{"id":142103,"date":"2026-10-09T15:54:00","date_gmt":"2026-10-09T18:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/especialista-alerta-a-protecao-vai-alem-da-marca\/"},"modified":"2026-10-09T15:54:00","modified_gmt":"2026-10-09T18:54:00","slug":"especialista-alerta-a-protecao-vai-alem-da-marca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/especialista-alerta-a-protecao-vai-alem-da-marca\/","title":{"rendered":"Especialista alerta: a prote\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da marca"},"content":{"rendered":"<p>Uma pequena f\u00e1brica de cosm\u00e9ticos passa dois anos desenvolvendo um frasco com formato exclusivo. A marca est\u00e1 registrada, o produto chega \u00e0s prateleiras e faz sucesso. Seis meses mais tarde, um concorrente lan\u00e7a um item quase id\u00eantico, com outro nome. O empres\u00e1rio procura um advogado certo de que est\u00e1 totalmente protegido e descobre que pouco pode ser feito: o registro de marca protege o nome, n\u00e3o o formato do frasco. Nesse caso, a conta chegou tarde demais e ficou bem cara.<\/p>\n<p>A cena \u00e9 fict\u00edcia, mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 real e mais comum do que parece. No Brasil, propriedade intelectual virou quase sin\u00f4nimo de registro de marca, e os n\u00fameros confirmam. Segundo o<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpi\/pt-br\/central-de-conteudo\/estatisticas\/arquivos\/publicacoes\/boletim-mensal-de-pi_resultados-de-dezembro-2025.pdf\" target=\"_blank\"> Boletim Mensal de Propriedade Industrial do INPI<\/a>, em 2025 foram 504.461 pedidos de marca, contra 29.557 de patente, 9.872 de desenho industrial e 7.236 de programas de computador. As marcas somaram mais de 90% de todos os pedidos feitos ao instituto. Na pr\u00e1tica, para cada pedido de patente, foram feitos cerca de 17 pedidos de marca.<\/p>\n<p><b>Seis situa\u00e7\u00f5es que a marca n\u00e3o resolve<\/b><\/p>\n<p><b>A c\u00f3pia de produtos.<\/b> Quando o diferencial de um produto est\u00e1 em sua apar\u00eancia, como no caso de embalagens, m\u00f3veis, cal\u00e7ados e lumin\u00e1rias, o registro de desenho industrial \u00e9 um dos principais instrumentos de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Com prazo de vig\u00eancia que pode chegar a 25 anos, o registro assegura direitos sobre a configura\u00e7\u00e3o ornamental do produto, dificultando que concorrentes reproduzam suas caracter\u00edsticas visuais sem autoriza\u00e7\u00e3o, ainda que utilizem outra marca.<\/p>\n<p><b>A inven\u00e7\u00e3o que caiu na rede.<\/b> Uma startup apresenta seu novo equipamento em uma feira, publica v\u00eddeos nas redes sociais e s\u00f3 depois pensa em patente. Ultrapassado o prazo de gra\u00e7a previsto em lei, a pr\u00f3pria divulga\u00e7\u00e3o pode eliminar a novidade e inviabilizar o pedido. A patente de inven\u00e7\u00e3o garante 20 anos de exclusividade; a de modelo de utilidade, 15. Para quem vive de lan\u00e7ar novidades, a ordem dos fatores faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><b>O software sem dono.<\/b> A empresa contrata um programador freelancer para desenvolver seu aplicativo, sem contrato de cess\u00e3o de direitos. Anos depois, na rodada com investidores, surge a pergunta inc\u00f4moda: de quem \u00e9 o c\u00f3digo? O programa de computador \u00e9 protegido pela Lei n\u00ba 9.609\/1998, e o registro no INPI funciona como prova de autoria e de data.<\/p>\n<p><b>A f\u00f3rmula que saiu pela porta.<\/b> Receitas, processos e listas de clientes nem sempre devem ser patenteados; \u00e0s vezes, o melhor \u00e9 mant\u00ea-los em segredo. A lei pune quem divulga ou usa essas informa\u00e7\u00f5es indevidamente, mas a empresa precisa demonstrar que elas eram tratadas como confidenciais. Sem acordos de sigilo e controle de acesso, essa prova fica dif\u00edcil.<\/p>\n<p><b>O conte\u00fado que n\u00e3o \u00e9 seu.<\/b> Fotos, v\u00eddeos, cursos e textos produzidos para a empresa s\u00e3o obras protegidas por direito autoral, independentemente de registro. Quando o contrato n\u00e3o define quem \u00e9 o titular, o material pode virar motivo de disputa com a ag\u00eancia ou o profissional que o criou.