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Rios Voadores: a corrente invisível que sustenta a matriz energética brasileira
Por Memória da Eletricidade

Rios Voadores: a corrente invisível que sustenta a matriz energética brasileira

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de janeiro de 2026

Fenômeno funciona como um tipo de bomba d’água natural, evaporando cerca de 20 bilhões de toneladas de vapor no ar diariamente 

Muito acima das copas das árvores da Amazônia, a cerca de três quilômetros de altura, correm rios que não aparecem em mapas, não têm margens visíveis e nem leitos de pedra, mas carregam volumes de água comparáveis, e às vezes até superiores, aos do rio Amazonas. Este fenômeno é conhecido como “rios voadores”. Formadas por vapor d’água, essas correntes atmosféricas conectam a floresta a todo país, ajudando a sustentar a matriz energética brasileira.

Esses rios invisíveis são fruto do encontro entre o oceano, os ventos e a floresta. A umidade que evapora do oceano Atlântico chega à Amazônia trazida pelos ventos alísios e cai em chuva. A floresta entra em ação ao absorver essa água e devolver à atmosfera por meio da evapotranspiração. Juntas, as árvores funcionam como uma gigantesca bomba d’água natural, evaporando cerca de 20 bilhões de toneladas de vapor no ar diariamente. Por meio desse processo contínuo, o ar úmido se mantém em movimento e forma corredores de umidade que atravessam o continente.

Ao avançarem para o oeste, esses rios aéreos encontram a barreira da Cordilheira dos Andes e mudam de rota, seguindo para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do Brasil, além de países vizinhos. Quando encontram frentes frias ou apenas condições meteorológicas favoráveis, caem em chuva. Assim, a Amazônia é capaz de fornecer água para regiões distantes, irrigando lavouras, enchendo reservatórios, alimentando rios e garantindo abastecimento para cidades inteiras.

Essa dinâmica faz dos rios voadores um pilar da economia e da vida cotidiana da região. Eles influenciam o regime de chuvas das áreas que concentram a maior parte da produção agropecuária e da geração de energia do Brasil. O país, não por acaso, depende da regularidade das chuvas para operar suas hidrelétricas, responsáveis por cerca de 60% da eletricidade brasileira. Com rios voadores fortalecidos, os reservatórios de água se mantêm cheios e a energia limpa flui. Quando enfraquecem, o sistema inteiro sente.

Os impactos do desmatamento já mostram como essa engrenagem é delicada. A retirada da cobertura florestal reduz a evapotranspiração e interrompe a formação dos rios voadores, diminuindo o volume de água que chega às bacias hidrográficas.

1Imagem 2 O caminho dos rios voadores | Fonte: Projeto Rios Voadores
1Imagem 2 O caminho dos rios voadores | Fonte: Projeto Rios Voadores

Estudos recentes indicam que, apenas entre as 20 maiores hidrelétricas a fio d’água do país, as perdas potenciais podem chegar a 8,6 mil  GWh  por ano, energia suficiente para abastecer mais de 10 milhões de pessoas. Isso faz com que seja necessário entrar em cena as termelétricas, que são mais caras e mais poluentes, pressionando tarifas e aumentando as emissões de gases de efeito estufa.

Desafios na conservação dos rios voadores da Amazônia 

Os desafios vão além da conservação ambiental. O desmatamento ameaça à segurança energética, a competitividade econômica e a posição estratégica do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono. Com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o país tem uma vantagem preciosa no cenário global. Atingir o bom funcionamento dos rios voadores significa também colocar essa vantagem em risco.

Não basta apenas preservar a Amazônia, é preciso restaurar o que já foi devastado e destruído, recuperando áreas degradadas e valorizando quem protege a floresta: os povos indígenas e as comunidades tradicionais. Os pagamentos por serviços ambientais, projetos de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) e programas de restauração florestal são algumas das iniciativas que deixam claro que manter a floresta em pé deve ser encarado como um investimento e não um custo.

Os rios voadores costuram o Brasil em um sistema interligado. A chuva que cai sobre uma usina no Sudeste pode ter começado em uma árvore lá no meio da floresta amazônica. Cuidar dessa corrente invisível é garantir eletricidade nas casas, estabilidade na economia e um futuro energético mais seguro. Manter o país em movimento depende da floresta em pé.

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