NAvegue pelos canais

Tensões no Oriente Médio colocam FIFA diante de novo dilema político na Copa de 2026
Por PressWorks

Tensões no Oriente Médio colocam FIFA diante de novo dilema político na Copa de 2026

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de março de 2026

Participação do Irã e jogos previstos nos Estados Unidos levantam questionamentos sobre segurança e neutralidade da entidade

São Paulo, março de 2026 — A escalada das tensões envolvendo o Irã após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel reacendeu discussões sobre os possíveis impactos de conflitos internacionais em grandes eventos esportivos. No caso da Copa do Mundo de 2026, que terá jogos sediados nos Estados Unidos, México e Canadá, especialistas apontam que o cenário pode gerar pressões políticas e institucionais para a FIFA.

Classificado para o torneio, o Irã tem partidas previstas em território norte-americano. A possibilidade de uma seleção disputar jogos no país que figura no centro das tensões geopolíticas levanta questionamentos sobre segurança, logística e estabilidade durante o evento.

Para o professor de Direito Internacional da Faculdade ESEG, Guilherme Antonio de Almeida Lopes Fernandes, a situação cria desafios inéditos para a governança esportiva da competição.

“Quando um país envolvido diretamente em um conflito também é sede de um evento global como a Copa do Mundo, surgem preocupações que vão muito além do esporte. Existe toda uma estrutura de segurança e logística que envolve seleções, delegações, torcedores, patrocinadores e trabalhadores. Em cenários de tensão internacional, esse equilíbrio se torna mais delicado”, afirma.

Segundo ele, grandes eventos esportivos costumam exigir planejamento rigoroso justamente para evitar riscos associados a disputas políticas ou conflitos internacionais.

“A insegurança pode se tornar generalizada. Não estamos falando apenas de possíveis atentados, mas também de manifestações políticas, confrontos entre torcedores e distúrbios dentro ou fora dos estádios. O trauma das Olimpíadas de Munique de 1972 ainda é uma referência constante quando se discute segurança em eventos esportivos dessa magnitude”, explica.

Outro ponto levantado pelo especialista envolve a própria participação da seleção iraniana no torneio. Caso o conflito se intensifique, a presença da equipe pode se tornar politicamente sensível, especialmente se partidas forem realizadas nos Estados Unidos.

“Teríamos a seleção do Irã disputando jogos em território de um país diretamente envolvido nas tensões militares. É uma situação complexa do ponto de vista diplomático e também de gestão do evento”, observa Fernandes.

O regulamento da FIFA prevê punições para seleções classificadas que decidam não disputar o torneio, incluindo multas e outras sanções, especialmente quando a desistência ocorre próxima ao início da competição. Ainda assim, em contextos excepcionais, a entidade pode optar por soluções alternativas.

“Em uma situação de conflito, a própria FIFA pode decidir substituir uma seleção classificada para preservar a segurança do torneio. Existem mecanismos institucionais que permitem esse tipo de decisão extraordinária”, diz.

O cenário também reacende discussões sobre a neutralidade política da entidade máxima do futebol. Em 2022, após a invasão da Ucrânia, seleções e clubes russos foram suspensos de competições organizadas pela FIFA e pela UEFA.

Para Fernandes, episódios como esse mostram que decisões esportivas frequentemente refletem pressões geopolíticas.

“A questão que surge é como a FIFA reage quando um país diretamente envolvido em um conflito também é sede do torneio. Retirar os Estados Unidos da condição de sede ou impedir sua participação seria uma decisão extremamente improvável, principalmente pelos impactos econômicos e contratuais envolvidos”, avalia.

Segundo o especialista, a entidade tende a buscar soluções que preservem a realização do evento e seus compromissos comerciais, mesmo diante de tensões políticas.

“A FIFA procura manter uma postura de neutralidade, mas grandes conflitos internacionais acabam colocando essa posição sob pressão. No fim das contas, a tendência é que a entidade preserve a realização do torneio e tente administrar as consequências políticas do cenário internacional”, afirma.

Para o professor da Faculdade ESEG, o principal fator que determinará os impactos sobre a Copa de 2026 será a evolução do próprio conflito. “Hoje o que predomina é a incerteza. O desenrolar das tensões internacionais pode levar a uma escalada mais grave ou a negociações diplomáticas. Grandes eventos esportivos acabam refletindo essas dinâmicas do sistema internacional”, conclui.

Sobre a Faculdade ESEG – Grupo Etapa

A Faculdade ESEG faz parte do Grupo Etapa, instituição com mais de 50 anos de experiência em educação, e conta com diferenciais como grade curricular inovadora, apoio individualizado ao aluno com foco em seu propósito profissional, corpo docente atuante no mercado, vivências e parcerias internacionais e centro de desenvolvimento de carreira. Atualmente, com foco em um ensino de alta qualidade, a Faculdade oferece cursos de Graduação em Administração, Direito, Economia, Engenharia de Computação e Engenharia de Produção, além de cursos de Pós-graduação e Cursos de Crescimento Profissional on-line. Para saber mais, acesse o site.

A OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da PressWorks

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe