{"id":144160,"date":"2026-10-28T16:05:00","date_gmt":"2026-10-28T19:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/albuns-de-recortes-de-moda-anteciparam-a-curadoria-digital-examina-cristiane-ruon-dos-santos\/"},"modified":"2026-10-28T16:05:00","modified_gmt":"2026-10-28T19:05:00","slug":"albuns-de-recortes-de-moda-anteciparam-a-curadoria-digital-examina-cristiane-ruon-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/albuns-de-recortes-de-moda-anteciparam-a-curadoria-digital-examina-cristiane-ruon-dos-santos\/","title":{"rendered":"\u00c1lbuns de recortes de moda anteciparam a curadoria digital, examina Cristiane Ruon dos Santos"},"content":{"rendered":"<p><b>Compila\u00e7\u00f5es manuais de ilustra\u00e7\u00f5es, tecidos e anota\u00e7\u00f5es registraram o gosto de gera\u00e7\u00f5es de mulheres muito antes de as redes sociais transformarem a sele\u00e7\u00e3o de imagens em h\u00e1bito di\u00e1rio.<\/b><\/p>\n<p>Na leitura de Cristiane Ruon dos Santos, colecionadora de objetos antigos, os \u00e1lbuns de recortes de moda funcionam como arquivos \u00edntimos das aspira\u00e7\u00f5es e prefer\u00eancias de mulheres de diferentes \u00e9pocas. Antes da era digital, a constru\u00e7\u00e3o do gosto est\u00e9tico dependia de compila\u00e7\u00f5es manuais que reuniam ilustra\u00e7\u00f5es de revistas, amostras de tecido e anota\u00e7\u00f5es em volumes pessoais. Hoje, quando selecionar imagens virou gesto cotidiano nas plataformas virtuais, esses cadernos ajudam a entender como o consumo de moda era mediado por escolhas individuais, feitas com tesoura, cola e paci\u00eancia.<\/p>\n<p><b>Os \u00e1lbuns de recortes como arquivo do cotidiano<\/b><\/p>\n<p>As p\u00e1ginas reuniam ilustra\u00e7\u00f5es recortadas de revistas, cat\u00e1logos de lojas, amostras de tecido e anota\u00e7\u00f5es manuscritas sobre pre\u00e7os e fornecedores. Longe de serem mero passatempo, as compila\u00e7\u00f5es serviam como ferramenta de planejamento para encomendas junto \u00e0s costureiras e como registro de tend\u00eancias a consultar mais tarde. A forma como cada propriet\u00e1ria organizava o material exp\u00f5e crit\u00e9rios est\u00e9ticos e econ\u00f4micos que dificilmente aparecem nas publica\u00e7\u00f5es oficiais da \u00e9poca, voltadas a apresentar a moda, e n\u00e3o a mostrar como ela era de fato adotada.<\/p>\n<p>As amostras coladas permitem identificar materiais usados em pe\u00e7as que n\u00e3o sobreviveram fisicamente, enquanto as notas nas margens, muitas vezes a l\u00e1pis ou em tinta j\u00e1 desbotada, guardam datas de encomenda e impress\u00f5es sobre a qualidade dos tecidos. \u00c9 nesse conjunto de pequenos registros que Cristiane Ruon dos Santos identifica o que torna o \u00e1lbum um documento mais rico do que a pr\u00f3pria revista da qual os recortes foram retirados, justamente por somar \u00e0 imagem publicada a experi\u00eancia de quem a escolheu.<\/p>\n<p><b>O que a montagem das p\u00e1ginas revela?<\/b><\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o dos recortes obedecia a l\u00f3gicas pessoais que misturavam moda, decora\u00e7\u00e3o e comportamento. Muitas mulheres dividiam o \u00e1lbum por ocasi\u00e3o, com se\u00e7\u00f5es dedicadas a vestidos de visita, trajes de viagem e roupas de luto. Outras agrupavam as refer\u00eancias por cor ou por tipo de tecido, montando uma esp\u00e9cie de cat\u00e1logo particular que facilitava a consulta na hora de planejar novas pe\u00e7as. Cada crit\u00e9rio adotado diz muito sobre as prioridades de quem montava as p\u00e1ginas e sobre a vida social que o guarda-roupa precisava acompanhar.