<\/p>\n<p><b>A venda que travou.<\/b> Na hora de receber um investimento ou vender o neg\u00f3cio, compradores e investidores fazem uma auditoria detalhada dos ativos. Patente que nunca foi pedida, software registrado em nome de terceiro ou contrato sem cl\u00e1usula de propriedade intelectual derrubam o valor da empresa e, em alguns casos, a pr\u00f3pria negocia\u00e7\u00e3o. O que parecia detalhe burocr\u00e1tico vira desconto na mesa.<\/p>\n<p><b>Bons em marcas, t\u00edmidos em inova\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O retrato se repete fora do pa\u00eds. No<a href=\"https:\/\/istoedinheiro.com.br\/brasil-ranking-inovacao\" target=\"_blank\"> \u00cdndice Global de Inova\u00e7\u00e3o 2025<\/a>, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o Brasil ficou na 52\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 139 economias. Um dos indicadores em que o pa\u00eds mais se destaca \u00e9 justamente o volume de marcas registradas, no qual ocupa o 9\u00ba lugar no mundo. Em outras palavras, o empres\u00e1rio brasileiro aprendeu a proteger o nome do neg\u00f3cio, mas ainda protege pouco aquilo que o neg\u00f3cio cria: tecnologia, design e conhecimento.<\/p>\n<p>H\u00e1 sinais de mudan\u00e7as. Ainda segundo o<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpi\/pt-br\/central-de-conteudo\/estatisticas\/arquivos\/publicacoes\/boletim-mensal-de-pi_resultados-de-dezembro-2025.pdf\" target=\"_blank\"> INPI<\/a>, os pedidos de registro de programas de computador cresceram 36,2% em 2025 e os de desenho industrial, 35,7%, avan\u00e7o em parte ligado \u00e0 ades\u00e3o do Brasil ao Acordo de Haia.<\/p>\n<p><b>&#8220;A marca protege o nome; o resto pode estar descoberto&#8221;<\/b><\/p>\n<p>Para Paula Oliveira J\u00falio, advogada especialista em Propriedade Intelectual e s\u00f3cia da Legal Lab, as hist\u00f3rias acima se repetem no dia a dia do escrit\u00f3rio. &#8220;Muitas empresas nos procuram para registrar a marca e, ao conversarmos sobre o neg\u00f3cio, descobrimos um software sem titularidade definida, um produto que pode ser copiado amanh\u00e3 ou uma f\u00f3rmula circulando sem nenhum acordo de confidencialidade. A marca protege o nome; o resto pode estar descoberto&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ela, o primeiro passo \u00e9 olhar para dentro: mapear o que a empresa cria, desenvolve e utiliza, e ent\u00e3o escolher a ferramenta certa para cada ativo, seja patente, desenho industrial, registro de software, cl\u00e1usula de cess\u00e3o de direitos ou pol\u00edtica de confidencialidade.<\/p>\n<p>Quatro perguntas ajudam a come\u00e7ar: o que a empresa tem de diferente que um concorrente gostaria de copiar? Quem criou cada produto, c\u00f3digo ou conte\u00fado, e existe contrato dizendo de quem ele \u00e9? Alguma novidade ser\u00e1 apresentada ao p\u00fablico nos pr\u00f3ximos meses? E quais informa\u00e7\u00f5es, se vazassem amanh\u00e3, causariam preju\u00edzo real ao neg\u00f3cio?<\/p>\n<p>&#8220;O tempo \u00e9 decisivo. Muitas vezes o empres\u00e1rio s\u00f3 nos procura depois da c\u00f3pia, quando a prote\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Planejar antes custa bem menos do que tentar consertar depois&#8221;, acrescenta a advogada. Ela lembra que o caminho inverso tamb\u00e9m \u00e9 comum: &#8220;H\u00e1 empresas que descobrem, ao fazer esse mapeamento, que t\u00eam muito mais valor guardado do que imaginavam. Uma ferramenta interna, um m\u00e9todo de trabalho, um design criado pela equipe. Tudo isso pode ser protegido e, depois, licenciado ou negociado.&#8221;<\/p>\n<p>Para quem inova, a pergunta deixou de ser se vale a pena proteger e passou a ser o que ainda est\u00e1 exposto.<\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/legallab.com.br\/\" target=\"_blank\">https:\/\/legallab.com.br\/<\/a><\/p>\n<p>Foto: Canva<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma pequena f\u00e1brica de cosm\u00e9ticos passa dois anos desenvolvendo um frasco com formato exclusivo. A marca est\u00e1 registrada, o produto chega \u00e0s prateleiras e faz sucesso. 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