{"id":141831,"date":"2026-10-07T14:06:00","date_gmt":"2026-10-07T17:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/obesidade-e-lipedema-exigem-cuidado-para-alem-da-balanca\/"},"modified":"2026-10-07T14:06:00","modified_gmt":"2026-10-07T17:06:00","slug":"obesidade-e-lipedema-exigem-cuidado-para-alem-da-balanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/obesidade-e-lipedema-exigem-cuidado-para-alem-da-balanca\/","title":{"rendered":"Obesidade e lipedema exigem cuidado para al\u00e9m da balan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Mais de seis em cada dez adultos das capitais brasileiras est\u00e3o acima do peso, e a obesidade atinge 25,7% dessa popula\u00e7\u00e3o, segundo dados de 2024 do Sistema de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (<a href=\"https:\/\/svs.aids.gov.br\/daent\/cgdnt\/vigitel\/vigitel-2006-2024-brasil.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\">Vigitel<\/a>), divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O excesso de peso alcan\u00e7ou 62,6% dos adultos. Em janeiro de 2026, o lipedema, condi\u00e7\u00e3o que afeta sobretudo mulheres e costuma ser confundida com excesso de gordura, ganhou defini\u00e7\u00e3o internacional em <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-68232-z\" target=\"_blank\">consenso publicado<\/a> na revista Nature Communications, com 59 recomenda\u00e7\u00f5es aprovadas por especialistas.<\/p>\n<p>Para a Dra. Dayane Alves, com forma\u00e7\u00e3o em Nutrologia, Medicina de Fam\u00edlia e Gerontologia, os dois cen\u00e1rios exigem que o cuidado com a sa\u00fade feminina ultrapasse o n\u00famero exibido na balan\u00e7a. \u201cO emagrecimento n\u00e3o deveria ser tratado simplesmente como uma tentativa de fazer a balan\u00e7a diminuir\u201d, afirma. Segundo a m\u00e9dica, a regula\u00e7\u00e3o do peso corporal envolve mecanismos metab\u00f3licos, neuroend\u00f3crinos, comportamentais, ambientais e emocionais, o que torna insuficiente a l\u00f3gica de apenas comer menos e gastar mais.<\/p>\n<p>\u201cQuando avaliamos apenas o peso ou prescrevemos uma medica\u00e7\u00e3o ou dieta de maneira isolada, podemos deixar de identificar justamente os fatores que est\u00e3o dificultando o resultado que almejamos durante o tratamento\u201d, explica. Na avalia\u00e7\u00e3o da Dra. Dayane Alves, compreender a obesidade como fruto exclusivo de escolhas individuais ou de falta de disciplina n\u00e3o corresponde ao conhecimento cient\u00edfico atual. \u201cDuas mulheres com o mesmo peso podem ter composi\u00e7\u00f5es corporais, perfis metab\u00f3licos e necessidades completamente diferentes\u201d, frisa.<\/p>\n<p><b>Horm\u00f4nios e fases da vida<\/b><\/p>\n<p>O corpo feminino apresenta, em geral, maior percentual de gordura e tend\u00eancia de dep\u00f3sito nos quadris e nas coxas, enquanto os homens acumulam proporcionalmente mais gordura abdominal. De acordo com a m\u00e9dica, estrog\u00eanio e progesterona participam da regula\u00e7\u00e3o do metabolismo energ\u00e9tico, do uso de carboidratos e gorduras e da composi\u00e7\u00e3o corporal.<\/p>\n<p>\u201cDurante o pr\u00f3prio ciclo menstrual, as oscila\u00e7\u00f5es desses horm\u00f4nios podem modificar o gasto energ\u00e9tico e a maneira como diferentes nutrientes s\u00e3o utilizados pelo organismo da mulher\u201d, detalha. Por isso, a mesma estrat\u00e9gia alimentar ou de treino n\u00e3o gera respostas iguais em todas as mulheres.<\/p>\n<p>Na transi\u00e7\u00e3o para a menopausa, a queda progressiva do estrog\u00eanio altera o balan\u00e7o energ\u00e9tico, favorece o ac\u00famulo de gordura abdominal e visceral e intensifica a perda de massa muscular. A m\u00e9dica observa que a gordura visceral est\u00e1 associada \u00e0 resist\u00eancia \u00e0 insulina, \u00e0 dislipidemia, \u00e0 s\u00edndrome metab\u00f3lica, ao diabetes tipo 2 e ao maior risco cardiovascular, o que torna a preserva\u00e7\u00e3o muscular, com alimenta\u00e7\u00e3o adequada e exerc\u00edcio regular, prioridade nessa fase.<\/p>\n<p>O sono integra essa equa\u00e7\u00e3o. O mesmo levantamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade identificou que 36,2% das mulheres nas capitais relatam ao menos um sintoma de ins\u00f4nia, ante 26,2% dos homens. \u201cEstresse, qualidade do sono, ingest\u00e3o de \u00e1lcool ou outras subst\u00e2ncias t\u00f3xicas e a rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo ir\u00e3o influenciar o comportamento alimentar, a disposi\u00e7\u00e3o para praticar atividade f\u00edsica e a capacidade de manter as mudan\u00e7as de h\u00e1bito no longo prazo\u201d, enfatiza Dra. Dayane Alves.