Custo da mão de obra qualificada sobe e impulsiona demanda por gerenciamento profissional de obras residenciais, aponta Daugliesi Giacomasi Souza, da DGDecor
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 2 de julho de 2026
Especialista em projetos residenciais e gerenciamento de obras explica como a pressão de custos no setor da construção civil está mudando a lógica de contratação e o que o proprietário perde quando conduz uma reforma sem acompanhamento profissional.
O custo de construir no Brasil subiu mais do que a inflação pelo terceiro ano consecutivo, e o componente responsável por puxar esse resultado não são os materiais. É a mão de obra. O INCC acumula alta de 6,71% em 12 meses até junho de 2026, com o grupo de mão de obra registrando variação de 9,12% no mesmo período, acima do IPCA de 4,44%, evidenciando que a pressão salarial no setor continua como o principal vetor de encarecimento das obras. Para quem está planejando uma reforma residencial em 2026, esse número tem uma implicação direta: a ausência de gerenciamento profissional não é apenas uma questão de comodidade. É uma questão de custo real.
A DGDecor, empresa de design de interiores e gerenciamento de obras fundada por Daugliesi Giacomasi Souza, opera exatamente nessa interseção entre projeto e execução. Na visão da profissional, o cenário atual do mercado de construção civil tornou o gerenciamento de obras residenciais um serviço não mais opcional para quem quer que a reforma entregue o que promete dentro do orçamento previsto. “O proprietário que tenta conduzir uma obra por conta própria hoje enfrenta um mercado onde o profissional qualificado está escasso, os preços são voláteis e cada decisão errada tem um custo de correção que não estava no planejamento. O gerenciamento profissional não é um gasto adicional. É o que evita que a obra custe muito mais do que deveria.”
O que explica a pressão de custos e por que ela não vai ceder no curto prazo?
A escassez de profissionais qualificados é o fator central. Com 90% das empresas do setor relatando dificuldades na contratação, segundo a CBIC, os salários continuam em alta, e o componente de mão de obra do INCC acumula variação de 9,12% em 12 meses, sendo o maior vetor de pressão no índice da construção civil. O fenômeno é descrito como um apagão de talentos, com salários em níveis recordes e demanda crescendo mais rápido do que a formação de novos profissionais consegue repor.
Dados da Sondagem da Construção do FGV IBRE mostram que quase 40% das empresas apontam a falta de mão de obra especializada como fator limitante dos negócios, percentual bem acima dos 25% observados dois anos atrás. Entre as empresas de obras de acabamento, esse percentual alcançou 46,4%, número que revela onde a escassez é mais crítica para o proprietário que reforma um imóvel residencial: exatamente nas etapas finais do projeto, quando a qualidade da execução determina o resultado que o cliente vai ver e habitar. Esse cenário não deve se reverter no curto prazo. Com 32,5% das empresas pretendendo aumentar o quadro de funcionários em 2026, a demanda por trabalhadores cresce justamente onde já falta gente, e a escassez de mão de obra segue no topo do ranking de dificuldades do setor.
O que o proprietário perde quando conduz a obra sem acompanhamento?
A lógica mais comum entre proprietários que optam por não contratar gerenciamento profissional é a de que o custo do serviço não compensa. O raciocínio, na prática, ignora o custo real do que acontece quando a obra não é gerenciada adequadamente. Retrabalho, atraso de fornecedores, incompatibilidade entre projetos de diferentes etapas, pagamento por serviços mal executados que precisam ser refeitos: cada um desses eventos tem um custo que raramente estava no orçamento original e que frequentemente ultrapassa com folga o valor do gerenciamento que foi descartado no início.
Daugliesi Giacomasi Souza descreve um padrão recorrente nos casos que chegam ao escritório depois que a obra já iniciou sem acompanhamento. O proprietário percebe, no meio da execução, que os prazos não estão sendo cumpridos, que os acabamentos não correspondem ao que foi combinado ou que decisões técnicas erradas nas etapas anteriores precisam ser corrigidas com custo alto. “Quando a gente entra numa obra que já começou sem gerenciamento, a primeira tarefa é mapear o estrago. Em muitos casos, o custo de correção do que foi feito errado ultrapassa o que seria necessário para ter conduzido a obra direito desde o início. O gerenciamento não é caro. Caro é não ter ele.”
O perfil do proprietário que mais precisa de gerenciamento profissional
O mercado de gerenciamento de obras residenciais cresceu em perfis de clientes que, até alguns anos atrás, tendiam a conduzir reformas por conta própria. Proprietários de imóveis de médio e alto padrão que trabalham em tempo integral, que não têm disponibilidade para acompanhar uma obra diariamente e que entendem que o custo do erro nesse contexto é alto demais para ser assumido sem suporte profissional.
Em 2026, as despesas das famílias com obras e reformas devem voltar a contribuir positivamente para o crescimento do setor da construção civil, com o Programa Reforma Casa Brasil prevendo R$ 40 bilhões em recursos com juros abaixo do mercado destinados a reformas e melhorias em residências já existentes. Esse volume de recursos injetado no mercado de reformas residenciais amplia a demanda por profissionais que consigam garantir que o investimento seja executado com controle de qualidade, prazo e orçamento. Para a DGDecor, esse contexto representa uma mudança de posicionamento do mercado: o gerenciamento de obras deixou de ser percebido como um serviço de luxo e passou a ser avaliado como uma camada de proteção do investimento que o proprietário está fazendo.
O que o gerenciamento profissional entrega na prática?
A distinção entre contratar um profissional para o projeto de design e contratar um para o gerenciamento da obra é uma das que mais gera confusão entre proprietários que estão planejando uma reforma. O projeto define o que será feito. O gerenciamento garante que o que foi definido seja executado da forma correta, no prazo acordado e dentro do orçamento estabelecido, com acompanhamento de todas as etapas intermediárias que determinam se o resultado final vai ou não corresponder ao que foi planejado.
Na DGDecor, as duas funções são integradas: o projeto de design de interiores e o gerenciamento da execução são conduzidos pela mesma profissional, o que elimina a desconexão que frequentemente ocorre quando projeto e obra são conduzidos por equipes diferentes sem comunicação adequada. “Quando quem projetou é a mesma pessoa que acompanha a execução, não existe a interpretação do projeto por um terceiro que não estava na conversa com o cliente. O que foi planejado é o que vai ser executado, porque a mesma pessoa que sabe o porquê de cada decisão está presente para garantir que ela seja respeitada”, explica Daugliesi Giacomasi Souza.
Em um mercado onde o custo da mão de obra qualificada sobe acima da inflação, onde os profissionais escassos são disputados por múltiplos projetos simultaneamente e onde cada retrabalho tem um preço que corrói o orçamento da reforma, a pergunta que o proprietário deveria fazer antes de começar uma obra não é se pode custear o gerenciamento profissional. É se pode custear a ausência dele.
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