Sobe e desce de temperatura aumenta casos de rinite, sinusite e rouquidão, alertam especialistas
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de março de 2026
Mudanças bruscas de clima ressecam vias aéreas, favorecem inflamações e elevam a circulação de vírus; crianças, idosos e alérgicos estão entre os mais vulneráveis
O sobe e desce de temperatura, cada vez mais frequente, tem impacto direto na saúde respiratória e já reflete no aumento de atendimentos por queixas como dor de garganta, congestão nasal, crises de rinite e rouquidão. A avaliação é de especialistas em otorrinolaringologia, que apontam o clima instável como um fator importante para irritação das vias aéreas e maior suscetibilidade a infecções.
Segundo a otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), as mudanças bruscas de temperatura e umidade afetam diretamente as mucosas do nariz e da garganta. “O ar mais frio e seco favorece o ressecamento das vias aéreas, o que pode causar rouquidão, sensação de garganta seca e necessidade frequente de pigarrear”, explica.
O Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela UNIFESP, reforça que o fenômeno não é apenas uma percepção. “Tem impacto real. As mucosas ficam mais secas e vulneráveis, abrindo espaço para inflamações e infecções”, afirma.
Além do desconforto, o cenário favorece a circulação de vírus respiratórios, especialmente em ambientes fechados. A combinação entre ar seco, uso de ar-condicionado e maior permanência em locais pouco ventilados contribui para quadros infecciosos e alérgicos.
Essas mudanças também reduzem a capacidade de defesa natural das vias aéreas, o que facilita infecções e agrava sintomas como dor de garganta, congestão nasal e rouquidão.
Na prática clínica, o aumento dos casos já é percebido. “Nesses períodos de instabilidade climática, observamos mais pacientes com rinite, sinusite e faringites, principalmente em crianças”, afirma Dr. Bruno.
O clima instável não afeta apenas o nariz e a garganta, mas também a voz. Profissionais que dependem dela no dia a dia estão entre os mais prejudicados. “Cantores, professores, advogados e jornalistas são mais sensíveis, porque já utilizam intensamente o aparelho vocal. Com o ressecamento, há maior risco de rouquidão e irritação”, explica Dra. Roberta.
Quem deve se preocupar mais
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis às mudanças de clima.
“Crianças têm o sistema imunológico ainda em desenvolvimento e maior exposição a vírus. Idosos podem apresentar imunidade reduzida. Já pacientes com rinite, asma ou sinusite têm uma mucosa mais sensível”, afirma Dra. Roberta.
Dr. Bruno complementa que os quadros tendem a ser mais intensos nesses grupos. “A rinite costuma ser mais ativa em crianças, enquanto infecções respiratórias podem ser mais graves em idosos”, diz.
Pacientes com doenças crônicas também podem apresentar piora. “As variações de temperatura aumentam a inflamação da mucosa nasal, dificultam a drenagem dos seios da face e favorecem crises de sinusite”, explica Dra. Roberta.
Além disso, fatores ambientais agravam o cenário. Ambientes úmidos e com mofo liberam partículas que irritam ainda mais o nariz alérgico, piorando sintomas como coriza, espirros e obstrução nasal.
Embora muitos sintomas sejam leves, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica.
De acordo com os especialistas, é importante procurar atendimento quando há sintomas persistentes por mais de uma semana, febre alta, dor facial, secreção nasal espessa ou piora progressiva do quadro. Rouquidão que dura mais de duas semanas, dificuldade para respirar ou engolir e dor intensa também merecem investigação.
Medidas simples ajudam a prevenir
Apesar do impacto do clima, algumas medidas ajudam a reduzir os efeitos no organismo.
Entre as principais orientações estão manter boa hidratação, evitar ambientes muito secos, realizar lavagem nasal com solução salina, manter a vacinação em dia e cuidar da qualidade do ar em ambientes internos.
“O cuidado com a saúde geral e com doenças respiratórias pré-existentes faz toda a diferença nesses períodos”, afirma Dra. Roberta.
Dr. Bruno também chama atenção para o uso de ar-condicionado. “Quando não há manutenção adequada, os filtros podem acumular partículas que pioram sintomas respiratórios. Além disso, o ar muito seco irrita as vias aéreas”, explica.
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