Hans Dohmann defende o bem-estar como base de políticas integradas em saúde pública
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 7 de maio de 2026
Promoção de hábitos saudáveis pode reduzir drasticamente a incidência de doenças crônicas e aliviar o orçamento do Estado
A incorporação de políticas de bem-estar como eixo estruturante da saúde pública tem ganhado espaço em debates nacionais e internacionais. Estudos da Organização Mundial da Saúde indicam que doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, são responsáveis por cerca de 74% das mortes no mundo. Grande parte desses casos está associada a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, alimentação inadequada e estresse, o que reforça a necessidade de estratégias preventivas integradas.
Da gestão pública à saúde populacional
Com trajetória que inclui atuação como gestor municipal de saúde no Rio de Janeiro, liderança de expansão da atenção primária e experiência em instituições públicas e privadas, o médico cardiologista Hans Dohmann tem defendido a reorientação dos sistemas de saúde para modelos baseados em prevenção e acompanhamento contínuo.
Mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele afirma que a estrutura atual ainda responde de forma predominante à doença já instalada. “O modelo centrado apenas no tratamento da doença é insustentável. É preciso atuar antes, promovendo saúde de forma contínua e estruturada”, diz.
Doenças crônicas e impacto fiscal
Dados do Ministério da Saúde do Brasil apontam que doenças crônicas representam mais de 70% dos gastos assistenciais no Sistema Único de Saúde (SUS). Para Dohmann, esse cenário reflete um desequilíbrio entre investimento em prevenção e tratamento. Ele avalia que o fortalecimento da atenção básica e o acompanhamento sistemático de grupos de risco poderiam reduzir internações evitáveis. “Quando o sistema identifica riscos precocemente, consegue intervir de forma mais eficiente e com menor custo”, afirma Hans Dohmann.
Experiências internacionais reforçam essa direção. Relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico indicam que cada dólar investido em prevenção pode gerar economia de até três dólares em despesas futuras com saúde. Países que estruturaram políticas integradas de bem-estar, combinando atividade física, monitoramento clínico e educação em saúde, registraram redução consistente na incidência de doenças crônicas ao longo do tempo.
No Brasil, a expansão da atenção primária tem sido apontada como um dos pilares para reorganização do sistema. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz associam a ampliação da Estratégia Saúde da Família à redução de mortalidade por causas evitáveis. Dohmann, que participou de processos de gestão ligados à expansão da rede assistencial no país, afirma que o desafio atual está na integração entre cuidado presencial e ferramentas digitais. “A tecnologia permite ampliar o alcance da atenção primária, garantindo acompanhamento contínuo mesmo fora das unidades físicas”, diz.
A lógica da saúde populacional, baseada em dados e acompanhamento longitudinal de pacientes, tem sido incorporada a novos modelos de gestão. Nesse contexto, o diretor médico da Stone e responsável pelo desenvolvimento do Hospital Virtual Verde avalia que plataformas digitais podem reorganizar fluxos de atendimento. “Não se trata de substituir o atendimento presencial, mas de utilizá-lo de forma mais racional, priorizando os casos que realmente necessitam de intervenção direta”, afirma.
Pressão demográfica e sustentabilidade do sistema
A sustentabilidade do sistema de saúde também entra no centro do debate. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, até 2030, a população idosa no Brasil deve superar o número de crianças. O envelhecimento populacional tende a ampliar a demanda por serviços de saúde e pressionar o orçamento público, especialmente em doenças crônicas de longa duração.
Para Dohmann, a resposta a esse cenário exige integração entre diferentes setores além da saúde. “Saúde não é responsabilidade exclusiva do sistema de saúde. Envolve educação, urbanismo, alimentação e políticas sociais. Só com essa integração será possível construir um modelo mais eficiente e sustentável”, afirma.
Hans Dohmann
Hans Dohmann é médico cardiologista, mestre pela UERJ e doutor pela UFRJ. Atuou como pesquisador, gestor público e executivo na saúde privada. Diretor médico da Stone, lidera o desenvolvimento do Hospital Virtual Verde.
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