Brasil busca espaço nas cadeias globais de minerais críticos
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 27 de fevereiro de 2026
Future Minerals Summit reuniu governo e setor privado, debates focaram em como o país pode capturar mais valor da cadeia mineral, avançar no processamento e garantir um ambiente de negócios previsível para destravar investimentos.
O encontro reuniu representantes do governo, agências reguladoras, parlamento e empresas para discutir os gargalos e as oportunidades em uma cadeia produtiva onde o valor se desloca cada vez mais para processamento e refino, colocando no centro do debate como o Brasil pode transformar seu potencial geológico em liderança industrial na nova economia verde.
A secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, abriu os debates questionando como extrair o maior ganho possível dos bens minerais da União para a população.
“Como é que a gente vai pegar toda essa potencialidade de renda, empregos, bens públicos e receitas públicas e trazer isso para toda uma cadeia mineral? Esse é o desafio posto”, disse.

Ana Paula descartou que o Brasil vá conceder qualquer tipo de exclusividade em acordos envolvendo minerais críticos com outros países. “Uma das premissas básicas é que nos sentamos para conversar com qualquer um que entenda que não vai ter exclusividade. O Brasil é gigante em termos de recursos naturais e não faz sentido que a gente se apequene cedendo espaço e perdendo oportunidades com outros atores”, afirmou.
O deputado Zé Silva reforçou o tom de urgência estratégica, declarando que “ou o mundo se reorganiza e constrói novos sistemas produtivos de riqueza ou então nós não sabemos qual será nosso futuro”.
Brasil mira cadeia sustentável para atender Europa e EUA
Do lado da indústria, Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric, apontou para a oportunidade de o Brasil se tornar um fornecedor de ímãs e terras raras com credenciais de sustentabilidade, em contraponto à produção chinesa. “A chance que nós temos é de nos tornarmos o mercado sustentável de terras raras, a base de um novo mercado ocidental”, disse.
Marisa Cesar, presidente do conselho da AMC, e diretora de Assuntos Corporativos e sustentabilidade da PLS falou sobre a necessidade de “mecanismos de garantia” para que empresas em fase de desenvolvimento de projetos possam avançar para a segunda fase do beneficiamento mineral.
“As empresas que estão em desenvolvimento de projeto e não têm ainda uma produção, por exemplo, elas não conseguem ter uma garantia. Então, os mecanismos de garantia e outra temática extremamente essencial para nós, seja se for uma composição pública, privada ou mesmo algumas estruturas que estão sendo estudadas e inclusive estão sendo pautadas no PL do deputado Arnaldo Jardim”, destacou.

Já Mauro Sousa, da ANM, defendeu que o país já é uma “jurisdição confiável”, com uma institucionalidade que “respeita contratos”, mas que o debate precisa ser permanente para o setor seguir avançando.
Rodrigo Roso, diretor da Lithium Ionic, resumiu o resultado do encontro, destacando o alinhamento entre os participantes: “Contamos com a presença de diversas autoridades, membros do Executivo, do Parlamento e das agências reguladoras, além da indústria de diversas cadeias produtivas dos minerais críticos. As trocas foram muito importantes e saímos daqui com vários insights de como progredir com o avanço desses minerais e o que levar para 2026.”
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