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Diego Borges, engenheiro especializado em infraestrutura e saneamento, explica como a digitalização está transformando o planejamento e a gestão de grandes obras hídricas
Por SAFTEC DIGITAL

Diego Borges, engenheiro especializado em infraestrutura e saneamento, explica como a digitalização está transformando o planejamento e a gestão de grandes obras hídricas

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de junho de 2026

Sensores, dados em tempo real e modelos preditivos estão mudando a forma como projetos de infraestrutura sanitária são concebidos, monitorados e entregues.

Por décadas, o planejamento de obras de infraestrutura de saneamento dependeu de levantamentos manuais, plantas em papel e decisões tomadas com base em dados desatualizados. Esse modelo funcionou dentro de suas limitações, mas gerou um padrão conhecido de problemas: projetos que chegam à execução sem informação suficiente sobre o terreno, sistemas que operam abaixo da capacidade porque foram dimensionados com dados imprecisos e obras que acumulam aditivos por surpresas que uma base de dados mais robusta teria antecipado. Esse cenário está mudando.

A incorporação de tecnologias digitais no planejamento e na gestão de obras de saneamento está alterando de forma estrutural a qualidade das decisões técnicas ao longo de todo o ciclo dos projetos. Diego Borges, engenheiro com atuação em infraestrutura e saneamento, acompanha esse movimento de perto e nota que a transformação ainda está no início, mas já produz resultados concretos nos projetos que adotaram essa abordagem com consistência.

Do levantamento de campo ao modelo digital

A primeira mudança significativa veio com a digitalização dos levantamentos topográficos e geotécnicos. Drones equipados com sensores LiDAR conseguem mapear grandes extensões de terreno em fração do tempo que equipes de campo levariam para cobrir a mesma área com métodos convencionais. O resultado é uma base cartográfica mais precisa, atualizada e detalhada, que alimenta os modelos hidráulicos usados no dimensionamento das redes e sistemas.

Diego Borges sublinha que a qualidade do levantamento inicial é um dos fatores que mais influencia a precisão do projeto executivo e, consequentemente, a aderência do orçamento ao custo real da obra. Projetos que começam com base cartográfica deficiente acumulam incertezas que se materializam como aditivos contratuais durante a execução. A digitalização dessa etapa não é um custo adicional. É uma redução de risco com retorno mensurável ao longo de todo o ciclo do projeto.

Monitoramento em tempo real e decisões mais rápidas

Uma vez que as obras estão em andamento, a digitalização muda a forma como as equipes de gestão acompanham o progresso e respondem a problemas. Sensores instalados em pontos críticos das redes em construção, sistemas de telemetria que monitoram pressão e vazão em tempo real e plataformas de gestão que integram dados de campo com cronogramas e orçamentos permitem que gestores identifiquem desvios antes que se tornem problemas irreversíveis.

Esse nível de visibilidade sobre o andamento das obras era impraticável há dez anos. Hoje, concessionárias que investiram em plataformas digitais de gestão de obras conseguem tomar decisões técnicas com base em dados atualizados, não em relatórios semanais que chegam com atraso suficiente para que o problema já tenha se agravado. Para Diego Borges, essa capacidade de resposta rápida é um dos ganhos mais concretos da digitalização na gestão de infraestrutura, e um dos que mais impacta o cumprimento de prazos e orçamentos contratuais.

Modelos preditivos e a manutenção que previne falhas

A fronteira mais avançada da digitalização no saneamento está na operação dos sistemas depois que as obras são entregues. Redes de distribuição de água e sistemas de coleta de esgoto que operam com sensores conectados geram um volume contínuo de dados sobre pressão, vazão, qualidade da água e comportamento estrutural das tubulações. Algoritmos de análise preditiva conseguem identificar padrões que antecedem falhas, permitindo intervenções de manutenção antes que o problema cause interrupção do serviço ou dano à infraestrutura.

Diego Borges indica que concessionárias que adotam manutenção preditiva baseada em dados reduzem significativamente o índice de perdas nas redes e o custo operacional associado a reparos emergenciais. A transição de um modelo de manutenção reativa, que age depois que a falha acontece, para um modelo preditivo, que age antes, é uma das mudanças de maior impacto sobre a eficiência operacional dos sistemas de saneamento e sobre a qualidade do serviço entregue ao usuário final.

A transformação que ainda está no começo

O setor de saneamento brasileiro ainda está nos estágios iniciais dessa transformação digital. A maior parte dos sistemas em operação no país foi construída antes da era dos sensores conectados e das plataformas de gestão integrada, e a modernização desse parque instalado exige investimento e tempo. Mas o ciclo atual de concessões, que está trazendo capital privado e pressão por eficiência operacional, está acelerando essa transição de forma consistente.

Como reforça Diego Borges, a digitalização do planejamento e da gestão de obras de saneamento não é uma tendência futura. É uma mudança em curso que já diferencia as concessionárias que entregam resultados das que acumulam atrasos e aditivos. Para o setor de infraestrutura hídrica, dados e tecnologia deixaram de ser diferenciais e estão se tornando requisitos. E esse movimento, uma vez iniciado, não tem volta.

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