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MME e Women in Mining Brasil firmam cooperação para fortalecer participação feminina na mineração
Momento da assinatura do acordo entre a diretora Patrícia Procópio e a secretária Ana Paula Bittencourt. Imagem: Minera Brasil.

MME e Women in Mining Brasil firmam cooperação para fortalecer participação feminina na mineração

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de março de 2026

Iniciativa coloca a inclusão feminina no centro das políticas públicas para o setor mineral no país

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Women in Mining Brasil (WIM) assinaram, nesta terça-feira (24), um Acordo de Cooperação Técnica voltado à ampliação da participação feminina na mineração. A iniciativa foi celebrada durante a mesa redonda “Diálogos sobre equidade de gênero: a mulher na mineração”, que reuniu representantes do setor para discutir inclusão e diversidade.

O acordo foi assinado pela secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Ana Paula Bittencourt, e pela diretora da WIM Brasil, Patrícia Procópio. A parceria prevê ações conjuntas para promover a equidade de gênero e fortalecer políticas públicas no setor mineral.

A secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SNGM) do MME, Ana Paula Bittencourt, destacou o avanço da participação feminina na estrutura da pasta, afirmando que as mulheres já ocupam cerca de 50% dos cargos da secretaria, incluindo posições de liderança, como diretorias e coordenações, com atuação direta na formulação e execução de políticas públicas para o setor.

Segundo a secretária, o acordo “expressa uma convergência de propósitos e um compromisso institucional com a produção de dados e o aprimoramento de políticas públicas”, voltadas à ampliação da participação feminina na mineração.

Estamos falando, portanto, de transformar discurso em ação, de transformar intenção em compromisso institucional”, afirmou.

A diretora da WIM Brasil, Patrícia Procópio, afirmou que a transição energética abre espaço para a formação de novos profissionais e destacou a oportunidade de “dar foco especial às mulheres” nesse processo.

A chefe de gabinete da SNGM, Geovanna Barreto, destacou que o setor ainda é majoritariamente masculino, com cerca de 77% de homens. Segundo ela, as mulheres enfrentam barreiras persistentes, incluindo “estigmas até mesmo institucionalizados”, como o dispositivo da CLT que ainda veda o trabalho feminino em minas subterrâneas.

A diretora de relações institucionais da WIM Brasil, Cinthia Rodrigues, também chamou atenção para a desigualdade na participação feminina no setor. “Se a gente tem 52% de mulheres segundo o IBGE, por que não temos 52% delas no setor de mineração?”, questionou.

Segundo Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos, Sustentabilidade da PLS, e presidente do Conselho da Associação de Minerais Críticos, a equidade de gênero se consolida como um vetor estratégico em relação à competitividade, governança e sustentabilidade na mineração.”Ampliar a presença feminina em posições de decisão qualifica o debate, fortalece a legitimidade do setor e amplia sua capacidade de resposta à transição energética”, afirma.

César destacou ainda a atuação da secretária Ana Paula como representação da importância da diversidade feminina, ao expandir a visão sistêmica do setor e a qualidade das decisões.

Desafios estruturais à participação feminina

Apesar dos avanços, representantes do setor destacaram que a ampliação da presença feminina na mineração ainda enfrenta entraves estruturais, especialmente relacionados à falta de coordenação entre iniciativas.

A coordenadora-geral de Economia Mineral da SNGM, Patrícia Pego, avaliou que a ausência de articulação entre atores institucionais ainda compromete a efetividade das políticas voltadas à equidade de gênero no setor. “Sem alinhamento, sem que a gente consolide ações coordenadas e cooperadas, a gente tem fragmentação e isso vai se manter”, afirmou.

Segundo ela, os avanços já observados não são suficientes para garantir mudanças duradouras, sobretudo pela falta de continuidade e integração entre iniciativas.

Patrícia Pego. Imagem: Minera Brasil.

Nesse contexto, Pego defendeu que o fortalecimento institucional depende de ações mais estruturadas e cooperativas, capazes de transformar iniciativas pontuais em políticas consolidadas. “Ações isoladas representam um avanço para a equidade de gênero, mas não representam a consolidação, e estamos precisando de estruturação e cooperação entre instituições […] Aqui entra a relevância do acordo de hoje”, concluiu.

Formação e incentivo desde a base

Outro ponto destacado durante o encontro foi a importância de incentivar a participação feminina desde as etapas iniciais da formação educacional.

A professora de geociências da Universidade de Brasília (UnB), Adalene Moreira, defendeu que a mudança no setor passa pela educação básica. “A única forma que eu vejo é de mudança na base”, afirmou.

Ela citou iniciativas voltadas ao estímulo de meninas nas áreas científicas, como programas educacionais que atuam no ensino médio. Segundo a professora, ações desse tipo têm ampliado o interesse feminino pelas geociências ao longo da formação.

Apesar desse avanço no acesso à formação, a permanência das mulheres no setor ainda é um desafio. A diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Alice Castilho, enfatizou que a desigualdade de gênero também se reflete na trajetória profissional e no acesso a cargos de liderança. “Eu sou a primeira diretora mulher em mais de 50 anos de existência do Serviço Geológico”, afirmou.

A diretora destacou que, embora haja avanço na entrada de mulheres em cursos como geologia e engenharia de minas, com participação próxima a 50% nas universidades, essa proporção não se mantém no mercado de trabalho. Segundo ela, fatores como as condições de atuação em campo e a falta de estrutura adequada dificultam a permanência feminina.

Na avaliação de profissionais do setor, esse descompasso entre formação e mercado também se manifesta no cotidiano das empresas. A engenheira da Aclara Resources, Fernanda Calacia, destacou que a baixa presença feminina nas equipes técnicas era perceptível desde o início de sua trajetória. “Estou falando de cerca de 18 anos atrás, quando, em uma equipe com 16 geólogos, eu era a única mulher”, afirmou.

Segundo ela, esse cenário se refletia inclusive na baixa procura de mulheres por vagas, mesmo quando havia equilíbrio de gênero na formação universitária. A engenharia ainda defendeu a criação de ambientes mais seguros, com políticas de retenção e desenvolvimento profissional para mulheres.

Regulação e representatividade no setor

A discussão sobre a permanência feminina na mineração também passa pela forma como o setor é estruturado e regulado.

A superintendente de Política Regulatória da Agência Nacional de Mineração (ANM), Marina Dalla Costa, destacou que a composição do corpo técnico influencia diretamente a forma como o setor é regulado. “A presença das mulheres no corpo técnico ajuda a identificar problemas, priorizar temas e trazer essas questões para a pauta de atuação da agência”, afirmou.

Segundo ela, as mulheres representam cerca de 30% do quadro funcional da ANM, mas esse número é menor em áreas técnicas. “Quando a gente olha para áreas como engenharia e geologia, esse percentual cai para cerca de 22%”, explicou.

Marina Dalla Costa. Imagem: Minera Brasil.

Para a superintendente, essa desigualdade se reflete na própria estrutura do setor. “Se estamos desenhando normas, induzindo comportamentos e pensando como o setor deve se organizar, isso passa também pela diversidade dentro da instituição e pela posição que as mulheres ocupam na hierarquia”, concluiu.

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