{"id":63248,"date":"2023-01-27T16:10:00","date_gmt":"2023-01-27T19:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/2023\/01\/27\/censo-em-xeque-gera-crise-pblica-no-ibge\/"},"modified":"2023-01-27T16:10:00","modified_gmt":"2023-01-27T19:10:00","slug":"censo-em-xeque-gera-crise-pblica-no-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-geocracia\/censo-em-xeque-gera-crise-pblica-no-ibge\/","title":{"rendered":"Censo em xeque gera crise p&uacute;blica no IBGE"},"content":{"rendered":"<p><b> AGGEOCRACIA <\/b><\/p>\n<p><b>Geocracia ouviu t&eacute;cnicos e especialistas sobre pol&ecirc;mica no Censo 2022 que j&aacute; mobiliza v&aacute;rios ex-presidentes do Instituto.<\/b><\/p>\n<p>A comunidade estat&iacute;stica e geogr&aacute;fica brasileira vive uma semana de grande pol&ecirc;mica, depois que o ex-presidente do IBGE e hoje pesquisador associado do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas), Roberto Olinto, classificou o Censo de 2022 de uma &#8220;trag&eacute;dia absoluta&#8221;. Em entrevista &agrave; Folha de S. Paulo publicada na segunda-feira (23), ele criticou a contagem preliminar da popula&ccedil;&atilde;o divulgada e recomendou uma revis&atilde;o da pesquisa sem descartar a possibilidade de refazer tudo, o que significaria jogar no lixo R$ 2,3 bilh&otilde;es do or&ccedil;amento.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Geocracia ouviu t&eacute;cnicos e especialistas ligados ao IBGE a respeito da pol&ecirc;mica. Apurou que as cr&iacute;ticas de Olinto ao Censo ca&iacute;ram como uma bomba na casa, mas elas n&atilde;o s&atilde;o novas. Em outubro, comentando &agrave; Geocracia a decis&atilde;o de prorrogar a coleta at&eacute; dezembro (transformando um per&iacute;odo normal de dois meses de coleta censit&aacute;ria em cinco meses), ele j&aacute; demonstrava receio pela qualidade dos dados: &#8220;Sem um esfor&ccedil;o excepcional, os riscos s&atilde;o muito grandes&#8221;, afirmava.<\/p>\n<p>Na entrevista &agrave; Folha, Olinto usou um tom mais contundente: &#8220;Eu sinto vergonha disso&#8221;, disparou, acrescentando que o Censo &#8220;foi feito cheio de erros e gerando desconfian&ccedil;a [&#8230;]. Imputaram dados para quase 20% da popula&ccedil;&atilde;o. Imputar dado &eacute; voc&ecirc; dizer: eu n&atilde;o tenho dados para 20% da popula&ccedil;&atilde;o e vou usar um processo que normalmente se usa para 2%&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do ex-presidente, os dados preliminares s&atilde;o &#8220;coisas absolutamente inexplic&aacute;veis. No Rio de Janeiro, os munic&iacute;pios da regi&atilde;o metropolitana, todos ca&iacute;ram de popula&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a 2010. No Rio Grande do Sul, um n&uacute;mero enorme de munic&iacute;pios judicializou, porque n&atilde;o sabe se o Censo est&aacute; certo ou errado. Eu acho que est&aacute; errado&#8221;.<\/p>\n<p>Para complicar, horas antes da publica&ccedil;&atilde;o da entrevista, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu Argui&ccedil;&atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e determinou que a distribui&ccedil;&atilde;o do Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios (FPM) deste ano tenha como patamar m&iacute;nimo os coeficientes de distribui&ccedil;&atilde;o utilizados no exerc&iacute;cio de 2018. A decis&atilde;o, que ainda ser&aacute; avaliada pelo pleno do STF, suspende norma do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU) de dezembro &uacute;ltimo que determinava para fins de c&aacute;lculo do FPM a utiliza&ccedil;&atilde;o dos dados populacionais preliminares do Censo Demogr&aacute;fico de 2022, cuja coleta, quase sete meses depois, ainda n&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;da.