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Goiás amplia incentivos à industrialização da cadeia mineral
Visita a mineradora Mosaic, em Catalão. Foto: Cristóvão Matos.

Goiás amplia incentivos à industrialização da cadeia mineral

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 3 de fevereiro de 2026

Decreto publicado em janeiro integra o setor aos incentivos fiscais do Estado e posiciona Goiás na agenda global de minerais estratégicos e da transição energética.

Por Ricardo Lima

O Governo de Goiás deu um passo decisivo para fortalecer sua posição na nova economia global ao incluir oficialmente o setor extrativista mineral no Programa de Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (ProGoiás). A medida foi formalizada com a publicação do Decreto nº 10.853, em 19 de janeiro de 2026, e amplia o acesso da mineração a incentivos fiscais vinculados à industrialização, inovação e sustentabilidade.

Com uma base mineral diversificada, que inclui cobre, níquel, fosfato, nióbio e terras raras, o Estado busca ir além da extração e transformar seu potencial geológico em valor econômico, com geração de empregos qualificados, incorporação de tecnologia e retenção de renda no território goiano.

A decisão de incluir a mineração no ProGoiás se insere em um contexto estratégico para o país, marcado pela crescente relevância dos minerais críticos para a transição energética. Em Goiás, a política pública busca estruturar uma cadeia mineral mais integrada, capaz de gerar valor local e se conectar ao projeto nacional de neoindustrialização.

Incentivos e exigências do programa

Segundo o secretário de Indústria e Comércio, Joel de San’Anna Braga Filho, o acesso aos incentivos está condicionado a contrapartidas claras, que assegurem retorno econômico e produtivo para Goiás.

“As empresas precisam atender a critérios que garantam impacto real na economia goiana. Os projetos devem aproveitar a cadeia produtiva já existente no Estado, promover o processamento ou o aproveitamento integral, ou ao menos significativo, da matéria-prima, preferencialmente local”, afirma.

Retrato de Joel de Sant'anna Braga Filho, secretário de Indústria e Comércio de Goiás, sorrindo em um escritório com uma bandeira de Goiás ao fundo.
Secretário Joel de Sant’anna Braga afirma que a inclusão reduz custos e aumenta competitividade das empresas no Estado. Foto: Governo de Goiás / Divulgação.

Além da integração produtiva, o decreto também estimula práticas sustentáveis, incluindo o uso de subprodutos da industrialização e, quando aplicável, o reaproveitamento de resíduos industriais. Outro pilar do novo enquadramento da mineração no ProGoiás é a exigência de investimento produtivo, com foco na implantação de novas unidades, ampliação de estabelecimentos existentes ou revitalização de empreendimentos paralisados, conforme as regras já previstas no Decreto nº 9.724/2020.

O setor mineral passa a ter acesso ao crédito outorgado de ICMS, aplicado sobre o saldo positivo entre débitos e créditos do imposto nas operações com produtos industrializados. Os percentuais podem chegar a 67% em municípios prioritários, para empresas do Simples Nacional ou para aquelas que optarem por metas de arrecadação. Para os demais casos, o benefício cresce de forma progressiva ao longo do tempo de permanência no programa.

Na prática, isso reduz custos e aumenta a competitividade das empresas que industrializam no estado”, afirma o secretário.

Setor aponta ganhos de competitividade com o ProGoiás

Para o setor produtivo, a medida representa um avanço relevante diante dos desafios estruturais da mineração, especialmente no Centro-Oeste. Para o presidente do Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás e Distrito Federal (MINDE), Luiz Antônio Vessani, a iniciativa dialoga com um momento mais amplo de transformação do setor.

A inclusão da mineração no ProGoiás tem, sim, uma sinergia clara com esse momento de evolução. Agora, será fundamental uma regulamentação efetiva, que permita transformar esse potencial em resultados concretos para o setor e para o desenvolvimento do Estado”, destaca o presidente do Minde.

Luiz Antônio Vessani, presidente do Sindicato da Indústria da Mineração (MINDE), de terno e óculos, apontando para um grande mapa geológico de Goiás fixado na parede.
Para Vessani, os instrumentos ajudam a compensar custos estruturais elevados da atividade mineral na região Centro-Oeste. Foto: Cristiano Borges.

Segundo Vessani, a mineração ainda enfrenta entraves estruturais e custos elevados em Goiás, com destaque para a logística.

“O custo de transporte pesa muito. Ao reduzir parte dessa carga por meio de incentivos, o ProGoiás permite que o produto mineral goiano chegue ao mercado em condições mais competitivas”, diz. Vessani argumenta que o programa amplia a viabilidade econômica dos empreendimentos minerais em Goiás.

Iniciativa aposta na agregação de valor à produção mineral

Mais do que apoiar a atividade extrativa, o ProGoiás tem como eixo central a industrialização. Ao incluir a mineração no programa, o Estado fortalece cadeias industriais já existentes que dependem de insumos minerais e cria condições para viabilizar novas etapas produtivas que hoje não se instalam em Goiás pela ausência de oferta local de matéria-prima.

A inclusão da mineração no ProGoiás não apenas estimula o setor mineral em si, mas contribui para estruturar uma cadeia produtiva mais completa, com maior valor agregado e desenvolvimento industrial regional”, ressalta Vessani.

Ele cita a bauxita como exemplo do potencial transformador da política. “A inserção da bauxita na cadeia industrial goiana abre espaço para novas indústrias a partir do processamento mineral, agregando valor ao produto e criando novas oportunidades econômicas.

Terras raras projetam Goiás na cadeia global de minerais críticos

O novo marco regulatório ganha ainda mais relevância com a presença de depósitos de terras raras em Goiás, elemento-chave para tecnologias ligadas à transição energética e à indústria de alta tecnologia. A expectativa do governo e do setor é de ampliação e formalização da atividade mineral, com atração de novos investimentos e indústrias.

Com o Decreto nº 10.853/2026, Goiás consolida sua política mineral e reforça a estratégia de transformar riqueza geológica em desenvolvimento econômico, emprego e renda, posicionando o Estado como protagonista em um dos setores mais estratégicos da economia global contemporânea.

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