{"id":144284,"date":"2026-10-29T12:57:00","date_gmt":"2026-10-29T15:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/future-climate-abre-a-conta-de-restaurar-12-mil-hectares\/"},"modified":"2026-10-29T12:57:00","modified_gmt":"2026-10-29T15:57:00","slug":"future-climate-abre-a-conta-de-restaurar-12-mil-hectares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/future-climate-abre-a-conta-de-restaurar-12-mil-hectares\/","title":{"rendered":"Future Climate abre a conta de restaurar 12 mil hectares"},"content":{"rendered":"<p>Restaurar um hectare de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil exige desembolsos concentrados nos primeiros anos e oferece receitas que chegam ao longo de d\u00e9cadas, descompasso que define quem consegue financiar esse tipo de projeto. A <a href=\"https:\/\/futureclimate.com\/\" target=\"_blank\">Future Climate Group<\/a>, empresa que desenvolve e gerencia projetos de carbono baseados na natureza, detalha a l\u00f3gica econ\u00f4mica por tr\u00e1s de um portf\u00f3lio de restaura\u00e7\u00e3o de 12 mil hectares, avaliado pela companhia em R$ 300 milh\u00f5es a valor presente, com proje\u00e7\u00e3o de mais de 5 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos de carbono em cinco anos, de acordo com a empresa.<\/p>\n<p>Para Guilherme Prado, diretor de projetos da Future Climate, a principal dificuldade do segmento n\u00e3o est\u00e1 na t\u00e9cnica de plantio, mas no desenho financeiro. \u201cO hectare restaurado \u00e9 pago quase inteiro antes de a primeira tonelada de carbono ser verificada. Quem observa apenas o pre\u00e7o do cr\u00e9dito no mercado \u00e0 vista n\u00e3o enxerga que, por tr\u00e1s dele, existem anos de desembolso sem receita correspondente\u201d, afirma.<\/p>\n<p><b>Onde o dinheiro \u00e9 aplicado<\/b><\/p>\n<p>Um estudo premiado em 2025 pelo Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFB), <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/florestal\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2025\/novembro\/divulgados-os-ganhadores-do-ixpremiode-economia-e-mercado-floresta\/2deg-lugar-quanto-custa-restaurar-o-cerrado-uma-avaliacao-de-viabilidade-e-impacto-climatico.pdf\" target=\"_blank\">dedicado ao Cerrado<\/a>, estimou o custo direto da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica entre R$ 23 mil e R$ 29 mil por hectare. A conta inclui coleta de sementes e produ\u00e7\u00e3o de mudas, preparo do solo, plantio, manuten\u00e7\u00e3o por tr\u00eas anos e monitoramento. Pela composi\u00e7\u00e3o apresentada no trabalho, a m\u00e3o de obra responde por 30%, as mudas e sua log\u00edstica por 25%, e o plantio com manejo silvicultural por 20%.<\/p>\n<p>Prado explica que a composi\u00e7\u00e3o adotada pela empresa acrescenta outras camadas a esse c\u00e1lculo. Antes da primeira muda chegar ao campo, \u00e9 preciso garantir o acesso \u00e0 terra, por aquisi\u00e7\u00e3o ou parceria fundi\u00e1ria. Depois do plantio, entram o monitoramento cont\u00ednuo das \u00e1reas e a verifica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos por auditoria independente, etapa obrigat\u00f3ria para que as remo\u00e7\u00f5es possam ser comercializadas.<\/p>\n<p><b>Por que a receita demora<\/b><\/p>\n<p>Em projetos de aflorestamento, reflorestamento e revegeta\u00e7\u00e3o, conhecidos pela sigla em ingl\u00eas ARR, a floresta jovem retira pouco carbono da atmosfera nos primeiros anos. A absor\u00e7\u00e3o acelera conforme as \u00e1rvores ganham porte e biomassa, e os cr\u00e9ditos s\u00f3 s\u00e3o emitidos depois que as remo\u00e7\u00f5es efetivamente medidas passam pela verifica\u00e7\u00e3o. No cen\u00e1rio de refer\u00eancia do estudo do SFB, cada hectare restaurado geraria cerca de 336 toneladas de CO\u2082 equivalente em 30 anos, j\u00e1 descontada uma reserva de 20% para riscos de perman\u00eancia, com retorno simples do investimento entre 9,5 e 12 anos.<\/p>\n<p>O mesmo trabalho identifica a perman\u00eancia como o principal risco biof\u00edsico desses projetos, por causa da recorr\u00eancia de inc\u00eandios e de eventos clim\u00e1ticos extremos. Para mitigar a exposi\u00e7\u00e3o, os autores sugerem combinar reservas de cr\u00e9ditos iguais ou superiores a 20% com manejo preventivo do fogo, seguros param\u00e9tricos e planos de conting\u00eancia, medidas que tamb\u00e9m pesam no or\u00e7amento.