{"id":144451,"date":"2026-10-30T11:55:00","date_gmt":"2026-10-30T14:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/sucessao-familiar-no-agronegocio-exige-planejamento-antecipado-matheus-gusatti\/"},"modified":"2026-10-30T11:55:00","modified_gmt":"2026-10-30T14:55:00","slug":"sucessao-familiar-no-agronegocio-exige-planejamento-antecipado-matheus-gusatti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/sucessao-familiar-no-agronegocio-exige-planejamento-antecipado-matheus-gusatti\/","title":{"rendered":"Sucess\u00e3o familiar no agroneg\u00f3cio exige planejamento antecipado &#8211; Matheus Gusatti"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, o produtor rural Matheus Gusatti tem caracterizado a sucess\u00e3o familiar no agroneg\u00f3cio como um dos pontos mais sens\u00edveis da gest\u00e3o de propriedades brasileiras. Fazendas constru\u00eddas ao longo de d\u00e9cadas concentram patrim\u00f4nio, conhecimento t\u00e9cnico e rela\u00e7\u00f5es comerciais em poucas pessoas, e a transi\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es costuma ser adiada at\u00e9 que uma doen\u00e7a, uma morte ou um conflito force a decis\u00e3o. O resultado \u00e9 um processo conduzido sob press\u00e3o, com custo financeiro e desgaste familiar que poderiam ser evitados.<\/p>\n<p><b>Por que a transi\u00e7\u00e3o no campo demora a come\u00e7ar?<\/b><\/p>\n<p>A resist\u00eancia raramente \u00e9 apenas jur\u00eddica. A propriedade costuma se confundir com a hist\u00f3ria pessoal de quem a formou, e abrir a discuss\u00e3o sobre o futuro soa como antecipar uma aus\u00eancia. Soma-se a isso a informalidade que marca a rotina de muitas fazendas, nas quais decis\u00f5es sobre compra de insumos, negocia\u00e7\u00e3o de safra e contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os passam por uma \u00fanica pessoa, sem registro formal. Enquanto a opera\u00e7\u00e3o funciona, a falta de estrutura n\u00e3o aparece como problema.<\/p>\n<p>O custo da posterga\u00e7\u00e3o, no entanto, aparece de forma concentrada. De acordo com o exposto por Matheus Gusatti, a dist\u00e2ncia entre a titularidade dos bens e o comando pr\u00e1tico da atividade \u00e9 o que torna a transi\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil, porque herdeiros podem receber a terra sem receber o conhecimento que a mant\u00e9m produtiva. Invent\u00e1rios longos travam investimentos, dificultam acesso a cr\u00e9dito rural e paralisam decis\u00f5es de plantio em \u00e1reas que n\u00e3o podem esperar o calend\u00e1rio judicial.<\/p>\n<p><b>Patrim\u00f4nio, opera\u00e7\u00e3o e pap\u00e9is definidos<\/b><\/p>\n<p>Separar a propriedade do patrim\u00f4nio da condu\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio \u00e9 um dos primeiros movimentos t\u00e9cnicos do planejamento sucess\u00f3rio. Nem todo herdeiro deseja atuar no campo, e nem todo herdeiro interessado tem perfil para a gest\u00e3o. Tratar os dois planos como se fossem um s\u00f3 leva a arranjos fr\u00e1geis, nos quais a divis\u00e3o igualit\u00e1ria da \u00e1rea produtiva fragmenta talh\u00f5es em lotes pequenos demais para sustentar maquin\u00e1rio, escala de produ\u00e7\u00e3o e contratos de fornecimento. A viabilidade econ\u00f4mica da terra raramente acompanha a aritm\u00e9tica da partilha.<\/p>\n<p>Arranjos alternativos existem e variam conforme o tamanho da opera\u00e7\u00e3o. Herdeiros sem interesse operacional podem permanecer como propriet\u00e1rios e receber pela explora\u00e7\u00e3o conduzida pelos demais, por meio de arrendamento interno ou de participa\u00e7\u00e3o nos resultados. A defini\u00e7\u00e3o de quem decide o qu\u00ea, quest\u00e3o que Matheus Gusatti problematiza ao tratar da divis\u00e3o de responsabilidades, precisa estar documentada antes do momento de tens\u00e3o. Acordos constru\u00eddos em per\u00edodos de estabilidade costumam resistir melhor a safras ruins.<\/p>\n<p><b>Sucess\u00e3o familiar no agroneg\u00f3cio e a forma\u00e7\u00e3o dos herdeiros<\/b><\/p>\n<p>Sob a perspectiva do produtor rural Matheus Gusatti, a prepara\u00e7\u00e3o do sucessor n\u00e3o se limita ao dom\u00ednio t\u00e9cnico da lavoura ou do rebanho. Gest\u00e3o de custos, leitura de mercado, forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o, acesso a linhas de cr\u00e9dito e conformidade ambiental comp\u00f5em um conjunto de compet\u00eancias que n\u00e3o se aprende apenas acompanhando o trabalho di\u00e1rio. Cursos espec\u00edficos, est\u00e1gios em outras propriedades e experi\u00eancia pr\u00e9via em empresas do setor ampliam o repert\u00f3rio de quem assumir\u00e1 a condu\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia de responsabilidade costuma funcionar melhor de forma gradual. Delegar uma cultura espec\u00edfica, um talh\u00e3o ou uma frente de comercializa\u00e7\u00e3o permite que o sucessor tome decis\u00f5es reais, com consequ\u00eancias mensur\u00e1veis, enquanto ainda h\u00e1 margem para corre\u00e7\u00e3o. O erro controlado em escala menor ensina mais do que a observa\u00e7\u00e3o prolongada, e evita que a primeira decis\u00e3o aut\u00f4noma aconte\u00e7a justamente quando n\u00e3o h\u00e1 mais a quem consultar. O acompanhamento pr\u00f3ximo nessa fase reduz o risco de ruptura na opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>O que acontece com a propriedade durante a transi\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Boa parte do conhecimento que sustenta uma fazenda n\u00e3o est\u00e1 escrita. Hist\u00f3rico de produtividade por \u00e1rea, comportamento do solo em anos secos, contatos de fornecedores confi\u00e1veis, prazos informais com compradores e particularidades de maquin\u00e1rio antigo costumam existir apenas na mem\u00f3ria de quem conduziu a opera\u00e7\u00e3o por d\u00e9cadas. Transformar esse acervo em registro acess\u00edvel, com mapas, planilhas e contratos organizados, compete ao per\u00edodo de conviv\u00eancia entre as gera\u00e7\u00f5es. Depois da sa\u00edda do antecessor, a reconstru\u00e7\u00e3o dessa base \u00e9 lenta e cara.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a fase em que duas gera\u00e7\u00f5es dividem o comando, etapa que tende a gerar ru\u00eddo quando os limites n\u00e3o est\u00e3o claros. O panorama tra\u00e7ado por Matheus Gusatti antecipa que fornecedores, funcion\u00e1rios e parceiros comerciais procuram a refer\u00eancia antiga enquanto ela permanecer dispon\u00edvel, o que esvazia a autoridade de quem est\u00e1 assumindo. Definir previamente quais decis\u00f5es passam a ser do sucessor e comunic\u00e1-las \u00e0 equipe e \u00e0 cadeia de fornecedores reduz a ambiguidade do per\u00edodo.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nos \u00faltimos anos, o produtor rural Matheus Gusatti tem caracterizado a sucess\u00e3o familiar no agroneg\u00f3cio como um dos pontos mais sens\u00edveis da gest\u00e3o de propriedades brasileiras. 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