<\/p>\n<p><b>Sinais que diferenciam o lipedema<\/b><\/p>\n<p>No Brasil, um <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/jvb\/a\/Q9yR3XdzXVbrsB37KQD3mfg\/?lang=pt\" target=\"_blank\">estudo populacional<\/a> publicado em 2022 no Jornal Vascular Brasileiro estimou em 12,3% a parcela de mulheres adultas com sintomas compat\u00edveis com alta probabilidade de lipedema. Ainda assim, a doen\u00e7a costuma ser confundida com obesidade, gordura localizada, linfedema ou altera\u00e7\u00e3o venosa, segundo a m\u00e9dica, tamb\u00e9m porque nenhum exame de sangue ou de imagem a confirma.<\/p>\n<p>\u201cNo lipedema, o ac\u00famulo de gordura costuma ser bilateral, sim\u00e9trico e excessivo, acometendo principalmente a regi\u00e3o dos quadris, coxas e pernas e, em alguns casos, tamb\u00e9m os bra\u00e7os\u201d, descreve. P\u00e9s e m\u00e3os costumam ser poupados, o que gera uma interrup\u00e7\u00e3o abrupta do tecido adiposo, semelhante a um degrau, conhecida como sinal do manguito. Dor, sensibilidade ao toque, sensa\u00e7\u00e3o de peso, incha\u00e7o e facilidade para formar hematomas comp\u00f5em o quadro, que tende a surgir ou se acentuar na puberdade, na gesta\u00e7\u00e3o e na menopausa, muitas vezes com hist\u00f3rico semelhante entre mulheres da mesma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica acrescenta que muitas pacientes conseguem reduzir medidas no tronco e no abd\u00f4men, mas mant\u00eam as pernas desproporcionalmente volumosas. \u201c\u00c9 importante lembrar que obesidade e lipedema podem estar presentes simultaneamente. Da mesma forma, ter pernas volumosas ou gordura localizada n\u00e3o significa necessariamente ter lipedema\u201d, pondera.<\/p>\n<p>H\u00e1 ind\u00edcios de que esse tecido responda de forma diferente ao estrog\u00eanio, mas, como ela ressalta, boa parte das pesquisas ainda \u00e9 observacional ou experimental, e n\u00e3o existe terapia hormonal espec\u00edfica comprovada para a doen\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Cuidado ao longo do tempo<\/b><\/p>\n<p>Os autores do consenso internacional apontam lacunas de evid\u00eancia e defendem mais pesquisa e padroniza\u00e7\u00e3o de dados para enfrentar o que classificam como uma disparidade na sa\u00fade das mulheres. Para a Dra. Dayane Alves, obesidade e lipedema n\u00e3o admitem interven\u00e7\u00e3o \u00fanica, e dietas restritivas tendem a gerar mudan\u00e7as tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p>O acompanhamento longitudinal, segundo ela, permite acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o corporal, da for\u00e7a e da funcionalidade, al\u00e9m de ajustar alimenta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica, sono e, quando houver indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, tratamentos farmacol\u00f3gicos. \u201cNo lipedema, isso \u00e9 especialmente importante porque o objetivo n\u00e3o deve ser apenas est\u00e9tico. Precisamos pensar em dor, mobilidade, edema, capacidade funcional, sa\u00fade metab\u00f3lica, qualidade de vida e tamb\u00e9m no impacto emocional que uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e frequentemente incompreendida pode produzir\u201d, diz.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica avalia que o v\u00ednculo constru\u00eddo entre consultas melhora a comunica\u00e7\u00e3o com a paciente e tende a favorecer diagn\u00f3sticos e condutas mais precisos. \u201cEm condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, como obesidade e lipedema, o cuidado n\u00e3o deve ser baseado em solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, mas em uma estrat\u00e9gia constru\u00edda e ajustada ao longo do tempo, de acordo com as necessidades de cada mulher\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es, basta acessar: <a href=\"https:\/\/dradayanealves.med.br\/\" target=\"_blank\">https:\/\/dradayanealves.med.br\/<\/a><\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/dradayanealves.med.br\/\" target=\"_blank\">https:\/\/dradayanealves.med.br\/<\/a><\/p>\n<p>Foto: Imagem do Magnific<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais de seis em cada dez adultos das capitais brasileiras est\u00e3o acima do peso, e a obesidade atinge 25,7% dessa popula\u00e7\u00e3o, segundo dados de 2024 do Sistema de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e","protected":false},"author":1,"featured_media":141832,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[11470],"tags":[12397,300,12398,12395],"class_list":["post-141831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-knewin-dino","tag-ciencia","tag-negocios","tag-saude-e-bem-estar","tag-sociedade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}