Com IA não existe mais desculpa para não testar
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 23 de fevereiro de 2026
Com IA não existe mais desculpa para não testar
*Adriano José Valadão Freitas, Diretor de Design da Pacific.co (San Diego, CA)
A maioria das empresas não falha por falta de estratégia e sim por excesso de convicção. Em salas de diretoria, decisões milionárias continuam sendo tomadas com base em apresentações impecáveis, análises robustas e décadas de experiência acumulada. Mas a experiência não substitui evidência. Em 2026, ignorar dados e experimentação deixou de ser confiança estratégica e passou a ser fragilidade operacional.
Hoje, a prototipagem ganhou uma nova camada de sofisticação com o uso de Inteligência Artificial. Ferramentas de IA permitem criar protótipos funcionais em horas, simular jornadas completas, gerar variações de interface automaticamente, testar mensagens com diferentes públicos e até prever padrões de comportamento com base em dados históricos. O que antes levava semanas agora pode ser validado em dias. A IA não substitui o pensamento estratégico, mas acelera a aprendizagem e reduz drasticamente o custo do erro.
Prototipar nunca foi improviso. É engenharia de risco. É transformar hipótese em evidência antes de comprometer orçamento, reputação e energia organizacional. Em Customer Experience (CX), isso significa testar experiências antes do lançamento, mapear fricções invisíveis, rodar experimentos A/B, simular interações com clientes reais ou sintéticos, medir micro conversões e iterar rapidamente. O princípio é simples: fazer para aprender antes de escalar.
Existe também uma mudança estrutural no ecossistema de inovação. Incubadoras, aceleradoras, corporate labs e sandboxes regulatórios tornaram-se ambientes controlados para testar modelos de negócio com risco reduzido. Pequenas e médias empresas têm uma vantagem competitiva clara nesse cenário. Elas operam com menor inércia política, menos camadas de aprovação e maior capacidade de pivotar rapidamente. Enquanto grandes corporações ainda dependem de ciclos longos de validação interna, PMEs conseguem testar, ajustar e relançar em semanas. Agilidade hoje é mais estratégica do que escala.
Além disso, a maturidade digital elevou o padrão decisório. Analytics deixou de ser área de suporte e passou a ser infraestrutura estratégica. Métricas de comportamento, cohort analysis, experimentação contínua, modelagem preditiva e dashboards em tempo real não são luxo analítico, são base para governança orientada por dados. Empresas que crescem consistentemente adotam a lógica de teste como cultura, não como exceção. Elas não perguntam se vai funcionar. Perguntam qual experimento rodar primeiro.
O erro recorrente ainda é acreditar que o cliente reagirá como previsto no planejamento. Só que cliente não é apenas uma persona em um slide. São pessoas complexas, inseridas em contextos diversos, com expectativas dinâmicas. A distância entre intenção estratégica e experiência percebida é onde mora o risco. Prototipagem, experimentação e analytics encurtam essa distância.
Em mercados saturados e hipercompetitivos, a vantagem não está apenas no produto, mas na capacidade de aprender mais rápido do que o concorrente. Nem os mais espertos da sala do último andar, cercados de dashboards, relatórios estratégicos e apresentações impecáveis, sabem ao certo até onde a IA pode transformar seus próprios negócios. A verdade é que ninguém tem todas as respostas, por mais sofisticado que seja o discurso ou mais robusto que pareça o planejamento.
Mas existe uma coisa que não exige genialidade visionária para entender: quem testa aprende. Quem aprende mais rápido ajusta antes. E quem ajusta antes chega na frente. No fim, vence quem coloca hipóteses na rua e deixa a realidade responder com dados.

Adriano José Valadão de Freitas é designer e executivo com mais de 20 anos de experiência em CX, Service Design, branding e inovação, atuando na estruturação de áreas e estratégias de transformação digital no Brasil e nos Estados Unidos. É formado em Design Digital, possui MBA em Branding e especializações em Design Thinking e cultura de inovação, com atuação em projetos globais para marcas como Itaú, Microsoft, Cirque du Soleil, Nestlé, Expedia e Vrbo. Sua trajetória integra rigor conceitual, visão estratégica e aplicação prática de design como infraestrutura de inovação organizacional.
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