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Mercado global de tratamento de resíduos avança, e Marcello José Abbud identifica oportunidade para o Brasil
Por SAFTEC DIGITAL

Mercado global de tratamento de resíduos avança, e Marcello José Abbud identifica oportunidade para o Brasil

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de julho de 2026

Usinas de recuperação energética de resíduos ganham espaço em carteiras de investimento ao redor do mundo. O especialista brasileiro avalia até que ponto o país está preparado para acompanhar esse movimento.

O tratamento de resíduos sólidos deixou de ser, em boa parte do mundo, uma questão restrita a órgãos ambientais. Tornou-se pauta de política energética, com usinas de recuperação de resíduos entrando em carteiras de investimento ao lado de outras fontes de energia renovável. Marcello José Abbud, diretor de operações da Ecodust Ambiental, acompanha essa transição internacional para avaliar o que dela pode, de fato, ser aplicado à realidade brasileira.

Um mercado que mudou de categoria nos últimos anos

Usinas de tratamento de resíduos com recuperação energética passaram de solução de nicho a componente relevante da matriz energética em geografias com menor disponibilidade de área para aterros. Essa mudança de categoria trouxe junto capital especializado, fundos de infraestrutura que hoje avaliam projetos de recuperação energética de resíduos com os mesmos critérios técnicos usados para energia solar ou eólica.

“O que mudou não foi só a tecnologia, foi o status do próprio ativo. Resíduo deixou de ser tratado como problema a se livrar e passou a ser avaliado como insumo energético com valor de mercado”, explica Marcello José Abbud.

Onde o Brasil está nessa curva?

Apesar de reunir volume expressivo de resíduos gerados diariamente, o Brasil ainda concentra a maior parte da destinação final em aterros sanitários convencionais, sem recuperação energética associada. Para Abbud, essa diferença de estágio não decorre de limitação tecnológica, já que soluções como a decomposição termomagnética já estão disponíveis e operando no país, mas de um descompasso entre a tecnologia existente e a maturidade do mercado financeiro local para esse tipo de ativo.

“A tecnologia não é o gargalo. O gargalo é o mercado financeiro brasileiro ainda não ter desenvolvido o mesmo apetite que já existe lá fora para esse tipo de projeto”, afirma.

O que caracteriza uma usina de tratamento de resíduos com recuperação energética? É uma instalação que processa resíduos sólidos para gerar energia, combustível ou outros subprodutos reaproveitáveis, reduzindo o volume destinado a aterro e agregando valor econômico a um material que, de outra forma, seria simplesmente descartado.

O peso das recomendações internacionais

Organismos como o Banco Mundial e a ONU têm reforçado, em publicações voltadas a países em desenvolvimento, a urgência de investimento em infraestrutura de tratamento de resíduos com recuperação energética, especialmente em nações que ainda destinam grande parte de seus resíduos a aterros sem qualquer aproveitamento. Esse tipo de recomendação técnica tende a influenciar, ainda que de forma gradual, a maneira como bancos de desenvolvimento avaliam projetos de infraestrutura ambiental em mercados como o brasileiro.

O que pode acelerar essa curva de maturidade no Brasil?

Segundo Abbud, o fator que mais deve acelerar a maturidade desse mercado no país não é uma única política isolada, mas a combinação entre pressão regulatória, como o esgotamento de aterros próximos a grandes centros, e maior exigência de indicadores ESG por parte de investidores institucionais. Projetos que conseguem demonstrar redução de emissões e recuperação energética de forma consistente tendem a se tornar mais competitivos à medida que esse tipo de critério ganha peso nas decisões de alocação de capital.

Para o especialista, o Brasil tem os elementos de base para reduzir essa distância em relação aos mercados mais maduros nos próximos anos, volume de resíduos, tecnologia validada e pressão regulatória crescente, restando alinhar isso a um mercado de capitais mais familiarizado com esse tipo de ativo.

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