<\/p>\n<p>Bilhetes, convites, fitas e bot\u00f5es tamb\u00e9m ganhavam espa\u00e7o, transformando o volume em uma c\u00e1psula do tempo de v\u00e1rias camadas. A an\u00e1lise desses objetos permite reconstruir, al\u00e9m do gosto est\u00e9tico, a rotina e as redes de relacionamento da propriet\u00e1ria. Um recorte de vestido colado junto ao convite de um casamento, por exemplo, liga a escolha da roupa ao evento que a motivou, informa\u00e7\u00e3o que nenhuma revista registraria. Lidos em conjunto, os elementos comp\u00f5em um retrato social que vai muito al\u00e9m da vaidade ou do simples hobby.<\/p>\n<p><b>Acidez, colas e a fragilidade do papel antigo<\/b><\/p>\n<p>Os pap\u00e9is fabricados no s\u00e9culo XIX e no in\u00edcio do s\u00e9culo XX tinham alta acidez, o que provoca amarelamento e fragiliza\u00e7\u00e3o progressiva das folhas. As colas de origem animal, muito usadas para fixar os recortes, tendem a endurecer com o passar das d\u00e9cadas e acabam soltando os elementos. Por isso, a interven\u00e7\u00e3o em um \u00e1lbum antigo precisa priorizar a estabiliza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do papel e a consolida\u00e7\u00e3o das fixa\u00e7\u00f5es, sempre sem alterar a disposi\u00e7\u00e3o original, que \u00e9 parte essencial do conte\u00fado hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>O acondicionamento em caixas planas de polipropileno inerte, com folhas de papel livre de \u00e1cido intercaladas entre as p\u00e1ginas, protege o volume contra poeira e manuseio excessivo. A digitaliza\u00e7\u00e3o integral complementa a prote\u00e7\u00e3o, pois abre o conte\u00fado \u00e0 consulta sem expor o original ao desgaste do toque frequente. Cuidar desses \u00e1lbuns mant\u00e9m acess\u00edvel a mem\u00f3ria de pr\u00e1ticas criativas que antecederam em mais de um s\u00e9culo as ferramentas digitais de curadoria pessoal, como sublinha Cristiane Ruon dos Santos.<\/p>\n<p><b>Do caderno colado \u00e0s pastas virtuais<\/b><\/p>\n<p>A l\u00f3gica de selecionar, recortar e organizar imagens segundo o pr\u00f3prio gosto reaparece hoje em murais digitais, cole\u00e7\u00f5es salvas e pastas de inspira\u00e7\u00e3o nas redes sociais. A diferen\u00e7a est\u00e1 no gesto, j\u00e1 que o \u00e1lbum exigia tempo, escolha f\u00edsica e o descarte do que n\u00e3o cabia na p\u00e1gina, enquanto o ambiente virtual permite acumular refer\u00eancias quase sem limite. A compara\u00e7\u00e3o mostra que a curadoria pessoal n\u00e3o nasceu com os algoritmos, mas ganhou neles uma escala que muda a rela\u00e7\u00e3o com aquilo que se decide guardar.<\/p>\n<p>Os \u00e1lbuns tamb\u00e9m preservam o que as narrativas oficiais da moda tendem a apagar, ou seja, a forma como mulheres comuns negociavam entre as tend\u00eancias impostas pelas revistas e as pr\u00f3prias prefer\u00eancias, decidindo quais modelos copiar e quais detalhes adaptar. A salvaguarda desses arquivos \u00edntimos, sob a \u00f3tica de Cristiane Ruon dos Santos, garante que as vozes individuais sigam dispon\u00edveis para quem pesquisa o vestu\u00e1rio al\u00e9m das passarelas e dos ateli\u00eas de alta-costura.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Compila\u00e7\u00f5es manuais de ilustra\u00e7\u00f5es, tecidos e anota\u00e7\u00f5es registraram o gosto de gera\u00e7\u00f5es de mulheres muito antes de as redes sociais transformarem a sele\u00e7\u00e3o de imagens em h\u00e1bito di\u00e1rio. Na","protected":false},"author":1,"featured_media":144161,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[525],"tags":[],"class_list":["post-144160","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saftec-digital"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144160\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}