{"id":144998,"date":"2026-11-04T17:30:00","date_gmt":"2026-11-04T20:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/marco-orsini-reflete-sobre-amor-paternidade-e-finitude-a-luz-da-neurociencia\/"},"modified":"2026-11-04T17:30:00","modified_gmt":"2026-11-04T20:30:00","slug":"marco-orsini-reflete-sobre-amor-paternidade-e-finitude-a-luz-da-neurociencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/marco-orsini-reflete-sobre-amor-paternidade-e-finitude-a-luz-da-neurociencia\/","title":{"rendered":"Marco Orsini reflete sobre amor, paternidade e finitude \u00e0 luz da neuroci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos ultrapassa os la\u00e7os biol\u00f3gicos e representa uma das experi\u00eancias mais profundas da exist\u00eancia humana. Em uma reflex\u00e3o dedicada aos filhos Jo\u00e3o Orsini e Bento Orsini, Marco Orsini (CRM-RJ 978027) estabelece conex\u00f5es entre a neuroci\u00eancia, a filosofia e a paternidade para abordar o amor, a consci\u00eancia e a finitude. A partir de suas experi\u00eancias pessoais, o autor analisa como os v\u00ednculos afetivos participam da constru\u00e7\u00e3o da identidade, da mem\u00f3ria e da maneira como cada indiv\u00edduo compreende a vida, ressaltando a import\u00e2ncia da reciprocidade, do respeito e da valoriza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o surgiu de uma pergunta aparentemente simples, mas carregada de significado: qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o amor, a consci\u00eancia e a finitude? Para Orsini, compreender essa conex\u00e3o exige reconhecer que as rela\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o s\u00e3o acontecimentos secund\u00e1rios, mas elementos fundamentais da forma\u00e7\u00e3o emocional. A neuroci\u00eancia oferece contribui\u00e7\u00f5es importantes para esse entendimento, uma vez que estudos sobre a parentalidade indicam que a experi\u00eancia de cuidar dos filhos pode estar associada a modifica\u00e7\u00f5es em circuitos cerebrais relacionados ao apego, \u00e0 empatia, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 recompensa.<\/p>\n<p>Entre as estruturas envolvidas nesse processo, destaca-se o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, associado ao planejamento, \u00e0 tomada de decis\u00f5es, ao controle dos impulsos e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o emocional. Em intera\u00e7\u00e3o com o sistema l\u00edmbico, essas regi\u00f5es participam do processamento das emo\u00e7\u00f5es e da capacidade de avaliar consequ\u00eancias, reconhecer sentimentos e compreender diferentes perspectivas. Para o autor, esse conhecimento ultrapassa o campo cient\u00edfico e encontra aplica\u00e7\u00e3o direta na conviv\u00eancia familiar, especialmente quando se considera que amadurecer significa desenvolver a capacidade de reconhecer as necessidades e vulnerabilidades do outro.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez amadurecer seja justamente isso: deixar de reagir apenas aos pr\u00f3prios desejos e desenvolver a capacidade de reconhecer que outras pessoas tamb\u00e9m possuem sentimentos, necessidades e vulnerabilidades. Intelig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas raciocinar bem; \u00e9 utilizar a raz\u00e3o com consci\u00eancia, empatia e responsabilidade afetiva&#8221;, reflete.<\/p>\n<p>Ao abordar as diferentes formas de exercer a paternidade, Orsini reconhece a exist\u00eancia de pais presentes, emocionalmente distantes, daqueles que enfrentam dificuldades para demonstrar sentimentos e tamb\u00e9m dos que desejam receber manifesta\u00e7\u00f5es simples de carinho, como um &#8220;bom dia&#8221; ou um espont\u00e2neo &#8220;eu te amo&#8221;. H\u00e1 ainda aqueles que reduzem a rela\u00e7\u00e3o com os filhos a encontros ocasionais, responsabilidades materiais ou demonstra\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas de aten\u00e7\u00e3o, sem compreender plenamente a dimens\u00e3o afetiva dessa responsabilidade. Para ele, a paternidade n\u00e3o se encerra na fecunda\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento embrion\u00e1rio ou no nascimento, mas se prolonga no cuidado, na presen\u00e7a e na constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias compartilhadas.