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Setor de renováveis quer transição energética no centro dos debates das eleições
Representantes da indústria renovável defendem integração entre política energética e política industrial para consolidar o Brasil nas cadeias globais da economia verde. Foto: Warley Pereira

Setor de renováveis quer transição energética no centro dos debates das eleições

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de maio de 2026

 Documento apresentado em Brasília é assinado por 24 entidades e empresas e defende políticas de Estado para ampliar segurança energética e competitividade industrial.

Representantes do setor de energia renovável apresentaram nesta quarta-feira (27), em Brasília, uma carta com propostas voltadas aos futuros candidatos à Presidência da República para fortalecer a transição energética no Brasil e incorporar o tema ao debate eleitoral de 2026.

A iniciativa foi liderada pela Global Renewables Alliance (GRA) e reúne mais de 24 entidades e empresas ligadas às cadeias de energia solar, eólica, hidrogênio verde, armazenamento e geração renovável.

O documento foi apresentado durante encontro com jornalistas, representantes do setor produtivo, associações empresariais e autoridades. A proposta é entregar oficialmente a carta aos candidatos à Presidência após a formalização das candidaturas.

Segundo Natália Oliveira, Head de Policy and Advocacy para América Latina da GRA, o objetivo é transformar a transição energética em pauta permanente do debate político nacional.

“O Brasil reúne condições únicas para transformar energia renovável em competitividade industrial, atração de investimentos, geração de empregos e segurança energética. As eleições de 2026 representam uma oportunidade importante para conectar essas vantagens ao projeto de desenvolvimento que o país deseja construir para as próximas décadas”, afirmou.

Autoridades e representantes do setor produtivo participaram da apresentação de carta com propostas para fortalecer a transição energética no Brasil. Foto: Warley Pereira

Energia renovável como política de Estado

As entidades defendem que a transição energética deixe de ser tratada apenas como agenda técnica do setor elétrico e passe a integrar políticas estruturantes de desenvolvimento econômico e industrial.

Entre as propostas apresentadas estão expansão da infraestrutura de transmissão e distribuição, integração entre política energética e política industrial, eletrificação da indústria, fortalecimento do hidrogênio verde, desenvolvimento de corredores logísticos e portos verdes, além do reforço institucional das agências reguladoras.

O documento também propõe redução gradual da dependência de combustíveis fósseis, em linha com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil nas conferências internacionais do clima, especialmente a COP30.

Setor quer mais previsibilidade e estímulo ao investimento

Para Rodrigo Sauaia, presidente executivo Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o país possui condições para transformar energia renovável em vetor de reindustrialização verde.

“Com os nossos recursos renováveis e com boas políticas públicas, podemos trazer energia barata para promover uma reindustrialização verde, com menos emissão de poluentes, mais segurança energética e geração de prosperidade”, afirmou.

Já Marcello Cabral, diretor de Novos Negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) destacou a necessidade de coordenação política para que o Brasil aproveite o atual cenário internacional.

“O país não pode perder a oportunidade de conduzir essa agenda de forma estruturada”, disse.

Na avaliação do setor, o Brasil possui vantagens competitivas relevantes para ampliar participação nas cadeias globais da economia de baixo carbono, graças à elevada participação de renováveis na matriz elétrica, à disponibilidade de recursos naturais e ao potencial de atração de investimentos.

Hidrogênio verde e inteligência artificial ampliam demanda

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Luís Viga, afirmou que o Brasil reúne condições estratégicas para se consolidar como fornecedor global de energia limpa e hidrogênio verde.

“O Brasil é um celeiro de soluções energéticas híbridas e está fora de áreas de conflito geopolítico. Temos capacidade de ofertar energia barata e em escala”, afirmou.

A carta também destaca o crescimento da demanda energética associada a data centers, inteligência artificial e infraestrutura digital, apontados como novos vetores de expansão do consumo de energia renovável.

Críticas aos incentivos fósseis

As entidades também defendem revisão da política de incentivos energéticos. Segundo dados citados no documento, para cada R$ 1 destinado às fontes renováveis em 2024, cerca de R$ 2,52 foram direcionados a combustíveis fósseis.

O texto menciona ainda que o Brasil atraiu aproximadamente US$ 38 bilhões em investimentos ligados à transição energética em 2025 e gerou cerca de um milhão de empregos no setor.

Dados do Ministério de Minas e Energia apontam que o país alcançou 259,5 GW de capacidade instalada de geração elétrica em 2025, mantendo matriz elétrica com mais de 90% de fontes renováveis.

Já o Balanço Energético Nacional da Empresa de Pesquisa Energética registrou crescimento de 39,6% na geração solar e de 12,4% na geração eólica em 2024.

Legado para o próximo governo

Na avaliação das organizações signatárias, a transição energética representa uma oportunidade estratégica para ampliar competitividade industrial, fortalecer segurança energética e gerar empregos de maior valor agregado.

As entidades defendem que o próximo governo federal transforme esse potencial em políticas públicas permanentes, com previsibilidade regulatória e planejamento de longo prazo.

Além dos candidatos à Presidência, governadores e candidatos aos governos estaduais também devem receber a carta.

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