Estudo inédito da Changemaker aponta como IA, digitalização e metodologias ativas estão desenhando o futuro da aprendizagem
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 2 de abril de 2026
A convergência entre inovação tecnológica e educação deixou de ser uma promessa futura e passou a configurar os processos de aprendizagem no Brasil e no mundo. É o que mostra o novo estudo da Changemaker “Inovação e educação: um olhar para o futuro”, que analisou dados de diferentes publicações nacionais e internacionais, para traçar um panorama sobre o avanço da IA, educação digital, gamificação e também de modelos de ensino bilíngues no segmento educacional.
E, segundo dados citados na pesquisa, o ecossistema global de tecnologias educacionais atravessa uma fase de expansão acelerada. Apenas no campo da inteligência artificial aplicada ao ensino, a expectativa é que os investimentos globais ultrapassem US$ 112 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 36%.
No Brasil, esse movimento encontra um terreno fértil dentro de um contexto social em que 97% dos internautas afirmam ter algum entendimento sobre IA e 70% dizem utilizá-la semanalmente, o que amplia o espaço para soluções educacionais baseadas nessas tecnologias.
Para Bruna Tadross, fundadora do Changemaker, “essa é uma grande janela de oportunidade para a educação midiática nas escolas e para o fomento de como podemos manter nossos relacionamentos humanizados. Existe a possibilidade de conseguirmos estabelecer nossas habilidades essenciais e nos conectarmos integralmente, de forma mais consciente e genuína”.
A especialista acrescenta ainda que o futuro com IA pode ser positivo, mas “isso depende da forma como iremos evidenciar os atributos humanos e escolher o bem, a empatia, o que nos diferencia como seres verdadeiramente humanos”.
Edtechs, democratização, personalização e ensino bilíngue
O protagonismo brasileiro na aplicação de ferramentas para o ensino também pode ganhar tração diante do efervescente ecossistema de edtechs (startups de educação) ativo no país. Assim, o estudo cita números que mostram que o Brasil concentra cerca de 69% das edtechs em atividade na América Latina e respondeu por aproximadamente 80% dos investimentos realizados no setor na região entre 2015 e 2024, somando US$ 475,6 milhões no período.
Esse cenário reforça o papel do Brasil como polo regional de inovação educacional e outro vetor relevante analisado pela pesquisa é a gamificação e os processos de game-based learning. A expectativa é que esse mercado global salte de US$ 6,2 bilhões em 2025 para mais de US$ 17,8 bilhões em 2030, com crescimento anual de 23,4%. Estudos citados pela Changemaker indicam ainda que metodologias baseadas em jogos já demonstram ganhos concretos, como aumento de até 30% no engajamento de estudantes do ensino médio em disciplinas como matemática.
A digitalização do ensino também se expressa na rápida expansão da educação a distância. No ensino superior brasileiro, o número de matrículas em cursos EaD cresceu quase 287% entre 2014 e 2024, evidenciando uma mudança estrutural na forma como o conhecimento é distribuído e acessado. Globalmente, o mercado de educação digital deve ultrapassar US$ 80 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos.
O estudo destaca ainda o avanço de modelos de ensino personalizados, apoiados por algoritmos de machine learning, que permitem mapear trajetórias individuais de aprendizagem, identificar lacunas e ajustar conteúdos ao ritmo de cada estudante. Apenas em 2025, esse segmento atraiu mais de US$ 5,9 bilhões em investimentos globais. Para sete em cada dez jovens, a IA já é percebida como uma aliada nos processos de aprendizagem.
Bruna Tadross explica que, no campo pedagógico, metodologias personalizadas e gamificadas ganham relevância por estimular níveis mais elevados de engajamento cognitivo.
“Tanto a gamificação quanto as diversas metodologias ativas promovem o criar de diferentes maneiras”, explica Bruna Tadross. “Dessa maneira, existe menos espaço para pensamentos sem conexão com as propostas em sala de aula e mais opções de como cada estudante pode contribuir com os temas a serem estudados.”
Dentro desse contexto, o ensino bilíngue e os modelos de aprendizagem internacionalizada também aparecem como tendências consolidadas. No Brasil, o número de escolas bilíngues já ultrapassa 1.500 instituições, quase o dobro do registrado cinco anos atrás. Segundo a fundadora do Changemaker, “o ensino bilíngue e o double learning podem colaborar na construção da identidade dos nossos jovens, uma identidade em harmonia com os princípios de um cidadão global”.
Desafios no radar
Apesar do cenário promissor, o estudo alerta para desafios estruturais importantes. Enquanto 85% das escolas particulares de educação infantil contam com internet banda larga, por exemplo, esse índice cai para cerca de 53% na rede municipal, evidenciando desigualdades de acesso que podem limitar a escala da transformação digital no ensino público. A pesquisa aponta ainda a necessidade de investimentos em infraestrutura, formação docente e políticas públicas consistentes para que a inovação não amplie assimetrias já existentes.
O estudo conclui que a tecnologia, quando integrada a um planejamento pedagógico sólido e a políticas públicas inteligentes, pode ampliar a personalização, a inclusão e a democratização do acesso à educação. Sem isso, o risco é que a inovação avance de forma desigual, reforçando barreiras que o próprio processo educacional deveria ajudar a superar.
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