<\/p>\n<p>Entretanto, o autor chama aten\u00e7\u00e3o para uma dimens\u00e3o frequentemente esquecida: antes de serem pais, esses indiv\u00edduos s\u00e3o homens com hist\u00f3rias, fragilidades, necessidades emocionais e limita\u00e7\u00f5es. A figura paterna, muitas vezes associada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 estabilidade, tamb\u00e9m enfrenta inseguran\u00e7as, envelhece e necessita de acolhimento. &#8220;Antes de sermos pais, somos homens. Temos fragilidades, precisamos de afeto, envelhecemos e tamb\u00e9m estamos sujeitos \u00e0 finitude. A figura paterna n\u00e3o \u00e9 uma entidade invulner\u00e1vel, mas algu\u00e9m que tamb\u00e9m precisa ser percebido e acolhido&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma mudan\u00e7a na maneira de compreender os v\u00ednculos familiares. Embora a responsabilidade pelo cuidado e pela forma\u00e7\u00e3o dos filhos perten\u00e7a aos pais, o amadurecimento das rela\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m envolve o desenvolvimento gradual da reciprocidade e do reconhecimento da humanidade de cada integrante da fam\u00edlia. Nesse contexto, Orsini menciona a habitua\u00e7\u00e3o, fen\u00f4meno estudado pela neuroci\u00eancia e pela psicologia que descreve a redu\u00e7\u00e3o de determinadas respostas diante da exposi\u00e7\u00e3o repetida a um est\u00edmulo. Ao estabelecer uma analogia com as rela\u00e7\u00f5es humanas, sugere que a conviv\u00eancia cotidiana pode levar as pessoas a considerar determinadas presen\u00e7as como garantidas, diminuindo a aten\u00e7\u00e3o dedicada aos pequenos gestos de carinho.<\/p>\n<p>A familiaridade, contudo, n\u00e3o significa perman\u00eancia. Pais envelhecem, filhos crescem, rotinas se transformam e oportunidades de conviv\u00eancia deixam de existir. Essa percep\u00e7\u00e3o encontra di\u00e1logo com o pensamento do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Martin Heidegger, especialmente em sua abordagem sobre a finitude humana, e com as reflex\u00f5es de S\u00eaneca, fil\u00f3sofo estoico romano que destacou a import\u00e2ncia de reconhecer o valor do tempo. A neuroci\u00eancia acrescenta outra dimens\u00e3o ao debate ao demonstrar que experi\u00eancias emocionalmente significativas contribuem para a forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria autobiogr\u00e1fica e da identidade, influenciando aquilo que preservamos de nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Somos tamb\u00e9m aquilo que aprendemos a sentir, reconhecer e preservar em nossas rela\u00e7\u00f5es&#8221;, observa Orsini, ao defender que o desenvolvimento intelectual precisa caminhar ao lado da consci\u00eancia emocional. Essa preocupa\u00e7\u00e3o ganha novos contornos diante das transforma\u00e7\u00f5es provocadas pela tecnologia, especialmente na conviv\u00eancia entre pais, crian\u00e7as e adolescentes. A presen\u00e7a crescente de dispositivos digitais, redes sociais e ambientes virtuais amplia as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pode disputar espa\u00e7o com momentos de aten\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo e intera\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do autor, um dos desafios contempor\u00e2neos \u00e9 preservar a qualidade dos v\u00ednculos em uma sociedade marcada por est\u00edmulos constantes e pela valoriza\u00e7\u00e3o da conex\u00e3o digital. Ele descreve a sensa\u00e7\u00e3o de pais que, apesar de seus esfor\u00e7os, percebem uma dist\u00e2ncia emocional crescente e acabam se contentando com pequenas demonstra\u00e7\u00f5es de afeto. &#8220;Estamos perdendo nossos filhos para m\u00e1quinas. Por mais que tentemos ser aqueles que se satisfazem com migalhas afetivas, muitas vezes perdemos espa\u00e7o para os colegas de turma e para as telas. Perdemos na ternura, nas palavras, no tempo e na conviv\u00eancia. E isso d\u00f3i&#8221;, expressa.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas na utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia, mas na necessidade de desenvolver consci\u00eancia sobre as consequ\u00eancias das pr\u00f3prias atitudes. Durante a adolesc\u00eancia e o in\u00edcio da vida adulta, o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal continua passando por processos de matura\u00e7\u00e3o relacionados \u00e0 autorregula\u00e7\u00e3o, \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de consequ\u00eancias e \u00e0 tomada de decis\u00f5es. Orsini utiliza esse conhecimento para propor uma reflex\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es: &#8220;Que o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal de voc\u00eas n\u00e3o sirva apenas para planejar conquistas, mas tamb\u00e9m para orientar escolhas, controlar impulsos, reconhecer erros e compreender o valor das pessoas&#8221;.