Brasil, a previsão é de que ocorra um pouco de tudo: ondas de calor, enchentes e secas, com impactos distintos conforme a região e reflexos também em diversos setores da economia.

Mas, afinal, quais são os possíveis efeitos desse fenômeno climático natural, especialmente no setor de energia, linha mestra que baliza todos os demais setores? Filipe Bonaldo, head da A&M Infra Brasil, responde a essas e outras questões na entrevista a seguir.

Engrenagens do Crescimento: A chegada do fenômeno El Niño voltou a ser motivo de preocupação. Quais são os principais efeitos do El Niño sobre o clima no Brasil e como essas mudanças podem afetar diferentes regiões do País?

Filipe Bonaldo: Temos vivido, no Brasil e no mundo, uma falta de estrutura para enfrentar situações climáticas extremas. O El Niño pode elevar o volume de chuvas nas Regiões Sul e Sudeste do País, e podemos voltar a enfrentar situações de enchentes — dificilmente como a que aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024, mas, ainda assim, potencialmente perigosas para determinadas regiões. O País carece de mais investimentos em resiliência da infraestrutura.

Engrenagens do Crescimento: Existe risco de aumento no custo da energia em períodos influenciados pelo El Niño? Como isso pode chegar ao consumidor final e às empresas?

Filipe Bonaldo: A diversidade da matriz energética do País vem aumentando gradativamente. Hoje, as fontes solar e eólica já têm participação relevante no sistema nacional, mas nosso principal desafio é a falta de estrutura para escoar essa energia. Além disso, contamos com um grande parque de usinas termoelétricas, que também auxilia nessas situações.

Engrenagens do Crescimento: Em momentos de menor volume de água nos reservatórios, o País tende a acionar mais usinas termoelétricas. Quais são os impactos econômicos e operacionais dessa alternativa?

Filipe Bonaldo: Sempre existe o risco de aumento de custos, tanto para o consumidor final quanto para empresas de todos os portes, que passam a enfrentar maior pressão sobre suas despesas. Isso se reflete no aumento de preços e da inflação.

O acionamento das termoelétricas é justamente o que pressiona o preço da energia. A geração de energia térmica depende de insumos, o que torna seu custo de operação superior ao das fontes renováveis. Assim, com o acionamento em maior escala dessas usinas, o preço da energia pode ser diretamente afetado.

Engrenagens do Crescimento: Além da energia elétrica, quais setores da economia brasileira podem sentir os efeitos do El Niño de forma mais intensa, como agronegócio, logística e indústria?

Filipe Bonaldo: Esses eventos climáticos extremos são muito danosos à nossa infraestrutura. Ainda investimos pouco em resiliência e há regiões do País que contam com infraestrutura bastante rudimentar. Tudo isso coloca em risco toda a cadeia logística e de abastecimento de diversas regiões.

Engrenagens do Crescimento: O avanço das fontes renováveis, como energia solar e eólica, pode reduzir a vulnerabilidade do Brasil diante de eventos climáticos como o El Niño?

Filipe Bonaldo: Sim, parcialmente. As fontes solar e eólica diversificam a matriz energética e têm complementaridade sazonal com a geração hídrica, ajudando a preservar os reservatórios. Contudo, são fontes intermitentes, exigem sistemas de respaldo e ainda não contam com a infraestrutura de transmissão necessária para atender a toda a demanda. O armazenamento por baterias pode ser um grande aliado na redução dos preços em momentos como esses. Em breve, teremos o leilão de baterias, que certamente será um marco para o sistema nacional.

Engrenagens do Crescimento: A recorrência de fenômenos climáticos mais intensos pode exigir mudanças no planejamento energético e de infraestrutura do País? O que precisaria ser repensado?

Filipe Bonaldo: Sem dúvida. Existem paradigmas e premissas que precisam ser revistos. De forma geral, o País espera o problema acontecer para só depois agir. No entanto, obras como a construção de linhas de transmissão levam de cinco a dez anos para serem concluídas. O País precisa planejar esses investimentos levando em consideração os riscos climáticos, que são cada vez mais frequentes. O leilão de baterias será muito importante para aumentar nossa resiliência.

Engrenagens do Crescimento: Olhando para os próximos anos, quais medidas empresas, investidores e gestores públicos deveriam considerar para reduzir riscos e aumentar a resiliência diante de eventos climáticos extremos?

Filipe Bonaldo: O principal é mudar a mentalidade, substituindo ações reativas por ações proativas, antecipando as situações, investindo com esses riscos em perspectiva e pensando em ciclos de longo prazo.

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