Mais de R$ 234 bilhões em fusões indicam ciclo de consolidação empresarial no Brasil em 2026, segundo análise
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 10 de março de 2026
Novo estudo da SWOT Global aponta avanço de ativos estressados, reprecificação de risco e efeitos da reforma tributária como motores das operações
O mercado brasileiro de fusões e aquisições somou R$ 234 bilhões em transações anunciadas ao longo de 2025, considerando dados até meados de dezembro, e deve entrar em um ciclo mais intenso, e seletivo, de consolidação empresarial em 2026. A avaliação consta em estudo técnico publicado pela SWOT Global, consultoria especializada em estratégia, finanças corporativas e operações de M&A, que aponta a combinação entre juros ainda elevados, reprecificação do custo de capital, volatilidade macroeconômica e efeitos da reforma tributária como fatores capazes de impulsionar operações no país, especialmente envolvendo ativos estressados (distressed) e reorganizações societárias.
O relatório posiciona 2026 como um período em que fusões e aquisições passam a funcionar menos como ferramenta de expansão e mais como mecanismo de reengenharia financeira e operacional. Empresas com maior acesso a liquidez tendem a aproveitar assimetrias de mercado para adquirir ativos com desconto, tecnologia, carteira de clientes e contratos estratégicos, enquanto organizações pressionadas devem buscar capitalização, venda parcial, carve-outs ou combinações societárias para preservar caixa e reduzir alavancagem.
Segundo Maria Cláudia, diretora da consultoria, o movimento já vinha sendo preparado nos anos anteriores. “De acordo com nossa leitura técnica, 2025 funcionou como formação de pipeline, enquanto 2026 tende a ser o momento em que esse pipeline se transforma em consolidação real, com maior uso de estruturas híbridas, ajustes de preço e cláusulas de proteção regulatória e tributária”, afirma a executiva.
Os dados analisados indicam retomada consistente da atividade. Considerando apenas o Brasil, foram reportadas 954 transações até agosto de 2025, alta de 13% em relação ao ano anterior, com protagonismo de operações domésticas e avanço em setores como serviços financeiros e tecnologia. No terceiro trimestre do ano passado, foram registradas 425 operações, com crescimento da participação de private equity e predominância de negócios locais, sinalizando apetite mesmo em ambiente de custo de capital pressionado.
Outro vetor relevante identificado pelo estudo é a transição do custo de capital. A expectativa de flexibilização monetária ao longo de 2026, ainda que com juros elevados em termos históricos, tende a destravar operações dependentes de crédito e ampliar a viabilidade de estruturas de financiamento híbridas. Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico mais volátil, influenciado por fatores políticos e cambiais, historicamente não reduz o volume de M&A, mas torna as transações mais seletivas, com maior peso em estruturação financeira e menor dependência de múltiplos elevados.
Além do cenário macroeconômico, a implementação da reforma tributária, com o IVA dual (CBS e IBS) e o novo desenho fiscal previsto na EC 132/2023 e na LC 214/2025, cria incentivos para reorganizações societárias, revisão de cadeias produtivas e mudanças de footprint operacional. Esse processo frequentemente resulta em carve-outs, spin-offs, combinações e aquisições voltadas à captura de eficiência e mitigação de risco, elevando a complexidade técnica das operações e a necessidade de análise multidisciplinar.
Segundo a diretora, a dinâmica tende a impactar setores estratégicos como infraestrutura, energia, serviços financeiros, tecnologia, saúde e indústria, com efeitos sobre investimento, emprego e custo de capital da economia real. “Em um cenário de reprecificação de risco e maior exigência de governança, o mercado separa empresas capazes de financiar e integrar ativos daquelas que precisam vender para preservar competitividade. Por isso, M&A em 2026 será menos sobre expansão e mais sobre posicionamento estratégico e sobrevivência”, conclui.O estudo identifica três vetores dominantes para o ano: consolidação por escala e eficiência, crescimento de transações envolvendo ativos estressados e reorganizações induzidas pela reforma tributária, indicando que o ciclo de fusões e aquisições no Brasil entra em uma nova fase.
Crédito: “Freepik”
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