{"id":141975,"date":"2026-10-08T17:09:00","date_gmt":"2026-10-08T20:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/o-pais-que-o-proximo-presidente-vai-encontrar\/"},"modified":"2026-10-08T17:09:00","modified_gmt":"2026-10-08T20:09:00","slug":"o-pais-que-o-proximo-presidente-vai-encontrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/o-pais-que-o-proximo-presidente-vai-encontrar\/","title":{"rendered":"O pa\u00eds que o pr\u00f3ximo presidente vai encontrar"},"content":{"rendered":"<p>Passado o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es, come\u00e7a outra discuss\u00e3o t\u00e3o importante quanto a disputa pelo Pal\u00e1cio do Planalto: qual pa\u00eds o pr\u00f3ximo governo encontrar\u00e1 pela frente? Uma parte importante desse cen\u00e1rio j\u00e1 est\u00e1 definida. O PL saiu das urnas como a maior for\u00e7a do novo Congresso. Na C\u00e2mara dos Deputados, elegeu 121 dos 513 parlamentares, enquanto o conjunto dos partidos de direita passou a ocupar cerca de 59% das cadeiras. No Senado, onde dois ter\u00e7os das vagas foram renovados, o PL tamb\u00e9m ter\u00e1 a maior bancada: 28 dos 81 senadores.\u00a0<\/p>\n<p>Para a economia, a nova composi\u00e7\u00e3o do Congresso pode abrir mais espa\u00e7o para propostas de conten\u00e7\u00e3o de gastos, reformas administrativas e mudan\u00e7as nas regras fiscais, pautas que s\u00e3o abertamente defendidas por partidos que ganharam peso nas urnas. Mas n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que haver\u00e1 maior disciplina fiscal. Nenhum partido tem maioria suficiente para aprovar sozinho essa agenda econ\u00f4mica, que continuar\u00e1 dependendo de negocia\u00e7\u00f5es entre o Executivo, o PL, o Centr\u00e3o e outras bancadas. E, claro, de quem vencer a Presid\u00eancia e de sua capacidade de formar maioria.\u00a0<\/p>\n<p>E talvez o desafio mais imediato esteja nas contas p\u00fablicas. A velocidade da deteriora\u00e7\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o. De acordo com o <a href=\"https:\/\/bcb.gov.br\/content\/estatisticas\/hist_estatisticasfiscais\/202601_Texto_de_estatisticas_fiscais.pdf\" target=\"_blank\">Banco Central<\/a>, a d\u00edvida bruta do setor p\u00fablico, considerando Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, chegou a cerca de R$ 10 trilh\u00f5es no fim de 2025. Em apenas seis meses, em julho de 2026, essa conta j\u00e1 havia aumentado em cerca de R$ 900 bilh\u00f5es. Segundo Ot\u00e1vio Fakhoury, administrador pela FGV e especialista em mercado financeiro e de renda fixa, os juros elevados s\u00e3o um dos principais combust\u00edveis para esse crescimento. E as proje\u00e7\u00f5es mostram que o problema pode atravessar todo o pr\u00f3ximo mandato. A <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/ifi\/noticias\/ifi-preve-cenario-preocupante-e-desafiador-para-o-proximo-mandato-presidencial\" target=\"_blank\">Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente<\/a>, ligada ao Senado, projeta d\u00edvida de\u00a086,4% do PIB em 2027, chegando a quase 96% do PIB em 2030.\u00a0Mais importante que os n\u00fameros \u00e9 o alerta feito pela pr\u00f3pria IFI: mantida a trajet\u00f3ria, o crescimento do endividamento \u201cpode se tornar insustent\u00e1vel no m\u00e9dio prazo\u201d. Para Fakhoury, o pr\u00f3ximo governo n\u00e3o receber\u00e1 simplesmente uma d\u00edvida elevada. Receber\u00e1 uma d\u00edvida que ainda n\u00e3o encontrou um ponto de estabiliza\u00e7\u00e3o, e essa situa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 consequ\u00eancias fora de Bras\u00edlia. Quando aumenta a percep\u00e7\u00e3o de risco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s contas p\u00fablicas, investidores tendem a exigir remunera\u00e7\u00e3o maior para financiar o governo. &#8220;Como os t\u00edtulos p\u00fablicos s\u00e3o uma refer\u00eancia importante para a forma\u00e7\u00e3o das taxas de juros na economia, o problema fiscal pode chegar ao cr\u00e9dito das empresas, ao financiamento imobili\u00e1rio e ao consumidor&#8221;, diz Fakhoury.<\/p>\n<p>Outro desafio ser\u00e1 justamente lidar com juros altos em uma economia que j\u00e1 come\u00e7a a perder f\u00f4lego. Em setembro, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano. \u00c9 uma trajet\u00f3ria de queda, mas partindo de um patamar ainda elevado. Ao mesmo tempo, a atividade econ\u00f4mica come\u00e7ou a apresentar sinais de perda de ritmo. Segundo o <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/economicas\/industria\/9300-contas-nacionais-trimestrais.html\" target=\"_blank\">IBGE<\/a>, o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, mas perdeu for\u00e7a no segundo, quando avan\u00e7ou apenas 0,5%.