{"id":82012,"date":"2023-12-04T12:34:00","date_gmt":"2023-12-04T15:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/nao-consigo-olhar-o-empreendedorismo-se-nao-for-social-diz-ceo-da-ong-incanto\/"},"modified":"2023-12-04T12:34:00","modified_gmt":"2023-12-04T15:34:00","slug":"nao-consigo-olhar-o-empreendedorismo-se-nao-for-social-diz-ceo-da-ong-incanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/nao-consigo-olhar-o-empreendedorismo-se-nao-for-social-diz-ceo-da-ong-incanto\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o consigo olhar o empreendedorismo se n\u00e3o for social&#8217;, diz CEO da ONG Incanto"},"content":{"rendered":"<p><b>Jayanne Rodrigues<\/b><\/p>\n<p>Foram muitos os passos que Camila Casagrande teve de dar at\u00e9 se tornar uma empreendedora. Dos primeiros contatos com a dan\u00e7a, aos 15 anos, no col\u00e9gio p\u00fablico em que estudava, coreografou todos os caminhos que levaram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Instituto de Cultura, Arte e Novas Tecnologias (Incanto). A ONG, que tem o apoio do Grupo Botic\u00e1rio, oferece aulas regulares em diferentes vertentes art\u00edsticas e culturais para crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Desde 2017, a Incanto busca na arte a chave para a transforma\u00e7\u00e3o de vidas. Mas, para garantir o sucesso da iniciativa, Camila mudou a maneira como encara a filantropia, agora como um neg\u00f3cio. \u0093Essas organiza\u00e7\u00f5es podem, sim, gerar recursos, desde que sejam reinvestidos no projeto\u0094, explica, em entrevista ao <b>Estad\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<p>Ela foi uma das participantes do Empreendedoras no Corre, evento que celebra o protagonismo da mulher no mundo dos neg\u00f3cios. O encontro, organizado pelo Estad\u00e3o com patroc\u00ednio do Grupo Botic\u00e1rio e Dorflex, reuniu mulheres inspiradoras no Instituto Tomie Ohtake, em S\u00e3o Paulo. Veja a \u00edntegra no v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=18m8N_5uLBg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>aqui<\/u><\/a>.<\/p>\n<p><b>Confira trechos da entrevista:<\/p>\n<p>Como surgiu a ideia do Incanto?<\/b><\/p>\n<p>O Incanto surge em 2017, mas o trabalho social em si come\u00e7ou muito tempo atr\u00e1s. Com 15 anos, tive uma primeira experi\u00eancia art\u00edstica na escola p\u00fablica em que estudava e, a partir da\u00ed, entendi que precisava fazer alguma coisa pela sociedade. Eu achava muito esquisito s\u00f3 ter tido acesso \u00e0 arte aos 15 anos. Ent\u00e3o, comecei a dar aula de dan\u00e7a no p\u00e1tio de uma escola p\u00fablica na comunidade, em Curitiba. Depois de quase 10 anos, fiz o convite para os alunos se tornarem professores. \u00c9 neste momento que o Incanto surge como ONG &#8211; a partir de uma metodologia de gest\u00e3o (de volunt\u00e1rios).<\/p>\n<p><b>Como o empreendedorismo social pode transformar a vida de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade?<\/b><\/p>\n<p>O empreendedorismo social \u00e9 fundamental. N\u00e3o consigo mais olhar o empreendedorismo se n\u00e3o for social. A nossa sociedade est\u00e1 cada vez mais se moldando para que as empresas olhem para o impacto que est\u00e3o deixando. Ent\u00e3o, \u00e9 fundamental que qualquer neg\u00f3cio tenha um olhar para o impacto de transforma\u00e7\u00e3o na sociedade. Visualizamos um resultado muito positivo de transforma\u00e7\u00e3o a longo prazo efetivamente na ponta. Temos mais de 1 mil crian\u00e7as atendidas toda semana, mais de 1 mil pessoas qualificadas nos cursos. Esse n\u00famero \u00e9 muito representativo porque mostra, em dados, quantas vidas estamos conseguindo alcan\u00e7ar. Acreditamos que, com iniciativas como o Incanto, podemos dar um pouco mais dignidade, promover uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento e fazer com que essas pessoas entendam que podem ser o que quiserem na vida.<\/p>\n<p><b>Como a filosofia do empreendedorismo social pode ser colocada em pr\u00e1tica?<\/b><\/p>\n<p>Acreditamos que os empreendedores olhem para o tamanho do neg\u00f3cio que eles t\u00eam e entendam quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es, mesmo que pequenas, que podem mudar no dia a dia para que tenham impacto social. Estamos falando do social, mas tem tamb\u00e9m o ambiental, a pauta do ESG (governan\u00e7a ambiental, social e corporativa) est\u00e1 muito em alta. Ent\u00e3o, \u00e9 olhar para esse modelo de sustentabilidade a longo prazo &#8211; e o social se inclui nisso &#8211; e entender quais s\u00e3o as microa\u00e7\u00f5es que eles podem fazer. Por exemplo, um empreendedor tem um produto. Quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es que ele pode fazer de log\u00edstica reversa, de doa\u00e7\u00f5es de res\u00edduos, contrata\u00e7\u00e3o de pessoal para manipular esse material? Quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es que um restaurante pode fazer para incentivar a agricultura familiar ou os pequenos agricultores? \u00c9 entender como os stakeholders de um neg\u00f3cio podem gerar impacto na ponta para a sociedade.<\/p>\n<p><b>Qual o papel da inova\u00e7\u00e3o no empreendedorismo social?<\/b><\/p>\n<p>Houve uma evolu\u00e7\u00e3o no papel das organiza\u00e7\u00f5es sociais aqui no Brasil muito significativo nos \u00faltimos anos. Estamos saindo de um cen\u00e1rio de filantropia, que est\u00e1 sempre pedindo, dependente das a\u00e7\u00f5es, e partindo para um lugar em que essas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o um neg\u00f3cio. Podem, sim, gerar recursos, desde que sejam reinvestidos no projeto. Ent\u00e3o, ela tem fins lucrativos, mudando um pouco essa perspectiva. A pauta do empreendedorismo \u00e9 extremamente importante para ajudar a organiza\u00e7\u00e3o social como atrair o segundo setor. N\u00e3o d\u00e1 para fazer transforma\u00e7\u00e3o social sozinho. N\u00e3o d\u00e1 para ocupar s\u00f3 o primeiro ou o segundo setores. Hoje, o Incanto se coloca como uma ponte para as empresas que t\u00eam estrat\u00e9gias do ESG, porque n\u00f3s estamos ali na ponta, temos expertise da favela. \u00c9 trazer essa empresa para perto como responsabilidade dela tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><b>Na sua vis\u00e3o, qual \u00e9 o futuro do empreendedorismo social no Brasil?<\/b><\/p>\n<p>Cada vez mais organiza\u00e7\u00f5es do terceiro setor v\u00e3o entrar no modelo corporativo e de impacto de resultados. Organiza\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas que n\u00e3o adotarem gest\u00e3o, indicadores, metas, governan\u00e7a, transpar\u00eancia v\u00e3o acabar ficando para tr\u00e1s. Esse \u00e9 um caminho sem volta. Quanto mais organiza\u00e7\u00f5es conseguirem inovar, trazendo tecnologias sociais para dentro do seu neg\u00f3cio, mais resultados v\u00e3o conseguir gerar e mais sucesso v\u00e3o ter.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jayanne Rodrigues Foram muitos os passos que Camila Casagrande teve de dar at\u00e9 se tornar uma empreendedora. 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