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CETEM defende investimento em inovação na cadeia de minerais críticos
Especial Lithium Business 2026. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.

CETEM defende investimento em inovação na cadeia de minerais críticos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de julho de 2026

Em palestra no Lithium Business 2026, Paulo Braga, coordenador do CETEM, afirmou que o Brasil precisa agregar valor à produção mineral, ampliar o processamento industrial e investir em pesquisa para aproveitar a demanda da transição energética.

O Brasil precisa aproveitar sua posição privilegiada na produção de minerais críticos para desenvolver uma indústria de maior valor agregado, reduzindo a exportação de matéria-prima e fortalecendo a cadeia nacional de processamento. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (9), durante o Lithium Business 2026, em Salinas (MG), pelo coordenador de Processamento e Tecnologias Minerais do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Paulo Braga.

Segundo ele, o país possui recursos minerais estratégicos para atender à crescente demanda mundial impulsionada pela transição energética, mas ainda enfrenta gargalos tecnológicos que impedem maior agregação de valor à produção nacional.

O governo brasileiro deve induzir o adensamento e a verticalização da cadeia produtiva do lítio, com a participação de novos atores, principalmente nas etapas de processamento mineral.”

Braga afirmou que a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação (PD&I) são fundamentais para que o Brasil deixe de ocupar apenas o papel de fornecedor de concentrados minerais.

Sem investimento em PD&I, sem recursos financeiros e sem inovação, a gente não vai a lugar nenhum.”

Agregar valor ao lítio é o principal desafio

Durante a apresentação, o pesquisador defendeu que o país avance para etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva, produzindo compostos químicos de lítio e materiais destinados à fabricação de baterias.

Como exemplo, Braga comparou o valor do lítio presente no concentrado mineral com o do metal já transformado em produtos químicos de maior pureza.

O quilo do lítio contido no concentrado vale cerca de US$ 100. No carbonato de lítio, esse mesmo quilo chega a aproximadamente US$ 130. É esse valor agregado que precisamos capturar.”

Segundo ele, ampliar o processamento interno representa uma oportunidade para aumentar a geração de riqueza, tecnologia e empregos no país.

Demanda por minerais críticos seguirá em crescimento

Braga destacou que a expansão da eletrificação da economia continuará impulsionando a demanda por minerais críticos, especialmente o lítio.

Ele lembrou que as baterias de íons de lítio passaram de cerca de 30% do mercado em 2014 para mais de 90% atualmente, tornando-se a principal tecnologia utilizada em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

O lítio lidera essa corrida dos minerais críticos estratégicos. Ele aumenta a densidade de energia, melhora a segurança, amplia a vida útil e o desempenho das baterias.”

Paulo Braga durante palestra no Lithium Business 2026.
Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.

Além do lítio, o pesquisador citou como minerais estratégicos grafita, terras raras, cobre, níquel, manganês, tântalo, tungstênio, vanádio, urânio e elementos do grupo da platina.

Mineração terá de explorar minérios mais complexos

Na avaliação do coordenador do CETEM, a mineração brasileira precisará desenvolver novas tecnologias para manter a competitividade diante do esgotamento das jazidas de maior teor.

“As grandes jazidas estão se esgotando rapidamente. Precisamos desenvolver tecnologias para aproveitar minérios de baixo teor e de mineralogia cada vez mais complexa.”

Entre os principais desafios tecnológicos apontados estão:

• aproveitamento de minérios de baixo teor;

• processamento eficiente de partículas ultrafinas;

• redução do consumo de água;

• diminuição do consumo de energia;

• processamento mineral a seco;

• reaproveitamento de rejeitos e barragens;

• recuperação de minerais estratégicos contidos em resíduos da mineração.

Braga observou que a disponibilidade de água vem se tornando uma restrição crescente para o setor mineral, especialmente em regiões como o Vale do Jequitinhonha, exigindo o desenvolvimento de processos mais eficientes e sustentáveis.

Economia circular ganha protagonismo

Outro ponto destacado foi a necessidade de transformar rejeitos de mineração em novas matérias-primas.

Segundo o pesquisador, em alguns processos de beneficiamento do espodumênio apenas cerca de 5% do minério corresponde ao produto comercial, enquanto aproximadamente 95% permanecem como rejeito, criando oportunidades para novos aproveitamentos industriais.

Ele citou tecnologias de concentração, flotação, separação magnética, classificação, processamento a seco e sistemas de ore sorting (separação por sensores) como alternativas para aumentar a recuperação mineral e reduzir perdas.

Brasil já possui competência técnica

Braga afirmou que o país domina diversas tecnologias de beneficiamento e metalurgia extrativa do lítio, mas precisa ampliar a escala industrial.

Segundo ele, o CETEM desenvolve pesquisas em processamento mineral, metalurgia extrativa, terras raras, economia circular, reaproveitamento de resíduos, fertilizantes, recuperação de metais críticos e participa de um projeto para desenvolver a primeira bateria nacional com elevado grau de verticalização.

O centro também atua em estudos sobre recuperação de água de processo, processamento de ilmenita, aproveitamento de fosfatos, extração de potássio de rochas e tecnologias para produção de compostos utilizados em baterias.

Integração entre governo, empresas e pesquisa

Ao encerrar a palestra, Braga defendeu maior integração entre governo, universidades, institutos de pesquisa e empresas para consolidar uma indústria nacional de minerais críticos.

O PD&I deve estar presente desde a pesquisa mineral, passando pela extração e pelo beneficiamento, até a obtenção de novos materiais. Não adianta desenvolver apenas uma etapa da cadeia.”

Para o pesquisador, o Brasil reúne reservas minerais, capacidade científica e empresas competitivas, mas precisa transformar essas vantagens em uma cadeia produtiva mais completa para aproveitar o crescimento global da demanda por minerais críticos associados à transição energética.

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