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Por que empresas perdem mais do que talentos quando demitem sem estratégia

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 15 de junho de 2026

Candice Gentil Fernandes*

Desligamentos mal conduzidos têm efeito direto sobre cultura, confiança interna e reputação empregadora, e o custo desse impacto é maior do que muitas lideranças calculam.

Demissões acontecem. Fazem parte do ciclo natural de qualquer organização que cresce, se reorganiza ou enfrenta mudanças de mercado. O ponto sensível não é o ato de desligar, e sim o modo como o processo é conduzido. Quando a saída de profissionais é tratada como um procedimento automático, centrado apenas em compliance e corte de custos, perde-se mais do que uma posição na folha salarial: perde-se vínculo, confiança e continuidade.

O reflexo desse movimento aparece de forma cada vez mais clara dentro das organizações. A INTOO, unidade de desenvolvimento de carreira e recolocação da Gi Group Holding, divulgou recentemente a pesquisa “Como as demissões impactam a cultura organizacional”, realizada em parceria com a Workplace Intelligence. O levantamento mostra que, em países como Brasil, Argentina, Reino Unido e Estados Unidos, entre 40% e 60% dos profissionais afirmam que desligamentos afetam negativamente a cultura organizacional e a confiança na liderança. No Brasil, o dado chama ainda mais atenção: 60% dos entrevistados relatam deterioração do clima interno após cortes de pessoal.

Outro dado relevante: quase 70% dos trabalhadores passam a temer novas demissões depois de um ciclo de cortes, o que afeta motivação e engajamento. Na prática, isso significa equipes mais cautelosas, menos inovadoras e menos dispostas a correr riscos. Exatamente o oposto do que a maioria das empresas deseja em um contexto competitivo.

Há quem defenda que, diante de pressões financeiras, o foco deve estar exclusivamente na eficiência. Mas esse raciocínio desconsidera um fator hoje tão estratégico quanto caixa ou market share: reputação empregadora. Quando desligamentos são conduzidos com pouca comunicação, sem clareza de critérios ou sem suporte à transição, 80% dos profissionais desligados relatam que não receberam apoio adequado, e muitos transformam essa frustração em crítica pública, afetando a imagem da empresa entre futuros candidatos e até clientes.

O contra-argumento mais comum é: “cuidar de processos de demissão custa tempo e recursos.” Sim, custa. Mas custa menos do que refazer uma cultura interna enfraquecida, reconstruir confiança ou tentar contratar bons profissionais em um mercado que já não vê valor na marca. Empresas que tratam o desligamento como parte da experiência do colaborador, com comunicação respeitosa, liderança presente e apoio à recolocação, preservam algo que não entra no balanço, mas sustenta o negócio: coerência entre discurso e prática.

Demissões mal conduzidas não apenas encerram contratos — elas encerram relacionamentos. Já desligamentos bem conduzidos preservam reputação, reduzem danos futuros e fortalecem a percepção de que a empresa se mantém íntegra mesmo em momentos difíceis.

No fim, a questão não é evitar demissões a qualquer custo, mas conduzi-las com responsabilidade e humanidade. Porque pessoas passam, mas as consequências permanecem.

*Candice Fernandes é Director Manager da INTOO (Gi Group Holding), especialista em carreira, cultura organizacional e transições profissionais

A INTOO é a marca global da Gi Group Holding especializada em outplacement e transição de carreira, além de aconselhamento e desenvolvimento de talentos. A Gi Group Holding é uma multinacional italiana reconhecida como uma das líderes globais em soluções dedicadas ao desenvolvimento do mercado de trabalho.

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