{"id":143935,"date":"2026-10-27T14:35:00","date_gmt":"2026-10-27T17:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/a-inteligencia-artificial-saiu-da-ti-e-chegou-a-mesa-do-executivo\/"},"modified":"2026-10-27T14:35:00","modified_gmt":"2026-10-27T17:35:00","slug":"a-inteligencia-artificial-saiu-da-ti-e-chegou-a-mesa-do-executivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/a-inteligencia-artificial-saiu-da-ti-e-chegou-a-mesa-do-executivo\/","title":{"rendered":"A intelig\u00eancia artificial saiu da TI e chegou \u00e0 mesa do executivo"},"content":{"rendered":"<p>A prioridade que ainda n\u00e3o virou resultado<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial chegou ao topo da agenda das empresas brasileiras antes de chegar aos resultados. No Panorama 2026, levantamento da Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas que ouviu 629 executivos de m\u00e9dias e grandes empresas, a tecnologia aparece no topo das prioridades para os pr\u00f3ximos anos. Na mesma pesquisa, 61% dos l\u00edderes dizem ainda n\u00e3o ter percebido impacto relevante nos resultados, e s\u00f3 3% afirmam ter transformado a IA em nova receita ou vantagem competitiva.<\/p>\n<p>O descompasso costuma ser atribu\u00eddo \u00e0 tecnologia: o modelo n\u00e3o amadureceu, o dado n\u00e3o est\u00e1 pronto, a integra\u00e7\u00e3o atrasou. Guilherme Friol, fundador da <a href=\"https:\/\/vircos.com.br\/\" target=\"_blank\"><u>Vircos<\/u><\/a> e executivo com 20 anos de carreira em tecnologia, procura a explica\u00e7\u00e3o em outra cadeira. Para ele, a <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/patrocinado\/pulse-brand\/noticia\/2026\/08\/31\/ao-comprar-inteligencia-artificial-pronta-a-empresa-tambem-terceiriza-a-propria-decisao-1.ghtml\" target=\"_blank\"><u>decis\u00e3o sobre intelig\u00eancia artificial<\/u><\/a> subiu para a diretoria, mas o repert\u00f3rio para tom\u00e1-la n\u00e3o subiu junto. Palestrante do circuito AI Executive Summit Brasil, Friol tem dedicado parte crescente da agenda a preparar executivos para decidir sobre a tecnologia.<\/p>\n<p>&#8220;A intelig\u00eancia artificial deixou de ser assunto da TI no dia em que come\u00e7ou a influenciar decis\u00f5es sobre pre\u00e7os, cr\u00e9dito, atendimento e contratos. A partir da\u00ed, o executivo que n\u00e3o entende o que ela faz n\u00e3o est\u00e1 delegando, est\u00e1 abdicando&#8221;, afirma Friol.<\/p>\n<p>O gargalo mudou de cadeira<\/p>\n<p>A leitura encontra eco fora do pa\u00eds. No estudo Superagency in the workplace, publicado pela McKinsey em janeiro de 2025, executivos de alto escal\u00e3o nos Estados Unidos estimaram que 4% dos funcion\u00e1rios usavam IA generativa em pelo menos 30% do trabalho di\u00e1rio. Entre os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, o \u00edndice era de 13%, mais que o triplo. A conclus\u00e3o da consultoria \u00e9 que a maior barreira para escalar a tecnologia n\u00e3o est\u00e1 nas equipes, que j\u00e1 est\u00e3o prontas, mas nas lideran\u00e7as, que n\u00e3o est\u00e3o conduzindo a mudan\u00e7a na velocidade necess\u00e1ria. Quase todas as empresas investem em IA, mas apenas 1% se considera madura no uso da tecnologia, segundo o mesmo estudo.<\/p>\n<p>Outro levantamento da consultoria, o State of AI de mar\u00e7o de 2025, com 1.491 participantes em 101 pa\u00edses, mostra que apenas 28% dos respondentes de empresas que usam intelig\u00eancia artificial t\u00eam o pr\u00f3prio CEO como respons\u00e1vel por supervisionar a governan\u00e7a da tecnologia. \u00c9 nessa dist\u00e2ncia entre quem aprova o projeto e quem entende o que ele faz que Friol localiza boa parte das compras erradas.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, segundo ele, o executivo que n\u00e3o entende a tecnologia decide pela \u00fanica coisa que consegue avaliar: a demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A demonstra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita para quem n\u00e3o sabe perguntar. Quando o executivo entende o que est\u00e1 comprando, quem conduz a reuni\u00e3o passa a ser ele, e n\u00e3o o fornecedor&#8221;, diz Friol.