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Novo estudo da EPE aponta potencial do Brasil para captura e armazenamento de carbono
Por Memória da Eletricidade

Novo estudo da EPE aponta potencial do Brasil para captura e armazenamento de carbono

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 18 de maio de 2026

Evento de lançamento do trabalho reuniu especialistas e representantes do setor energético para discutir desafios da implementação de CCUS no país

A Memória da Eletricidade esteve presente na sede da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para participar do evento de lançamento da segunda edição do caderno e sumário executivo “Captura, Utilização e armazenamento de carbono (CCUS) no Brasil: contribuições para a seleção de áreas de interesse — Ciclo 2025”. Partindo do princípio de que as tecnologias de CCUS contribuem para a redução de emissões de gases do efeito estufa, o trabalho busca aprofundar os métodos e análises do potencial de desenvolvimento dessas tecnologias no Brasil.

A apresentação do documento foi conduzida por Nathália Castro, analista de pesquisa da Superintendência de Petróleo e Gás Natural (SPG) da EPE. A abertura contou com a participação do presidente da empresa, Thiago Prado; de Carlos Agenor Cabral, diretor do Departamento de Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME); e de Artur Watt, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Antes da exposição do estudo, Diana Khandilyan, especialista em transição energética da S&P Global, apresentou um panorama do cenário global de CCUS.

O CCUS é um conjunto de tecnologias voltadas à captura do dióxido de carbono emitido por atividades industriais e do setor energético, antes que o gás seja liberado na atmosfera. O carbono capturado pode ser armazenado em formações geológicas, que são estruturas subterrâneas naturais, ou reutilizado em processos produtivos. A estratégia é considerada uma das ferramentas possíveis para a descarbonização de setores de difícil eletrificação.

Cenário global do CCUS

Durante sua fala, Diana Khandilyan destacou que, apesar do avanço das energias renováveis, as emissões globais de CO₂ continuam aumentando diante da expansão da demanda energética mundial. Para a especialista em transição energética, nenhum dos cenários internacionais projetados atualmente consegue atingir a meta de neutralidade de carbono até 2050 sem o avanço das tecnologias de captura e armazenamento de carbono.

“Apesar da percepção negativa que existe em torno do CCS em parte do mundo, já há diversos projetos em andamento, concentrados principalmente na América do Norte, China e Europa. Em outras regiões, o número de iniciativas é bastante reduzido”, afirmou Diana, que também apresentou um panorama das principais rotas de captura de carbono (industrial, pós-combustão, pré-combustão e captura direta do ar), além dos custos e da eficiência de cada tecnologia.

Potencial brasileiro e mapeamento da EPE

Já na apresentação do caderno, Nathália Castro explicou que o estudo busca mapear áreas com potencial para o desenvolvimento de cadeias de captura, transporte e armazenamento de carbono no Brasil, identificando oportunidades e desafios regionais. “Vivemos um processo de amadurecimento institucional sobre o papel do CCUS na transição energética”, pontuou.

Nathália Castro em apresentação do caderno na sede da EPE, no Rio de Janeiro. Foto: Gabriel Rechenioti / Acervo Memória da Eletricidade
Nathália Castro em apresentação do caderno na sede da EPE, no Rio de Janeiro. Foto: Gabriel Rechenioti / Acervo Memória da Eletricidade

No setor energético internacional, as tecnologias de captura estão em fase de expansão acelerada. Em 2024, o Global CCS Institute contabilizava cerca de 628 projetos de CCS no “pipeline” global (desde concepção até construção), um aumento de cerca de 60% em relação ao ano anterior. De 2024 para 2025, o número subiu para 734.

Previsões indicam que, se esses projetos forem realizados, a capacidade global de captura pode atingir centenas de milhões de toneladas de CO₂ por ano até 2030-2035. “O Brasil tem plena capacidade de desenvolver rotas de captura. O ecossistema é favorável, e é isso que o caderno quer mostrar”, finalizou Castro.

Desafios para expansão da tecnologia

O evento também contou com uma mesa-redonda mediada por Heloísa Borges, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, com representantes do setor energético e industrial. Participaram do debate Cassiane Nunes, da Repsol Sinopec Brasil; Carlos Martins, da AirCarbon Exchange; Isabela Morbach, da CCS Brasil; e Marcos Meyer, da ArcelorMittal.

Mesa mediada por Heloísa Borges apontou desafios do CCUS do Brasil. Foto: Gabriel Rechenioti / Memória da Eletricidade
Mesa mediada por Heloísa Borges apontou desafios do CCUS do Brasil. Foto: Gabriel Rechenioti / Memória da Eletricidade

Entre os principais desafios apontados pelos participantes estão a necessidade de maior segurança regulatória, o amadurecimento das tecnologias de captura e armazenamento e a ampliação da infraestrutura logística para viabilizar projetos em larga escala no Brasil.

Para Heloísa Borges, além das questões técnicas e econômicas, um dos obstáculos para o avanço do CCS no país está na comunicação do tema junto à sociedade. “É uma solução difícil e complexa de explicar, mas necessária para a descarbonização e estratégica para diversos setores da economia brasileira”, afirmou. O caderno pode ser acessado no site da EPE.

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