O que é Growth Humanizado e por que está substituindo o growth hacking tradicional
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 24 de abril de 2026
Depois de uma década dominada por atalhos, automações e métricas de curto prazo, a lógica do crescimento digital começa a migrar para um modelo centrado em comportamento real, LTV e relacionamento contínuo. O conceito ganha nome no Brasil, Growth Humanizado, e aponta para um reposicionamento da própria função de marketing em empresas que precisam escalar com margem.
Por uma década, o vocabulário do marketing digital brasileiro foi dominado por um termo emprestado do Vale do Silício: growth hacking. A expressão, popularizada em 2010 e consolidada entre startups em aceleração, prometia crescimento rápido por meio de experimentação contínua, atalhos de aquisição e exploração de canais pouco saturados. Funcionou. Startups como Dropbox, Airbnb e, no Brasil, Nubank, Creditas e iFood construíram bases de usuários em ritmo exponencial aplicando a lógica.
O problema é que o modelo envelheceu mais rápido do que o vocabulário. Canais antes baratos, Facebook Ads, Google Ads, referrals, ficaram caros e saturados. O custo de aquisição de cliente cresceu em praticamente todos os segmentos. E o próprio usuário, submetido a quase duas décadas de marketing digital agressivo, desenvolveu uma camada de cansaço que reduziu drasticamente a efetividade dos atalhos que definiram a era anterior.
Em resposta a esse esgotamento, um conceito novo começa a circular no mercado brasileiro de marketing B2B: Growth Humanizado. A ideia, ainda em formação, desloca o eixo da conversa, do hack para o processo, do atalho para o sistema, da métrica de curto prazo para o Lifetime Value (LTV) do cliente.
O que é Growth Humanizado
Growth Humanizado é uma abordagem de crescimento digital que prioriza comunicação empática, compreensão profunda do comportamento do consumidor e construção de relacionamento de longo prazo sobre a lógica de aquisição agressiva de curto prazo. O termo vem sendo articulado por assessorias especializadas em performance B2B e descreve um conjunto de práticas que estão substituindo o growth hacking tradicional nas operações que precisam escalar com margem.
Na prática, a abordagem se sustenta em quatro pilares. O primeiro é a substituição do CAC (custo de aquisição de cliente) pelo LTV como métrica-norte, o que importa não é quanto custa trazer um cliente, mas quanto esse cliente vai gerar ao longo do tempo. O segundo é a segmentação baseada em comportamento real, extraída de dados próprios da empresa, em vez de personas hipotéticas construídas em workshops. O terceiro é a arquitetura de funil longa, com mensagens específicas para cada estágio da jornada, reconhecendo que a decisão de compra B2B raramente acontece em um único toque. E o quarto é a comunicação empática: criativos e copies construídas a partir da dor real do cliente, não do argumento de venda do fornecedor.
Para Dan Freitas, CEO da Nexus Growth, consultoria que já administrou mais de R$ 328 milhões em mídia paga e atende empresas como XP Inc., além de ter prestado serviço para a própria V4 Company, maior assessoria de growth do país,, o conceito responde a um esgotamento visível no mercado.
“O growth hacking nasceu em um contexto em que canais de aquisição eram baratos, o usuário era imaturo de marketing digital e os atalhos funcionam. Esse contexto acabou. Hoje, escalar significa entender profundamente o comportamento do seu cliente, construir relacionamento e otimizar LTV, não explorar brechas de canal. Por isso chamamos esse movimento de Growth Humanizado: o foco volta a ser a pessoa do outro lado da tela”, afirma o executivo.
Por que o modelo anterior parou de funcionar
Três mudanças estruturais ajudam a explicar o esgotamento do growth hacking clássico. A primeira é o custo dos canais. O CPC (custo por clique) no Meta Ads e no Google Ads subiu consistentemente nos últimos cinco anos, em ritmo que supera a inflação em praticamente todos os setores. O arbitramento de canais baratos, base do growth hacking, deixou de existir em escala relevante.
A segunda é o cansaço do usuário. Depois de quase duas décadas de remarketing agressivo, pop-ups, lead magnets, webinars automatizados e sequências de e-mail infindáveis, o consumidor, especialmente o B2B sênior, desenvolveu um filtro automático que neutraliza grande parte dos gatilhos de conversão da era anterior. A mesma mensagem que convertia em 2015 é ignorada em 2026.
A terceira é a exigência crescente das áreas financeiras. Em um ambiente de juros altos e capital caro, conselhos e CFOs passaram a cobrar marketing mix modeling rigoroso, payback claro por canal e alinhamento direto entre gasto de marketing e receita. A métrica genérica de crescimento, sem recorte de LTV, margem e retenção, perdeu valor nas conversas executivas.
O que muda na operação
Na prática, empresas que adotam a lógica do Growth Humanizad o passam por três mudanças operacionais claras. A primeira é estrutural: o time de marketing deixa de ser avaliado por volume de leads e passa a ser avaliado por contribuição para LTV. Isso altera a forma de desenhar campanhas, escolher canais e definir criativos.
A segunda é analítica: a empresa precisa desenvolver capacidade de leitura de dados comportamentais próprios. Isso exige CRM organizado, rastreamento de jornada consistente e, em muitos casos, investimento em uma infraestrutura de dados que antes era tratada como prioridade secundária.
A terceira é cultural. Growth Humanizado é incompatível com a cultura de “resultado na semana” que predominou no marketing digital brasileiro. A métrica de referência deixa de ser performance semanal e passa a ser coorte, o comportamento de um grupo de clientes ao longo de meses ou anos. Isso exige paciência organizacional que nem toda empresa está disposta a sustentar.
“A parte mais difícil do Growth Humanizado não é técnica, é cultural. A empresa precisa aceitar que a métrica que importa é cohort, não análise semanal. Que o cliente é valor, não volume. Quando essa mudança acontece no topo, o resto da operação se ajusta. Quando não acontece, nenhuma técnica sustenta o modelo”, diz Dan Freitas.
Para onde o conceito está indo
O Growth Humanizad o ainda é um conceito em formação. Nenhuma escola formal de marketing o ensina como framework estabelecido, e a maioria das agências brasileiras segue operando sob a lógica clássica. Mas a direção do mercado é clara: empresas B2B que precisam escalar com margem, consultorias, softwares corporativos, serviços financeiros, indústria, são as primeiras a abandonar a promessa de crescimento rápido e adotar métricas de relacionamento.
Para as próximas rodadas do marketing digital brasileiro, a aposta é que o termo Growth Humanizado saia do vocabulário das assessorias especializadas e entre no vocabulário executivo. A transição não será rápida: envolve mudança de métricas, de ferramentas, de estrutura de time e, principalmente, de cultura. Mas a pressão por eficiência, somada à saturação dos canais tradicionais, torna a migração praticamente inevitável nos próximos ciclos.
A década que começa não será a década dos hacks. Será a década dos sistemas, e, dentro dessa virada, da volta do humano ao centro da conversa sobre crescimento.
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