<\/p>\n<p>Para ele, conquistas profissionais, acad\u00eamicas e materiais n\u00e3o substituem a capacidade de cultivar rela\u00e7\u00f5es significativas. O desenvolvimento da intelig\u00eancia emocional deve estar acompanhado da compreens\u00e3o de que todas as pessoas possuem limites, necessidades e hist\u00f3rias pr\u00f3prias. O amor, nessa perspectiva, n\u00e3o exige concord\u00e2ncia permanente nem elimina diverg\u00eancias entre gera\u00e7\u00f5es, mas encontra sua express\u00e3o mais madura no respeito, na responsabilidade afetiva e na disposi\u00e7\u00e3o para reconhecer a perspectiva do outro.<\/p>\n<p>Ao aprofundar a discuss\u00e3o sobre a finitude, o autor ressalta que sua inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 estabelecer cobran\u00e7as emocionais, mas estimular uma consci\u00eancia mais ampla sobre a passagem do tempo. A exist\u00eancia humana \u00e9 marcada por mudan\u00e7as inevit\u00e1veis, e reconhecer essa condi\u00e7\u00e3o pode transformar a maneira como valorizamos os encontros poss\u00edveis. &#8220;Um dia, seremos parte da mem\u00f3ria. N\u00e3o sabemos quanto tempo ainda teremos para compartilhar experi\u00eancias, mas gostar\u00edamos que a rotina, o orgulho e as distra\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocupassem o espa\u00e7o dos encontros poss\u00edveis&#8221;, reflete.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia da pr\u00f3pria vulnerabilidade, segundo Orsini, permite compreender que palavras n\u00e3o ditas, abra\u00e7os adiados e momentos negligenciados nem sempre poder\u00e3o ser recuperados. Por isso, a valoriza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos deve acontecer durante a conviv\u00eancia, e n\u00e3o apenas quando a aus\u00eancia transforma a presen\u00e7a em lembran\u00e7a. Sua reflex\u00e3o tamb\u00e9m destaca que o amor paterno n\u00e3o deve depender das conquistas futuras dos filhos, das escolhas profissionais ou do reconhecimento social que venham a alcan\u00e7ar, pois encontra seu significado mais profundo na pr\u00f3pria exist\u00eancia deles.<\/p>\n<p>Ao concluir, Marco Orsini transforma os conceitos cient\u00edficos e filos\u00f3ficos em uma declara\u00e7\u00e3o pessoal dirigida a Jo\u00e3o Orsini e Bento Orsini. Como pai, reconhece suas imperfei\u00e7\u00f5es, a passagem do tempo e o desejo de transmitir aos filhos algo que ultrapasse ensinamentos acad\u00eamicos ou realiza\u00e7\u00f5es materiais: a consci\u00eancia sobre o valor das pessoas, a import\u00e2ncia dos afetos e a necessidade de preservar os encontros enquanto ainda s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;A exist\u00eancia \u00e9 breve, a consci\u00eancia nos permite compreender sua fragilidade e o amor nos oferece raz\u00f5es para torn\u00e1-la significativa&#8221;, sintetiza. Para o autor, a paternidade representa uma experi\u00eancia transformadora, capaz de redefinir prioridades e permanecer como parte essencial de sua identidade. Mais do que preparar os filhos para alcan\u00e7ar objetivos, seu desejo \u00e9 que compreendam a import\u00e2ncia de reconhecer o amor enquanto ele pode ser vivido, demonstrado e compartilhado.<\/p>\n<p>Em sua mensagem final, dedicada especialmente aos filhos Jo\u00e3o Orsini e Bento Orsini, Marco Orsini reafirma que a maior express\u00e3o da paternidade n\u00e3o est\u00e1 nas conquistas materiais ou no reconhecimento social, mas no amor incondicional que acompanha a exist\u00eancia dos filhos. &#8220;Amor n\u00e3o pelo que ser\u00e3o ou conquistar\u00e3o, mas simplesmente porque s\u00e3o filhos. E essa \u00e9 uma das verdades mais profundas da minha exist\u00eancia: ser pai de voc\u00eas, Jo\u00e3o e Bento Orsini.&#8221; Entre a neuroci\u00eancia e a filosofia, permanece a mensagem que deseja deixar como legado: a vida \u00e9 breve, o tempo \u00e9 insubstitu\u00edvel e o amor, quando cultivado com consci\u00eancia, respeito e presen\u00e7a, torna-se uma das heran\u00e7as mais significativas que um pai pode oferecer.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PulseBrand<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos ultrapassa os la\u00e7os biol\u00f3gicos e representa uma das experi\u00eancias mais profundas da exist\u00eancia humana. 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