Exposição destaca pioneirismo do Rio com bondes elétricos e debate mobilidade urbana
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de maio de 2026
Mostra virtual da Memória da Eletricidade, em parceria com a Light, relembra expansão, queda e retomada do transporte sustentável na cidade
Muito antes da discussão sobre carros elétricos e mobilidade sustentável ganhar força, o Rio de Janeiro já tinha bondes movidos a eletricidade como o principal meio de transporte da cidade. No início do século XX, os veículos sobre trilhos transformaram o deslocamento da população e se tornaram um dos principais símbolos da modernização da então capital federal.
Mais de cem anos depois, em um contexto de busca por matrizes energéticas mais limpas, a trajetória dos bondes cariocas ajuda a levantar um questionamento: como o Rio se tornou pioneiro no transporte elétrico e, posteriormente, abandonou esse modelo?A reflexão é um dos pontos levantados pela exposição virtual “A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro”, disponibilizada pela Memória da Eletricidade na plataforma Google Arts & Culture desde fevereiro.Dividida em sete blocos, com 33 imagens ao todo, a mostra, organizada em parceria com a Light, traça uma linha do tempo de 1880 a 1980, destacando como a reestruturação e, consequentemente, a chegada da luz elétrica contribuiu para a transformação do espaço urbano, da mobilidade, da iluminação pública e doméstica e dos hábitos culturais dos cariocas.
O Rio elétrico do início do século XX
A chegada da Light ao Rio, em 1904, acelerou o processo de eletrificação da capital federal. Três anos depois, a energia elétrica passou a abastecer definitivamente a cidade três anos depois, em 1907, impulsionando mudanças na iluminação urbana, nos hábitos da população e na mobilidade, com a expansão dos bondes elétricos.

O historiador Marcus Dezemone, professor de História do Brasil República na UFF e na UERJ, explica que o bonde é um dos grandes símbolos dos avanços proporcionados pela eletrificação: “A energia elétrica nesse contexto representa essa melhoria nas condições de vida das pessoas. Por isso, a chegada dos bondes elétricos, com a retirada dos bondes movidos a tração animal e vapor, tem um tato forte no imaginário carioca, tornando-se um dos principais transportes de massa na cidade”. A primeira linha de bonde elétrico foi inaugurada em 1892, 12 anos antes da chegada da Light, que fazia uma pequena rota pelo bairro Largo do Machado, na Zona Sul. Em 1920, os bondes já eram utilizados por 84% dos cariocas, segundo dados da Prefeitura do Rio.
A substituição dos bondes pelo modelo rodoviário
No entanto, durante as décadas de 1950 e 1960, iniciou-se um processo de retirada de circulação e desmonte dos bondes elétricos, que ganhou mais força durante o governo de Juscelino Kubitschek (1957-1961). A prioridade passou a ser o transporte rodoviário, alinhada ao crescimento da indústria automobilística e ao incentivo ao uso do automóvel.
– Naquele momento, o petróleo era muito barato, não havia a preocupação ambiental dos dias de hoje, então parecia ser o caminho ideal, até pelo efeito gerador dentro da economia, de que cada pessoa, cada família, precisa ter um automóvel. A partir disso, priorizaram-se os transportes de massa com motor a combustão no Rio, que, na verdade, são de menor escala, já que um ônibus, por maior que seja, não consegue transportar a mesma quantidade de pessoas que os bondes – contextualiza Dezemone.
O retorno dos trilhos com o VLT
Décadas depois, começariam a ganhar forças os bondes elétricos “modernos”, chamados de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A adoção ao modal acelerou a partir dos anos 2000, e a cidade do Rio recebeu em 2016, uma das principais intervenções de mobilidade urbana para os Jogos Olímpicos de 2016. Atualmente, o VLT Carioca opera em toda a Região Central da cidade, com quatro linhas.

Ainda assim, o transporte nunca conseguiu atingir a expectativa de média de passageiros. A projeção inicial era de 300 mil por dia em operação plena, mas a quantidade real ficou em torno de 80 mil em dias úteis. Para Marcus Dezemone, a retomada dos transportes sobre trilhos acompanha uma tendência internacional, mas ainda enfrenta desafios de integração e alcance dentro da cidade.– Acredito que se os VLTs fossem implementados em outros corredores da cidade, como por exemplo na Zona Sul, retirando coletivos da rua, eles teriam maior uso. Também o eixo ali da Avenida das Américas, que tem o ônibus e o BRT. É uma tendência, vemos isso no mundo todo, ainda mais pela busca de uma matriz energética mais limpa – conclui o historiador.
Como visitar a exposição
“ A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro ”, a terceira da Memória da Eletricidade na plataforma, pode ser visitada gratuitamente. As outras contam a história da Usina Hidrelétrica Alberto Torres (Piabanha), fundamental para a eletrificação do estado do Rio, e da Exposição Nacional de 1908, grande solenidade realizada na cidade.

A Memória da Eletricidade é uma instituição sem fins lucrativos dedicada à preservação e difusão da história do setor elétrico brasileiro. Desde 1986, realiza projetos de pesquisa histórica, conservação de acervos, produção de publicações e coleta de relatos de história oral, promovendo o conhecimento sobre a trajetória e os desafios da energia no Brasil. Seu acervo reúne milhares de documentos, fotografias, vídeos e registros sonoros que contam a evolução do setor elétrico e podem ser acessados no
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