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Fotos que Nunca Serão Postadas

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de janeiro de 2026

Instituto ViaFoto inaugura dia 5 de fevereiro exposição inédita que devolve à fotografia sua liberdade original

— sem celulares, sem registros e com escolha individual do olhar

SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2026 /PRNewswire/ — O Instituto ViaFoto abre sua temporada de 2026 com uma das exposições mais provocadoras já realizadas no Brasil. ‘Fotos que Nunca Serão Postadas’ reúne obras de 35 fotógrafos contemporâneos em uma mostra que investiga os limites da circulação da imagem na sociedade atual — atravessada por algoritmos, filtros morais imediatos e formas explícitas ou difusas de censura. Em meio à superexposição visual e à vigilância algorítmica, a exposição propõe uma pausa no consumo automático de imagens e recoloca o ato de ver como uma escolha consciente, ética e pessoal.

Divulgação

Hoje, a fotografia é uma das linguagens artísticas mais filtradas da contemporaneidade. Não apenas por censuras explícitas, mas por um conjunto difuso de forças — algoritmos, códigos morais imediatos, políticas institucionais e sistemas automatizados de controle — que determinam o que pode ou não circular. Se antes a imagem era interditada por órgãos oficiais, hoje ela é frequentemente bloqueada por critérios opacos, sem mediação humana e sem possibilidade de contestação. Nesse contexto, Fotos que Nunca Serão Postadas cria um espaço protegido onde a fotografia pode existir fora desses filtros — não como provocação gratuita, mas como exercício de liberdade.

A curiosidade humana é o motor silencioso da exposição. O projeto reafirma a fotografia como linguagem universal, acessível e plural. Nenhum visitante vê a mesma exposição da mesma forma. Se há 35 obras, há 35 experiências possíveis — que se multiplicam a cada novo olhar. A mostra parte do princípio de que ver não é um gesto neutro, mas um ato que envolve desejo, escolha e responsabilidade.

A experiência proposta é radicalmente individual e consciente. Nenhuma fotografia pode ser registrada pelo público. Ao entrar na sala expositiva, todos os celulares são guardados em escaninhos individuais, trancados com chave. O que se estabelece ali é um encontro direto entre visitante, imagem e tempo — sem telas, sem mediações tecnológicas e sem possibilidade de reprodução. A fotografia deixa de existir como circulação e retorna à sua condição essencial: presença.

Cada obra permanece protegida por uma cortina preta. Para vê-la, o visitante precisa realizar um gesto simples e simbólico: puxar uma cordinha e escolher olhar. Nada se revela de imediato. Nenhuma imagem está disponível ao olhar casual. A proteção cria um intervalo deliberado entre o desejo e a visão — um tempo de suspensão em que o ver deixa de ser imposto e passa a ser escolhido. Não há narrativa conduzida. Há apenas decisão.

A solução expográfica dialoga diretamente com trabalhos históricos de Antonio Manuel, que, nos anos 1980, passou a proteger suas obras com cortinas como forma de enfrentamento à censura. Ao fazê-lo, não escondia a imagem — devolvia ao público a responsabilidade do olhar. O gesto de revelar tornava-se um pacto silencioso entre obra e visitante. Ao resgatar essa referência, o ViaFoto atualiza uma estratégia artística que permanece urgente: criar condições para que a liberdade da imagem possa existir.

“É preocupante perceber que a fotografia, nascida tão livre quanto a pintura, tenha se tornado uma das linguagens mais cerceadas do nosso tempo”, afirma Marcello Dantas, curador da exposição. Para ele, a mostra propõe um deslocamento fundamental: “Estamos devolvendo à fotografia aquilo que ela vem perdendo progressivamente — tempo, presença e autonomia”.

A exposição não busca o choque nem o sensacionalismo. As 35 fotografias são, em sua maioria, poéticas, gráficas, sensíveis e sofisticadas. Elas deixam de circular não por violência explícita, mas por razões subjetivas: nudez artística, temas íntimos, simbolismos complexos ou contextos que simplesmente não se ajustam à lógica das plataformas digitais. Muitas imagens não desaparecem por proibição direta, mas por inadequação aos filtros invisíveis que hoje regulam a circulação do visível.

As imagens reunidas em Fotos que Nunca Serão Postadas tornam-se inacessíveis ao grande fluxo por três forças centrais que hoje moldam a circulação da imagem. A primeira é algorítmica: determinados temas, corpos, cores, símbolos ou contextos são barrados automaticamente por plataformas digitais, segundo critérios opacos e sem mediação humana. A segunda é social: tabus culturais e leituras morais simplificadoras classificam certas imagens como “inadequadas”, “excessivas” ou “incômodas demais” para circular. A terceira é institucional: razões políticas, regulatórias ou comportamentais fazem com que algumas obras simplesmente não encontrem espaço nos circuitos expositivos tradicionais. A maioria das fotografias é poética, gráfica, sensível e sofisticada — imagens que exigem tempo, silêncio e disponibilidade, qualidades cada vez mais raras no ambiente contemporâneo de consumo visual.

Ao lado de cada obra, o visitante encontra legendas e textos curatoriais detalhados, que contextualizam o trabalho sem antecipar sua visualidade. As fotos com temas sensíveis estão bem sinalizadas. “Não se trata de censura, mas de cuidado”, explica a co-curadora Luciana Brafman.

“Criamos um ambiente no qual cada visitante pode interpretar, sentir e decidir — respeitando seus próprios limites, sem interferência externa.”

