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Empresas familiares aceleram profissionalização da gestão diante dos desafios de sucessão, avalia Rodrigo Gonçalves Pimentel
Por SAFTEC DIGITAL

Empresas familiares aceleram profissionalização da gestão diante dos desafios de sucessão, avalia Rodrigo Gonçalves Pimentel

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 15 de maio de 2026

Advogado analisa mudança estrutural nas companhias familiares, que passaram a priorizar gestão profissionalizada e menor centralização na figura do fundador.

Durante décadas, o modelo tradicional das empresas familiares brasileiras foi construído sobre uma figura central: o fundador. Era ele quem concentrava as decisões estratégicas, os relacionamentos comerciais, o controle financeiro e, muitas vezes, toda a operação da empresa.

Esse formato funcionou durante muito tempo, principalmente em negócios que cresceram apoiados na presença direta do empreendedor. O problema é que o mercado mudou. Empresas mais complexas, operações mais profissionalizadas e novas gerações com perfis diferentes começaram a expor um risco que muitas famílias empresárias ignoraram durante anos: a dependência excessiva de uma única pessoa.

Na prática, muitas empresas familiares perceberam que o maior desafio não está apenas em crescer, mas em continuar existindo quando o fundador deixa de ocupar o centro absoluto da operação. E é justamente nesse cenário que estruturas de governança passaram a ganhar espaço como estratégia de continuidade empresarial.

A profissionalização deixou de ser tendência

Durante muito tempo, conceitos como conselho de administração, holding familiar, acordo societário e gestão profissionalizada eram associados apenas a grandes corporações. Hoje, esse movimento chegou também às empresas familiares de médio porte, especialmente naquelas que começam a enfrentar processos de expansão, sucessão ou reorganização patrimonial.

A principal mudança está na separação entre propriedade e gestão. Isso significa que o patrimônio continua pertencendo à família, mas a operação deixa de depender exclusivamente da presença do fundador ou da obrigação de um herdeiro assumir o comando.

Esse modelo permite que a família preserve influência estratégica sobre o negócio sem transformar relações familiares em critério automático de gestão. O herdeiro pode atuar como sócio, conselheiro ou participante da estrutura patrimonial, enquanto a operação permanece sob responsabilidade de executivos preparados para conduzir a empresa com metas e indicadores de desempenho.

O mercado passou a valorizar estruturas mais previsíveis

A profissionalização da gestão também começou a impactar diretamente a percepção de valor das empresas familiares. Operações excessivamente dependentes da figura do fundador costumam transmitir maior risco ao mercado, principalmente em processos de expansão, captação, sucessão ou reorganização financeira.

Por outro lado, empresas que possuem governança estruturada, processos claros de sucessão e gestão profissionalizada tendem a apresentar maior previsibilidade operacional e menor vulnerabilidade institucional. Isso influencia desde relacionamento com bancos até valuation, capacidade de crescimento e continuidade do negócio no longo prazo.

Existe ainda outro movimento importante: muitas famílias empresárias passaram a compreender que perpetuar patrimônio não significa manter exatamente o mesmo modelo operacional ao longo das gerações. Em alguns casos, operações complexas passam por reorganização estratégica para transformar ativos operacionais em estruturas mais previsíveis de renda e preservação patrimonial.

O futuro das empresas familiares passa pela estrutura

A sucessão empresarial deixou de ser apenas uma discussão jurídica ou patrimonial. Hoje, ela envolve gestão, governança, continuidade operacional e capacidade de adaptação ao mercado.

Empresas familiares que continuam centralizando decisões exclusivamente na figura do fundador tendem a enfrentar maior dificuldade na transição entre gerações. Já estruturas que conseguem separar patrimônio, gestão e operação criam condições mais sólidas para atravessar mudanças familiares e econômicas sem comprometer a continuidade do negócio.

Por fim, talvez o maior movimento das empresas familiares modernas não seja apenas crescer, mas construir estruturas capazes de sobreviver sem depender exclusivamente de uma única pessoa. Porque empresas fortes não são aquelas que funcionam apenas com o fundador presente, mas aquelas preparadas para continuar funcionando ao longo das próximas gerações.

Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande. Siga no Instagram: @rodrigogpimentell

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