<\/p>\n<p>Delegar n\u00e3o resolve<\/p>\n<p>Uma sa\u00edda comum \u00e9 delegar: a tecnologia avalia, o fornecedor implanta, a diretoria aprova o or\u00e7amento. O problema, na avalia\u00e7\u00e3o de Friol, \u00e9 que as decis\u00f5es que pesam numa contrata\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial n\u00e3o s\u00e3o t\u00e9cnicas. Saber se a proposta vende configura\u00e7\u00e3o com o nome de &#8220;treinamento&#8221;, se a cobran\u00e7a por consumo vai multiplicar a conta quando o uso sair do piloto, se a regra de neg\u00f3cio da empresa vai morar dentro do sistema de um terceiro e <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/patrocinado\/pulse-brand\/noticia\/2026\/09\/23\/quando-o-fornecedor-desliga-o-risco-que-nao-aparece-na-proposta-comercial-de-inteligencia-artificial-1.ghtml\" target=\"_blank\"><u>o que acontece se o fornecedor mudar o modelo<\/u><\/a> s\u00e3o perguntas de neg\u00f3cio. Quem n\u00e3o sabe formul\u00e1-las aprova a resposta que vier.<\/p>\n<p>Por isso, para ele, a responsabilidade de entender a tecnologia n\u00e3o pode ficar abaixo da diretoria. O executivo n\u00e3o precisa programar, escolher modelo ou montar laborat\u00f3rio. Precisa ter repert\u00f3rio para ler uma proposta, fazer a conta de tr\u00eas anos e saber o que deve ficar dentro de casa.<\/p>\n<p>Quando o executivo entende<\/p>\n<p>Na descri\u00e7\u00e3o de Friol, a diferen\u00e7a aparece na pr\u00f3pria reuni\u00e3o de compra. O executivo que entende a tecnologia n\u00e3o pergunta se a ferramenta \u00e9 boa. Pergunta quanto ela vai custar quando o uso sair do piloto, o que fica com a empresa se o contrato acabar e quem responde quando o sistema errar. As respostas mudam o contrato: aviso pr\u00e9vio para troca de modelo, cl\u00e1usula de sa\u00edda que devolve \u00e0 empresa os dados e as regras que ela colocou ali, teto de consumo combinado antes da assinatura.<\/p>\n<p>Nada disso exige saber programar. Exige saber o que perguntar, e n\u00e3o aceitar a demonstra\u00e7\u00e3o como resposta. \u00c9 tamb\u00e9m o que permite separar o que vale comprar pronto, como as tarefas que s\u00e3o iguais em qualquer empresa, do que precisa ficar sob controle da casa, porque carrega a regra do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A r\u00e9gua que j\u00e1 existe l\u00e1 fora<\/p>\n<p>Em parte do mundo, entender intelig\u00eancia artificial deixou de ser recomenda\u00e7\u00e3o. Desde 2 de fevereiro de 2025, o AI Act, a lei europeia de intelig\u00eancia artificial, obriga empresas que desenvolvem ou usam sistemas de IA a adotar medidas de letramento em IA para o seu pessoal e para as pessoas que lidam com esses sistemas em seu nome. A regra foi revista em julho de 2026 e deixou de exigir um n\u00edvel m\u00ednimo de conhecimento de cada pessoa, mas a obriga\u00e7\u00e3o de agir continua.<\/p>\n<p>No Brasil, o marco legal da intelig\u00eancia artificial, o PL 2338\/2023, foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e segue em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados. Enquanto a regra n\u00e3o chega, a cobran\u00e7a vem do pr\u00f3prio neg\u00f3cio: do conselho que pergunta pelo retorno, do cliente que quer saber onde o dado foi processado e do contrato que precisa ser renegociado quando o fornecedor muda o pre\u00e7o. Nos tr\u00eas casos, quem responde \u00e9 a diretoria, e n\u00e3o a \u00e1rea de tecnologia.<\/p>\n<p>Preparar para decidir<\/p>\n<p>Para Friol, preparar a lideran\u00e7a para a intelig\u00eancia artificial \u00e9 diferente de apresentar ferramentas. Na experi\u00eancia dele com executivos, a prepara\u00e7\u00e3o que funciona parte de decis\u00f5es reais: a proposta comercial que est\u00e1 na mesa, o contrato que vence no pr\u00f3ximo ano, a lista do que a empresa j\u00e1 automatizou e com quais dados. \u00c9 um aprendizado feito sobre o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, e n\u00e3o sobre a demonstra\u00e7\u00e3o de outra empresa.<\/p>\n<p>&#8220;Preparar um executivo para a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o \u00e9 ensinar ferramenta. \u00c9 devolver a ele a capacidade de decidir sobre o pr\u00f3prio neg\u00f3cio&#8221;, diz Friol.<\/p>\n<p>A pergunta, ent\u00e3o, deixou de ser se o executivo precisa entender intelig\u00eancia artificial. Passou a ser quanto a empresa paga enquanto ele n\u00e3o entende. Na conta de Friol, o custo aparece primeiro na fatura e depois no balan\u00e7o, e \u00e9 sempre maior para quem aprovou sem saber o que estava aprovando.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PulseBrand<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A prioridade que ainda n\u00e3o virou resultado A intelig\u00eancia artificial chegou ao topo da agenda das empresas brasileiras antes de chegar aos resultados. 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