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Crime organizado tem margem de lucro de até 500% com contrabando do Paraguai e movimenta R$ 60 bilhões por ano no Brasil, aponta estudo IDESF

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de maio de 2026

Fluxo clandestino na fronteira já supera a balança comercial entre Brasil e Paraguai e avança com novos produtos como cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras

SÃO PAULO, 21 de maio de 2026 /PRNewswire/ — O contrabando do Paraguai para o Brasil se consolidou como um dos negócios mais lucrativos do crime organizado. A rentabilidade das organizações criminosas que investem no comércio clandestino foi objeto do mais recente estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF). Pesquisadores analisaram a venda ilegal de itens como cigarros, eletroeletrônicos, cigarros eletrônicos, bebidas alcoólicas, entre outros.

A exploração ilegal desses produtos garante margens de lucro que chegam a 507%, segundo o IDESF. A atividade criminosa movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano, valor superior à balança comercial (US$ 7,2 bi) entre os dois países e equivalente a aproximadamente um quarto do PIB paraguaio.

O levantamento mostra que a alta rentabilidade e o baixo risco transformaram o contrabando em uma das principais fontes de financiamento do crime organizado no país, ampliando sua atuação para além do tráfico de drogas e armas.

Cigarro ilegal: líder em contrabando, lucratividade e financiamento do crime organizado

O cigarro segue como o principal produto contrabandeado para o Brasil, liderando tanto em volume quanto em lucratividade. O item representa cerca de 38,8% do valor das apreensões da Receita Federal e gera margens superiores a 500%, impulsionadas pela diferença de preços de mais de 7 vezes entre Brasil e Paraguai.

O estudo aponta ainda que 96% da produção de cigarros no Paraguai é destinada ao contrabando, evidenciando o nível de estrutura dessa cadeia ilegal. Nesse cenário, o produto ilegal, que representa 31% do mercado de cigarros no Brasil, tornou-se peça-chave no financiamento de facções criminosas, que utilizam o contrabando para sustentar outras atividades ilícitas, aproveitando a alta demanda e baixo risco.

Mercado ilegal avança com novos produtos

Além do cigarro, o estudo mostra que o crime organizado na fronteira vem ampliando seu portfólio, explorando produtos de alta demanda e valor agregado. Entre os mais lucrativos estão medicamentos (lucro de até 415%), celulares (390%) e eletrônicos em geral, refletindo a diversificação das operações ilegais.

Os cigarros eletrônicos apresentam crescimento acelerado nas apreensões e movimentação superior a R$ 440 milhões entre 2020 e 2025, indicando a rápida consolidação desse mercado ilegal no país – mesmo sendo proibidos no Brasil pela Anvisa desde 2019.

Outro destaque são as canetas emagrecedoras. Apenas em 2025, a Receita Federal registrou cerca de R$ 30 milhões em apreensões, com aproximadamente 30 mil unidades retidas em diferentes regiões – frente a 2.544 unidades apreendidas em 2024.

Diferença de preços impulsiona ilegalidade

O estudo reforça que a diferença tributária entre Brasil e Paraguai é um dos principais motores do contrabando. Quanto maior o gap de preços, maior o potencial de lucro, o que explica a liderança de produtos como cigarros, medicamentos e eletrônicos no ranking de lucratividade. O caso dos cigarros é ilustrativo: enquanto no país vizinho as taxas ficam em 13%, em média, no Brasil, estão entre 70% e 90%.

O estudo aponta que o avanço do mercado ilegal evidencia um desequilíbrio estrutural que ultrapassa a esfera econômica e impacta diretamente a segurança pública, ao fortalecer organizações criminosas e ampliar sua atuação em cadeias produtivas estratégicas.

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FONTE IDESF (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras)

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