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Marcello Jose Abbud discute o papel da energia de resíduos na política pública ambiental brasileira
Por SAFTEC DIGITAL

Marcello Jose Abbud discute o papel da energia de resíduos na política pública ambiental brasileira

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 8 de abril de 2026

Especialista analisa como a geração de energia a partir de resíduos pode contribuir para a destinação final adequada e para a consolidação da economia circular no país

A gestão de resíduos sólidos no Brasil tem avançado de forma desigual, ao mesmo tempo em que pressiona governos a adotarem soluções mais eficientes e sustentáveis. Marcello Jose Abbud explica que, nesse contexto, a geração de energia a partir de resíduos surge como uma alternativa que conecta destinação final de resíduos, inovação ambiental e estratégia energética.

O tema ganha relevância à medida que o país busca reduzir impactos ambientais e ampliar a eficiência dos serviços urbanos. Esse movimento exige alinhamento entre políticas públicas, regulação e capacidade de investimento, especialmente em um cenário marcado por desafios estruturais na gestão de resíduos.

Além disso, o debate sobre soluções para lixões passa a incorporar dimensões econômicas mais amplas. A transformação de resíduos em ativos energéticos altera a lógica tradicional de tratamento do problema, deslocando o foco do custo para a geração de valor.

A integração entre política ambiental e política energética

A discussão sobre resíd uos sólidos deixou de ser exclusivamente ambiental e passou a ocupar espaço na agenda energética. O aproveitamento de resíduos para geração de energia, especialmente por meio do biogás, representa uma oportunidade de diversificação da matriz energética.

No entanto, a integração entre essas agendas ainda enfrenta entraves institucionais. A ausência de coordenação entre políticas públicas pode limitar o avanço de projetos que dependem de segurança regulatória e previsibilidade econômica. Segundo Marcello Jose Abbud, a conexão entre destinação final de resíduos e produção de energia exige planejamento de longo prazo. Sem essa integração, iniciativas tendem a se manter pontuais, sem impacto estrutural.

Esse desalinhamento também afeta a capacidade de atrair investidores, isso porque, os projetos de energia a partir de resíduos demandam alto investimento inicial e dependem de contratos estáveis para se tornarem viáveis ao longo do tempo.

O potencial da energia gerada em aterros sanitários

A captura de biogás em aterros sanitários é uma das principais soluções já disponíveis no país. Esse processo permite transformar gases resultantes da decomposição de resíduos em energia elétrica ou combustível. Além de reduzir emissões, essa alternativa contribui para a sustentabilidade financeira dos sistemas de gestão de resíduos. A geração de energia pode criar novas fontes de receita e viabilizar investimentos em infraestrutura.

Marcello Jose Abbud observa que, apesar do potencial, a expansão desse modelo ainda depende de incentivos claros. A falta de mecanismos estáveis de financiamento e contratação limita a escala dos projetos. Outro ponto relevante é a necessidade de padronização técnica e operacional. A ausência de critérios uniformes dificulta a replicação de projetos em diferentes regiões, especialmente em municípios com menor capacidade técnica.

Economia circular e inovação ambiental como base do modelo

A economia circular tem sido apontada como um dos pilares para a modernização da gestão de resíduos. Ao priorizar o reaproveitamento e a valorização de materiais, esse modelo reduz a necessidade de disposição final e amplia a eficiência do sistema. A partir deste cenário, a inovação ambiental desempenha papel central, pois, as tecnologias voltadas à separação, tratamento e reaproveitamento de resíduos tornam possível reduzir impactos e gerar valor econômico.

A adoção dessas soluções depende de políticas públicas consistentes, principalmente em vista de que a ausência de incentivos e diretrizes claras pode comprometer a transição para modelos mais sustentáveis. Marcello Jose Abbud alude ainda que a integração entre inovação e gestão pública ainda é um desafio. Muitos municípios não dispõem de estrutura técnica para implementar soluções avançadas, o que reforça a importância da cooperação institucional.

Desafios regulatórios e institucionais no Brasil

Apesar do avanço da legislação, o Brasil ainda enfrenta dificuldades na implementação efetiva de políticas de resíduos sólidos. A persistência de lixões evidencia lacunas na execução e fiscalização. Conforme demonstra Marcello Jose Abbud, a complexidade regulatória pode dificultar a entrada de novos projetos, especialmente aqueles relacionados à geração de energia. A insegurança jurídica e a fragmentação institucional são apontadas como entraves recorrentes.

Portanto, a superação desses desafios passa pela simplificação de processos e pelo fortalecimento da governança. A previsibilidade regulatória é essencial para atrair investimentos e garantir continuidade. Outro fator crítico é a necessidade de alinhamento entre normas ambientais e energéticas. A falta de harmonização pode gerar conflitos regulatórios e atrasar a implementação de projetos estratégicos.

Caminhos para consolidar soluções sustentáveis no setor

A consolidação de soluções para lixões e aterros sanitários exige uma abordagem sistêmica, que combine regulação eficiente, inovação tecnológica e modelos de financiamento adequados. Parcerias entre setor público e iniciativa privada podem acelerar esse processo. Ao mesmo tempo, a inclusão da geração de energia como componente estratégico amplia as possibilidades de transformação do setor. A valorização dos resíduos passa a integrar uma agenda mais ampla de desenvolvimento sustentável.

Por este ponto de vista, os mecanismos de financiamento estruturados e instrumentos de mercado podem desempenhar papel relevante. A criação de condições para viabilizar projetos de longo prazo é um dos principais desafios institucionais. Na avaliação de Marcello Jose Abbud, o avanço dessa agenda depende da capacidade institucional do país. A articulação entre políticas públicas e inovação ambiental será determinante para estruturar um modelo eficiente de destinação final de resíduos no Brasil.

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