Entre os artistas participantes está Miguel Rio Branco, que apresenta uma obra censurada tanto no Brasil quanto na China, jamais exibida em museus. Espaços independentes como o ViaFoto tornaram-se hoje essenciais para que determinados trabalhos possam existir plenamente, fora das restrições impostas por plataformas, instituições ou mercados.

A experiência é inteiramente analógica, silenciosa e irrepetível. Não é permitido fotografar, filmar ou registrar imagens dentro da sala expositiva. Não há imagens prévias, spoilers ou possibilidades de compartilhamento. O encontro com a obra acontece uma única vez, naquele instante. Se existe algo que só pode ser visto ali, sem registro e sem circulação, é exatamente ali que o desejo de ver se intensifica.

Fotos que Nunca Serão Postadas é um convite a repensar a relação contemporânea com a imagem — e com o próprio ato de olhar. Em um mundo saturado de imagens impostas, a exposição afirma algo raro e necessário: ver é um privilégio que começa pela decisão de olhar, de recusar, de permanecer ou de seguir adiante.

Fotógrafos – Lista dos 35 artistas participantes (ordem alfabética)

Artur Lescher * Ayrson Heráclito * Bárbara Paz * Berna Reale * Betina Samaia * Bob Wolfenson * Cássio Vasconcellos * Claudia Jaguaribe * Claudio Edinger * Dimitri Lee * Gabriel Chaim * Gabriel Wickbold * Giovanni Bianco * João Farkas * João Orleans e Bragança * Juliette Bayen * Kazuo Okubo * Maihara Marjorie * Marcelo Tas * Mariana Ximenes * Marcos Chaves * Miguel Rio Branco * Natallia Rodrigues * Nídia Aranha * Nuno Ramos * Oskar Metsavaht * Petra Costa * Raphael Escobar * Renata Bueno * Renata Casagrande * Sergio Coimbra * Tuca Reines * Victor Collor * Wagner Schwartz * Zeca Camargo

Sobre os curadores

Marcello Dantas é um dos principais curadores interdisciplinares da América Latina, com reconhecimento internacional por criar experiências que articulam arte, tecnologia e narrativa de forma sensorial e imersiva. Formado pela New York University, esteve à frente da concepção de instituições como o Museu da Língua Portuguesa, a Japan House e o Museu da Natureza, além de assinar exposições de artistas como Ai Weiwei, Anish Kapoor, Bill Viola, Jenny Holzer, Michelangelo Pistoletto e Tunga. Dirigiu o Pavilhão Brasileiro na Expo Xangai 2010, liderou o projeto vencedor da Expo Osaka 2025 e foi curador da Bienal do Mercosul (2022). Sua trajetória inclui ainda projetos autorais, grandes exposições internacionais e colaborações com algumas das mais relevantes instituições culturais do mundo. É o curador de Fotos que Nunca Serão Postadas.

Luciana Brafman é produtora audiovisual e ativista climática, com mais de duas décadas dedicadas à criação de narrativas de forte impacto cultural, social e ambiental. Fundadora da Time to Act, tem obras exibidas internacionalmente e acumula duas indicações ao Emmy. Seu documentário Seu Estilo, Seu Impacto recebeu o prêmio de Melhor Direção no Festival Internacional da Turquia. Desenvolveu projetos transmídia e instalações apresentados em contextos como a COP27 e a Galeria Pivô. Atua na interseção entre arte, cinema e sustentabilidade, é Embaixadora do LACMA e integra o conselho da Heal The Bay. Assina a co-curadoria da exposição.

Sobre o Instituto ViaFoto

O Instituto ViaFoto é o novo centro cultural de São Paulo dedicado exclusivamente à fotografia como linguagem artística, campo de pensamento e território de liberdade. Sua criação recoloca a fotografia no lugar de destaque que lhe cabe no debate e no centro da produção cultural do nosso tempo.

Instalado em um amplo galpão no Largo da Batata (Pinheiros), o ViaFoto se conecta diretamente ao território urbano da cidade de São Paulo, aproximando a fotografia contemporânea de novos públicos. Como Casa da Fotografia, o Instituto se estabelece como uma via aberta — um trajeto cultural vivo, em permanente movimento — onde a imagem circula, encontra e conecta. A partir de uma programação contínua, o ViaFoto atua como espaço expositivo, Centro de Conhecimento e local educativo, realizando mostras autorais, cursos, oficinas e encontros dedicados à arte contemporânea e à reflexão crítica sobre a imagem. Ao integrar exposição, formação e presença recorrente na cidade, fortalece a fotografia brasileira e amplia seus diálogos no contexto internacional. Somos um lugar para ver, pensar e reaprender a olhar. Aqui, a fotografia deixa de ser apenas registro e se transforma em ponte para conectar pessoas, territórios e gerações. www.institutoviafoto.com.br | @institutoviafoto

Serviço
Exposição: Fotos que Nunca Serão Postadas
Abertura ao público: 5 de fevereiro (quinta-feira)
Local: Instituto ViaFoto — Rua Fernão Dias, 640, Largo da Batata, Pinheiros, São Paulo
Entrada: gratuita
Curadoria: Marcello Dantas e Luciana Brafman
Informações: www.institutoviafoto.com.br | @institutoviafoto

Foto – https://mma.prnewswire.com/media/2873459/corredor_com_logo_expo_nova_2.jpg

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FONTE Instituto ViaFoto

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