Avanço dos créditos estressados transforma mercado secundário de crédito no Brasil, conforme Felipe Rassi
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 19 de fevereiro de 2026
Créditos estressados deixaram de ser apenas um desafio e passaram a representar uma estratégia sofisticada no mercado financeiro.
Os créditos estressados, conhecidos no mercado financeiro como NPL (non-performing loans), deixaram de ser tratados apenas como passivos problemáticos e passaram a integrar estratégias estruturadas de investimento e recuperação no Brasil. O aumento da inadimplência nos últimos ciclos econômicos e a maior sofisticação das operações financeiras contribuíram para a expansão desse segmento.
Dados do setor indicam crescimento na negociação de carteiras inadimplidas e na estruturação de fundos voltados à aquisição desses ativos. A mudança reflete um movimento já observado em mercados internacionais, onde créditos não performados passaram a compor um mercado secundário relevante.
Para o especialista jurídico em créditos estressados Felipe Rassi, o amadurecimento do setor brasileiro está ligado à evolução das estruturas jurídicas e financeiras voltadas à recuperação de ativos. Segundo ele, instituições financeiras passaram a adotar modelos mais eficientes para alienação e reestruturação de carteiras inadimplidas.
“O crédito estressado não desaparece do sistema financeiro. Ele migra para agentes especializados em recuperação e reestruturação, que operam com análise jurídica e financeira integrada”, afirma Rassi.
Mercado ganha escala e atrai investidores
O crescimento do volume de ativos inadimplidos nos últimos anos criou escala suficiente para atrair investidores institucionais e fundos especializados. Paralelamente, a evolução de instrumentos contratuais como SCP’s e os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) ampliou as possibilidades de estruturação dessas operações.
Na avaliação de Felipe Rassi, o avanço regulatório e a maior previsibilidade jurídica contribuíram para a consolidação do mercado. “Com estruturas mais claras de cessão, garantias e execução, o crédito estressado passou a ser analisado como ativo com potencial de recuperação, e não apenas como perda”, diz.
Esse movimento também estimulou a profissionalização da recuperação de ativos, que deixou de ser associada apenas à cobrança e passou a envolver diagnóstico financeiro, análise de garantias e estratégias de reestruturação.
De passivo contábil a ativo estratégico
No modelo tradicional, carteiras inadimplidas eram majoritariamente provisionadas pelas instituições financeiras. Com o desenvolvimento do mercado secundário, esses créditos passaram a ser negociados com deságio relevante, permitindo a entrada de operadores especializados.
Entre as principais estratégias utilizadas no setor estão a reestruturação de dívidas, a execução de garantias reais e a negociação extrajudicial orientada à recuperação econômica do ativo. A lógica envolve transformar créditos de difícil recebimento em ativos com potencial de retorno ajustado ao risco.
Segundo Rassi, a correta avaliação jurídica das garantias e do histórico do devedor é determinante para a viabilidade da operação. “A geração de valor no NPL depende essencialmente da qualidade da análise estrutural do ativo”, afirma.
Recuperação de ativos ganha papel econômico
Especialistas apontam que a expansão do mercado de créditos estressados tem impacto na própria dinâmica do sistema financeiro. A possibilidade de alienação de carteiras inadimplidas melhora a gestão de risco das instituições e libera capital para novas operações de crédito.
A atuação técnica na recuperação também tende a reduzir litígios prolongados e ampliar soluções negociadas. “Quando há estratégia estruturada de recuperação, o crédito deixa de ser apenas um problema judicial e passa a ser instrumento de reorganização financeira”, avalia Felipe Rassi.
Tendência de continuidade
A expectativa de agentes do setor é de continuidade da expansão do mercado brasileiro de NPL, acompanhando tendências observadas em economias maduras. O aumento da sofisticação das operações e o interesse crescente de investidores indicam consolidação gradual do segmento.
Para Rassi, o avanço dependerá principalmente da evolução das estruturas jurídicas e da governança das operações. “O crescimento sustentável do mercado de créditos estressados está diretamente ligado à segurança estrutural e à previsibilidade jurídica das transações”, afirma.
Além disso, o avanço da inadimplência no país ampliou o volume de créditos estressados disponíveis no mercado, criando um ambiente mais propício para operações de aquisição e recuperação desses ativos. Esse cenário tem atraído investidores interessados no potencial de retorno ajustado ao risco. Para Felipe Rassi, o aumento dos NPL deve ser compreendido não apenas como reflexo de fragilidade econômica, mas também como fator de expansão de um mercado secundário cada vez mais estruturado. “O crescimento da inadimplência amplia a oferta de ativos e exige maior sofisticação na recuperação”, afirma. A tendência é de que o setor continue se expandindo à medida que o ciclo de crédito e inadimplência evolui no país.
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