<\/p>\n<p>\u201cEm restaura\u00e7\u00e3o, o custo \u00e9 antecipado e a receita \u00e9 diferida. Os tr\u00eas primeiros anos concentram plantio, replantio e controle de esp\u00e9cies invasoras, enquanto o volume relevante de remo\u00e7\u00f5es aparece mais tarde, \u00e0 medida que a floresta cresce. Por isso, o projeto precisa de um capital que aceite esperar\u201d, diz o diretor de projetos.<\/p>\n<p><b>A estrutura de capital compat\u00edvel<\/b><\/p>\n<p>Segundo Prado, nenhuma fonte isolada cobre todas as fases do ciclo. Na implanta\u00e7\u00e3o, quando o risco \u00e9 mais alto, o projeto depende de capital paciente, disposto a aguardar o amadurecimento dos ativos. Em paralelo, contratos de pr\u00e9-compra e acordos de offtake plurianuais, nos quais compradores se comprometem a adquirir volumes futuros de cr\u00e9ditos, d\u00e3o previsibilidade ao caixa. A d\u00edvida sustent\u00e1vel tende a entrar em uma etapa posterior, quando o fluxo de remo\u00e7\u00f5es j\u00e1 pode ser projetado com maior seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio estudo do SFB aponta na mesma dire\u00e7\u00e3o ao recomendar instrumentos que antecipem fluxos de caixa, como pr\u00e9-pagamentos, contratos de longo prazo e arranjos de financiamento misto. \u00c9 essa combina\u00e7\u00e3o que permite expressar um portf\u00f3lio em valor presente: as receitas esperadas ao longo do per\u00edodo de credita\u00e7\u00e3o s\u00e3o trazidas para a data atual e confrontadas com os custos de implanta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos riscos operacionais do projeto. Quanto mais distante estiver uma receita, menor o seu peso nesse c\u00e1lculo, o que explica por que contratos que antecipam vendas elevam o valor presente de uma carteira.<\/p>\n<p><b>Demanda paga mais por remo\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O mercado internacional tem diferenciado cr\u00e9ditos de remo\u00e7\u00e3o conforme a qualidade. Dados da plataforma de avalia\u00e7\u00e3o Sylvera indicam que projetos de ARR com <a href=\"https:\/\/www.sylvera.com\/pt-br\/blog\/sylvera-state-of-carbon-credits-2025-market-shifts-from-volume-to-value\" target=\"_blank\">classifica\u00e7\u00e3o mais alta<\/a> registraram pre\u00e7o m\u00e9dio acima de US$ 26 por cr\u00e9dito no fim de 2025, ante cerca de US$ 14 para equivalentes com notas inferiores. O mesmo levantamento contabilizou US$ 12,3 bilh\u00f5es em acordos de offtake anunciados em 2025, contra US$ 3,95 bilh\u00f5es no ano anterior.<\/p>\n<p>No Brasil, a demanda por \u00e1rea restaurada tamb\u00e9m tem metas oficiais. O Plano Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/composicao\/sbio\/dflo\/plano-nacional-de-recuperacao-da-vegetacao-nativa-planaveg\" target=\"_blank\">Planaveg 2025-2028<\/a>) estabelece a recupera\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030. J\u00e1 a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2024\/lei\/l15042.htm\" target=\"_blank\">Lei n\u00ba 15.042\/2024<\/a>, que instituiu o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SBCE), criou o Certificado de Redu\u00e7\u00e3o ou Remo\u00e7\u00e3o Verificada de Emiss\u00f5es, ativo que pode representar remo\u00e7\u00f5es geradas por projetos de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Prado, a escassez de oferta de ARR com integridade comprovada decorre justamente do tempo e do capital que esses projetos exigem. \u201cTornar transparente a composi\u00e7\u00e3o do custo permite que compradores e investidores comparem iniciativas por crit\u00e9rios de qualidade, perman\u00eancia e rastreabilidade, e n\u00e3o apenas pelo valor da tonelada\u201d, conclui o executivo.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es, basta acessar: <a href=\"https:\/\/futureclimate.com\/\" target=\"_blank\">https:\/\/futureclimate.com\/<\/a><\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/futureclimate.com\/\" target=\"_blank\">https:\/\/futureclimate.com\/<\/a><\/p>\n<p>Foto: Unsplash\/Noah Buscher<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Restaurar um hectare de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil exige desembolsos concentrados nos primeiros anos e oferece receitas que chegam ao longo de d\u00e9cadas, descompasso que define quem consegue","protected":false},"author":1,"featured_media":144285,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[11470],"tags":[12397,101,300,12392,12170],"class_list":["post-144284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-knewin-dino","tag-ciencia","tag-economia","tag-negocios","tag-politicas","tag-sustentabilidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}