\u00a0Nesse per\u00edodo, a ind\u00fastria praticamente parou: cresceu apenas 0,1%. J\u00e1 o consumo das fam\u00edlias caiu 0,4% no segundo trimestre, a maior retra\u00e7\u00e3o desde o fim de 2024. E quando um componente que representa perto de dois ter\u00e7os da economia perde for\u00e7a, o impacto sobre o crescimento do pa\u00eds \u00e9 enorme.\u00a0Para Fakhoury, a quest\u00e3o central ser\u00e1 combinar crescimento, emprego e infla\u00e7\u00e3o com uma pol\u00edtica fiscal capaz de interromper a eleva\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. \u201cEssas vari\u00e1veis est\u00e3o relacionadas: juros altos encarecem o servi\u00e7o da d\u00edvida; d\u00edvida crescente pode manter elevado o pr\u00eamio exigido pelos investidores e cr\u00e9dito caro limita consumo e investimento\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a\u00a0reforma tribut\u00e1ria, que j\u00e1 come\u00e7ou a sair do papel em 2026, com o ano-teste da CBS e do IBS e a adapta\u00e7\u00e3o de sistemas e documentos fiscais. Por\u00e9m, ser\u00e1 em 2027 que a mudan\u00e7a ganhar\u00e1 outra dimens\u00e3o: a CBS passa a ser efetivamente cobrada, PIS e Cofins s\u00e3o extintos e entra em vigor o Imposto Seletivo. &#8220;O pr\u00f3ximo governo, portanto, assumir\u00e1 justamente quando uma das maiores mudan\u00e7as do sistema tribut\u00e1rio brasileiro passar da fase de testes para a aplica\u00e7\u00e3o efetiva. E essa transi\u00e7\u00e3o exigir\u00e1 adapta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, regulamenta\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o entre diferentes n\u00edveis de governo, desafios que a pr\u00f3pria Receita Federal reconhece\u201d, aponta o especialista.\u00a0<\/p>\n<p>Outro n\u00f3 ser\u00e1 encontrar espa\u00e7o para investir dentro de um or\u00e7amento cada vez mais r\u00edgido. \u00c0 medida que as despesas obrigat\u00f3rias crescem e o governo precisa cumprir limites fiscais, o ajuste tende a recair sobre aquilo que pode ser cortado: investimentos, obras e outras despesas discricion\u00e1rias.\u00a0Esse talvez seja um dos aspectos mais complexos politicamente. Quando as despesas obrigat\u00f3rias crescem e o governo precisa cumprir limites fiscais, o ajuste tende a cair sobre aquilo que pode ser cortado: investimentos, obras e outras despesas discricion\u00e1rias.\u00a0A pr\u00f3pria <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/ifi\/pdf\/raf116_set2026.pdf\" target=\"_blank\">IFI<\/a> alerta que, em 2027, poder\u00e1 ser necess\u00e1rio bloquear ao menos <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/ifi\/pdf\/raf116_set2026.pdf\" target=\"_blank\">R$ 35,7 bilh\u00f5es<\/a> para tentar cumprir formalmente a meta fiscal.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 um desafio menos imediato, mas decisivo para o crescimento de longo prazo: produtividade e investimento. Esse \u00e9 o problema estrutural. A <a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/2026\/04\/foundations-for-growth-and-competitiveness-2026_f68a156b.html\" target=\"_blank\">OCDE<\/a> aponta que o investimento brasileiro continua fraco e que o crescimento da produtividade est\u00e1 estagnado. Entre as medidas capazes de melhorar esse quadro, citam-se infraestrutura, maior concorr\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o de barreiras regulat\u00f3rias. Sem ganho de produtividade, fica muito mais \u00e1rduo crescer de forma sustentada, elevar sal\u00e1rios e, ao mesmo tempo, melhorar as contas p\u00fablicas. &#8220;O novo governo assumir\u00e1 com pouco espa\u00e7o para erros. &#8220;O desafio ser\u00e1 recuperar f\u00f4lego para a economia sem perder de vista o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas&#8221;, completa Fakhoury.\u00a0E resume o tamanho do desafio que estar\u00e1 sobre a mesa a partir de janeiro: \u201cO novo governo assumir\u00e1 com pouco espa\u00e7o para erros. O desafio ser\u00e1 recuperar f\u00f4lego para a economia sem perder de vista a necessidade de colocar as contas p\u00fablicas em uma trajet\u00f3ria mais sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/instagram.com\/otaviofakhoury\" target=\"_blank\">https:\/\/instagram.com\/otaviofakhoury<\/a><\/p>\n<p>Foto: Ot\u00e1vio Fackoury<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Passado o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es, come\u00e7a outra discuss\u00e3o t\u00e3o importante quanto a disputa pelo Pal\u00e1cio do Planalto: qual pa\u00eds o pr\u00f3ximo governo encontrar\u00e1 pela frente? 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