{"id":142076,"date":"2026-10-09T14:45:00","date_gmt":"2026-10-09T17:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pressworks\/do-bisturi-ao-alvo-a-nova-logica-da-uro-oncologia\/"},"modified":"2026-10-09T14:45:00","modified_gmt":"2026-10-09T17:45:00","slug":"do-bisturi-ao-alvo-a-nova-logica-da-uro-oncologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pressworks\/do-bisturi-ao-alvo-a-nova-logica-da-uro-oncologia\/","title":{"rendered":"Do bisturi ao alvo: a nova l\u00f3gica da uro-oncologia"},"content":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, a cirurgia ocupou o centro do tratamento de boa parte dos tumores urol\u00f3gicos, muitas vezes com a retirada do \u00f3rg\u00e3o afetado. Com o avan\u00e7o das op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas, a decis\u00e3o passou a considerar uma equa\u00e7\u00e3o mais ampla: como controlar a doen\u00e7a, preservar fun\u00e7\u00f5es e manter a qualidade de vida, sem abrir m\u00e3o da seguran\u00e7a oncol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;O futuro da uro-oncologia n\u00e3o \u00e9 tratar mais, \u00e9 tratar melhor, escolhendo para cada paciente o tratamento correto, no momento certo, sem abrir m\u00e3o do controle da doen\u00e7a&#8221;, resume o uro-oncologista Renato Mariano.<\/p>\n<p>\u00c9 no c\u00e2ncer de bexiga que essa mudan\u00e7a se mostra mais evidente hoje, na avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico. &#8220;Acredito que os avan\u00e7os no tratamento do c\u00e2ncer de bexiga sejam hoje o grande destaque da uro-oncologia, especialmente com a chegada de novas terapias sist\u00eamicas&#8221;, afirma. A incorpora\u00e7\u00e3o de novas combina\u00e7\u00f5es de tratamentos tem ampliado as possibilidades de controle da doen\u00e7a em diferentes cen\u00e1rios. Paralelamente, estrat\u00e9gias de preserva\u00e7\u00e3o vesical v\u00eam ganhando espa\u00e7o em pacientes cuidadosamente selecionados, permitindo, em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, tratar o tumor sem a retirada da bexiga. S\u00e3o frentes distintas, que refletem uma mesma evolu\u00e7\u00e3o: oferecer alternativas cada vez mais individualizadas, de acordo com as caracter\u00edsticas da doen\u00e7a e do paciente.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a de paradigma tamb\u00e9m aparece de forma clara no c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, embora por caminhos diferentes. Pacientes com tumores de baixo risco podem hoje permanecer em vigil\u00e2ncia ativa, com acompanhamento rigoroso, sem cirurgia nem radioterapia imediatas. Quando o tratamento \u00e9 necess\u00e1rio, terapias focais podem tratar de forma mais localizada a regi\u00e3o comprometida, preservando o restante da gl\u00e2ndula em pacientes selecionados. J\u00e1 na doen\u00e7a avan\u00e7ada, o lut\u00e9cio-177 ligado ao PSMA trouxe uma nova maneira de levar o tratamento diretamente \u00e0s c\u00e9lulas do c\u00e2ncer. O que chama aten\u00e7\u00e3o agora \u00e9 que essa estrat\u00e9gia, inicialmente utilizada em fases mais avan\u00e7adas da doen\u00e7a, vem sendo estudada e incorporada cada vez mais cedo, em momentos em que a doen\u00e7a ainda pode ser melhor controlada. Essa tend\u00eancia de antecipar tratamentos mais precisos \u00e9 um dos exemplos de como a uro-oncologia vem mudando sua forma de tratar o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 impulsionada, na avalia\u00e7\u00e3o de Renato Mariano, pela rapidez com que novos conhecimentos se traduzem em tratamentos dispon\u00edveis na pr\u00e1tica cl\u00ednica. &#8220;O mais importante \u00e9 a velocidade com que esses avan\u00e7os est\u00e3o chegando aos pacientes. Estamos vivendo um momento em que descobertas que antes levavam anos para mudar a pr\u00e1tica come\u00e7am a fazer parte das decis\u00f5es cl\u00ednicas em um intervalo cada vez menor&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Esse mesmo avan\u00e7o esbarra, no entanto, em uma percep\u00e7\u00e3o que o m\u00e9dico faz quest\u00e3o de desfazer, a de que tratamento mais agressivo \u00e9 sin\u00f4nimo de tratamento mais eficaz. &#8220;Um tratamento mais mutilante n\u00e3o precisa ser sempre a regra. O objetivo \u00e9 controlar ou curar o c\u00e2ncer, preservando, sempre que poss\u00edvel, a fun\u00e7\u00e3o e a qualidade de vida&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, isso se traduz em uma decis\u00e3o cada vez menos padronizada. &#8220;Temos terapias sist\u00eamicas mais efetivas e exames mais precisos, o que permite individualizar melhor a decis\u00e3o para cada paciente&#8221;, explica Renato Mariano. A cirurgia continua sendo fundamental na uro-oncologia, mas hoje faz parte de um conjunto mais amplo de possibilidades, que inclui vigil\u00e2ncia ativa, terapias focais, estrat\u00e9gias de preserva\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e novos tratamentos sist\u00eamicos. A escolha da estrat\u00e9gia depende do tipo de tumor, do est\u00e1gio da doen\u00e7a e das caracter\u00edsticas de cada paciente.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PressWorks<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante d\u00e9cadas, a cirurgia ocupou o centro do tratamento de boa parte dos tumores urol\u00f3gicos, muitas vezes com a retirada do \u00f3rg\u00e3o afetado. 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