<\/p>\n<p>A repercuss&atilde;o das declara&ccedil;&otilde;es de Olinto e da decis&atilde;o do STF foi grande, com uma nota oficial do IBGE defendendo a qualidade dos dados coletados e com posicionamentos de outros ex-presidentes do Instituto. A come&ccedil;ar por Eduardo Rios Neto, que comandou o Censo 2022 e deixou o cargo no in&iacute;cio deste m&ecirc;s. Em carta &agrave; Folha, nesta quarta-feira (25), ele defendeu o trabalho do Censo e disse que visitou &#8220;pessoalmente a presidente do STF, ministra Rosa Weber, para entregar uma carta que explicava as raz&otilde;es para a n&atilde;o conclus&atilde;o do Censo&#8221;.<\/p>\n<p>Para Luiz Ugeda, CEO da Ag&ecirc;ncia Geocracia, a crise em rela&ccedil;&atilde;o aos dados do Censo &eacute; muito prejudicial a um pa&iacute;s que precisa urgentemente de dados confi&aacute;veis: &#8220;O grande valor dos &oacute;rg&atilde;os estat&iacute;sticos, hoje, &eacute; o de combater fake data (dados falsos). O desafio do Brasil, neste momento em que o Censo 2022 &eacute; questionado, &eacute; que faremos a mudan&ccedil;a demogr&aacute;fica mais importante de nossa hist&oacute;ria, decorrente do r&aacute;pido envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o, praticamente no escuro, podendo gerar consequ&ecirc;ncias severas sobre o sistema previdenci&aacute;rio e as necessidades municipais&#8221;.<\/p>\n<p><b>FPM, uma `quest&atilde;o nevr&aacute;lgica&#8217;<\/b><\/p>\n<p>Os t&eacute;cnicos ouvidos pela Geocracia preferem ficar no anonimato, admitem um certo corporativismo na rea&ccedil;&atilde;o a Olinto, mas reconhecem que houve problemas no Censo: baixo or&ccedil;amento, pandemia, falta de publicidade para facilitar portas abertas aos t&eacute;cnicos do IBGE, elei&ccedil;&otilde;es, dificuldades para manter recenseadores durante a pesquisa e, al&eacute;m disso, a morte do ent&atilde;o diretor de Inform&aacute;tica e presidente da Comiss&atilde;o Operacional do Censo Demogr&aacute;fico David Wu Tai, em 2019: &#8220;Ele tinha uma enorme experi&ecirc;ncia na realiza&ccedil;&atilde;o de censos e sua partida por conta da covid deixou um grande vazio na gest&atilde;o da pesquisa&#8221;.<\/p>\n<p>Eles n&atilde;o concordam, no entanto, com o termo &#8220;trag&eacute;dia&#8221; e muito menos com a proposta de revis&atilde;o e descarte dos dados. Defendem que &#8220;a maioria dos munic&iacute;pios concluiu bem a coleta, faltando apenas algumas &aacute;reas em cidades grandes, e a qualidade dos dados est&aacute; boa&#8221;. E mencionam a Comiss&atilde;o Consultiva do Censo, que acredita haver qualidade estat&iacute;stica nos dados coletados para se fazer os ajustes necess&aacute;rios.<\/p>\n<p>Outras fontes ressaltam que essas cr&iacute;ticas e pol&ecirc;micas sempre surgem no an&uacute;ncio dos resultados do Censo por conta do c&aacute;lculo do FPM, que envolve a distribui&ccedil;&atilde;o de bilh&otilde;es de reais aos munic&iacute;pios. &#8220;Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios sempre foi uma quest&atilde;o nevr&aacute;lgica, porque pega no ponto-chave de distribui&ccedil;&atilde;o de dinheiro. Ningu&eacute;m quer aparecer no Censo com menos habitantes e perder recursos&#8221;, diz um dos t&eacute;cnicos ouvidos.<\/p>\n<p>Ex-presidente do IBGE entre 1994 e 1999, Simon Schwartzman concorda. Em artigo nesta quinta em O Globo, ele diz que a decis&atilde;o do Supremo &eacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o no Brasil. &#8220;J&aacute; tive esse problema 20 anos atr&aacute;s. Essas discuss&otilde;es s&atilde;o muito politizadas&#8221;, afirma, defendendo uma avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica da pesquisa pela Comiss&atilde;o Consultiva do Censo: &#8220;Sei que o Censo est&aacute; demorando, que h&aacute; dificuldade de pagamento, de contrata&ccedil;&atilde;o, mas h&aacute; a comiss&atilde;o que, em geral, &eacute; formada pelos principais dem&oacute;grafos do pa&iacute;s. Ela faz uma avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, para que se chegue a um consenso de at&eacute; onde os dados v&atilde;o e quais as estimativas que t&ecirc;m de ser feitas&#8221;.