Sexualidade deve fazer parte integral do cuidado oncológico

Abordagens modernas e equipe integrada auxiliam homens e mulheres a seguirem com desejo, vínculo e qualidade de vida

9 de novembro de 2025

Sexualidade deve fazer parte integral do cuidado oncológico

O tema da sexualidade ainda não recebe a devida atenção quando o assunto são os impactos do câncer, mas precisa ser considerado parte do cuidado integral. É o que diz a Dra. Andrea Gadelha, ginecologista e vice-líder do Centro de Referência de Tumores Ginecológicos do A.C.Camargo Cancer Center.

“O paciente não é só um corpo a ser tratado do câncer, ele também tem desejo, vínculos e projetos de vida”, afirma a especialista.

Há evidências de que mais da metade dos pacientes oncológicos terá algum grau de disfunção sexual após o tratamento — um impacto que, se reconhecido cedo, pode ser manejado com orientações, terapias e reabilitação. A pauta envolve homens e mulheres, e toca autoestima, relacionamento e qualidade de vida.

No caso das mulheres, somados à menopausa precoce induzida pelo tratamento, outros fatores reduzem o desejo sexual e podem causar dor nas relações.

“A cirurgia, a perda de cabelo na quimioterapia, cicatrizes e possíveis assimetrias mexem com a autoimagem”, observa a mastologista e líder do Centro de Tumores de Mama também do Cancer Center, Dra. Fabiana Makdissi. “Em um país tropical, a exposição do corpo pesa.”

A especialista ressalta que, no caso do câncer de mama, a reposição hormonal é contraindicada, ao contrário de outros tumores, em que pode ser considerada conforme o risco-benefício. “Temos outras estratégias seguras: fisioterapia pélvica, lubrificantes adequados e apoio psicológico, que resgata confiança e diminui ansiedades”, explica.

Já em relação aos homens, no câncer de próstata, os efeitos sobre a função sexual são conhecidos, mas pouco discutidos.

“Além da cirurgia, os homens que farão quimioterapia e demais tratamentos para câncer de próstata e outros tipos de câncer devem consultar um médico sobre preservação de fertilidade”, afirma o urologista e líder do Centro de Tumores Urológicos do A.C.Camargo, Dr. Stênio Zéqui.

Após a prostatectomia, a função erétil pode levar até dois anos para se recuperar. Para que esse período não signifique a interrupção da vida sexual, existem recursos de apoio à reabilitação, aplicados de forma progressiva: comprimidos, injeções intracavernosas e, em casos indicados, prótese peniana.

“Após a cirurgia, o orgasmo permanece, mas a ejaculação desaparece; por isso, homens com desejo reprodutivo devem discutir a preservação de sêmen antes do procedimento”, acrescenta.

A reabilitação sexual só avança com integração entre especialidades. A atuação conjunta de urologistas, mastologistas, ginecologistas, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas sexuais ajuda a reduzir efeitos físicos e a acolher os impactos emocionais e sociais do tratamento.

Apesar disso, o tema ainda é pouco abordado. Muitas vezes, é transferido de um especialista para outro e não recebe atenção estruturada, deixando parte dos pacientes desassistida em uma dimensão essencial da vida.

Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio, com patrocínio de A.C.Camargo Cancer Center.