<\/p>\n<p><b>Seis presidentes desde o &uacute;ltimo Censo<\/b><\/p>\n<p>Na mesma reportagem de O Globo, que tamb&eacute;m ouviu S&eacute;rgio Besserman (presidente entre 1999 e 2003), Wasm&aacute;lia Bivar, presidente do IBGE entre 2011 e 2016, concorda que o Censo 2022 teve problemas, at&eacute; por perdas geracionais e pouca consulta a t&eacute;cnicos alijados do processo decis&oacute;rio: &#8220;Foram fazendo do jeito que achavam que deviam fazer. Isso foi uma falha bastante significativa. Agora, uma opera&ccedil;&atilde;o deste tamanho n&atilde;o se joga fora, n&atilde;o existe. Mesmo que tenha problemas, existem maneiras para trabalhar com os dados. Na pior das hip&oacute;teses, teremos uma amostra enorme que vai trazer resultados para o Brasil&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Mas o que chama a aten&ccedil;&atilde;o no caso do IBGE &eacute;, primeiro, a rotatividade do cargo de presidente do &oacute;rg&atilde;o. Desde 2010, quando se realizou o &uacute;ltimo Censo, o Instituto teve seis presidentes (Eduardo Nunes, 2003-11; Wasm&aacute;lia, 2011-16; Paulo Rabelo de Castro, 2016-17; Roberto Olinto, 2017-18; Suzana Guerra, 2019-21, e Eduardo Rios Neto, 2021-23), uma m&eacute;dia de um a cada dois anos, e se prepara para empossar o s&eacute;timo, que deve ser nomeado em breve pela ministra Simone Tebet. E, segundo, a quantidade de ex-presidentes dispostos a opinar publicamente sobre os problemas e desafios da casa  &#8212;  um sinal, para alguns, do enfraquecimento cada vez maior do Instituto. &#8220;H&aacute; d&eacute;cadas, todo mundo interfere no IBGE, e essa quest&atilde;o da Geografia sempre foi problem&aacute;tica, com conflitos envolvendo outros &oacute;rg&atilde;os&#8221;, afirma uma t&eacute;cnica aposentada do Instituto, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o cont&iacute;nuo esvaziamento pol&iacute;tico da figura do presidente do &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p>&#8220;Toda essa crise evidencia algo cada vez mais claro. &Eacute; urgente que o IBGE recupere o status de autarquia perdido em 1967, tenha seu pr&oacute;prio or&ccedil;amento e seja elevado ao status de ag&ecirc;ncia de geoinforma&ccedil;&atilde;o, at&eacute; para cumprir o que reza o artigo 21, inciso XV, da Constitui&ccedil;&atilde;o, que confere ao Estado a compet&ecirc;ncia para organizar e manter, em &acirc;mbito nacional, os servi&ccedil;os oficiais de geografia, geologia e cartografia. Isso est&aacute; por ser regulamentado h&aacute; mais de 30 anos, as geotecnologias est&atilde;o revolucionando o mundo e o Brasil est&aacute; ficando para tr&aacute;s&#8221;, diz Luiz Ugeda, CEO da Ag&ecirc;ncia Geocracia.<\/p>\n<p>Foto: Carlos Vieira<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> nao e(sao) responsavel(is) por erros, incorrecoes, atrasos ou quaisquer decisoes tomadas por seus clientes com base nos Conteudos ora disponibilizados, bem como tais Conteudos nao representam a opiniao da <b>OESP<\/b> e sao de inteira responsabilidade da <b>Geodireito &#8211; Solucoes Empresariais em Planejamento e Regulacao<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"AGGEOCRACIA Geocracia ouviu t&eacute;cnicos e especialistas sobre pol&ecirc;mica no Censo 2022 que j&aacute; mobiliza v&aacute;rios ex-presidentes do Instituto. 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