{"id":141654,"date":"2026-10-06T10:10:00","date_gmt":"2026-10-06T13:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/como-a-preservacao-d-e-acervo-revelou-a-historia-da-usina-flutuante-poraque\/"},"modified":"2026-10-06T14:31:40","modified_gmt":"2026-10-06T17:31:40","slug":"como-a-preservacao-d-e-acervo-revelou-a-historia-da-usina-flutuante-poraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/como-a-preservacao-d-e-acervo-revelou-a-historia-da-usina-flutuante-poraque\/","title":{"rendered":"Como a preserva\u00e7\u00e3o de acervo revelou a hist\u00f3ria da Usina Flutuante Poraqu\u00ea"},"content":{"rendered":"<p><i>Pesquisa<\/i> <i> da Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/i> <i> cruzou documentos, fotografias e registros t\u00e9cnicos para reconstruir a trajet\u00f3ria da embarca\u00e7\u00e3o que abasteceu cidades brasileiras por quatro d\u00e9cadas<\/i><\/p>\n<p>As navega\u00e7\u00f5es da Usina Flutuante Poraqu\u00ea ganharam forma em uma exposi\u00e7\u00e3o no Google Arts &amp; Culture em julho de 2026, mas, por anos, ficou preservada no acervo da Mem\u00f3ria da Eletricidade, at\u00e9 ser descoberta pelos pesquisadores. Constru\u00edda nos Estados Unidos para auxiliar no abastecimento durante a Segunda Guerra Mundial, na d\u00e9cada de 1950 foi trazida ao Brasil e, at\u00e9 1991, levou energia a cidades de Norte a Sul do pa\u00eds, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Manaus, em momentos de crise de abastecimento.<\/p>\n<p>Por meio de fotografias hist\u00f3ricas, documentos, registros t\u00e9cnicos, conte\u00fados audiovisuais e imagens que reconstroem a estrutura interna da usina com aux\u00edlio de Intelig\u00eancia Artificial, a mostra, intitulada \u201cA Usina Flutuante que Navegou o Brasil\u201d permite que o visitante conhe\u00e7a toda a trajet\u00f3ria da embarca\u00e7\u00e3o, que chegou ao pa\u00eds em um contexto de expans\u00e3o no fornecimento de energia. Entre 1950 e 1961, a ent\u00e3o chamada Piraqu\u00ea forneceu energia, principalmente \u00e0 cidade do Rio de Janeiro e a Niter\u00f3i, munic\u00edpio vizinho.<\/p>\n<p>Depois, foi levada a Porto Alegre, onde permaneceu por aproximadamente sete anos, e, posteriormente, \u00e0 Amaz\u00f4nia, quando foi rebatizada de Poraqu\u00ea (alus\u00e3o ao peixe el\u00e9trico amaz\u00f4nico). Permaneceu em Manaus por cerca de tr\u00eas anos, at\u00e9 ser deslocada para Bel\u00e9m, no Par\u00e1, em 1978. Por fim, em 1991, teve sua opera\u00e7\u00e3o interrompida e foi afundada propositalmente no Rio Tocantins, no munic\u00edpio de Camet\u00e1 (PA), para servir como barreira contra eros\u00f5es na orla.<\/p>\n<p>\u201cA ideia surgiu porque a hist\u00f3ria da usina Poraqu\u00ea \u00e9 muito curiosa e ao mesmo tempo pouco conhecida. A pr\u00f3pria exist\u00eancia de uma usina termel\u00e9trica flutuante j\u00e1 desperta uma s\u00e9rie de perguntas, o que nos fez entender que a Poraqu\u00ea poderia ser o fio condutor para contar uma hist\u00f3ria bem mais inusitada do que a maioria das que costumamos contar. Fomos acompanhando essa usina como quem acompanha uma personagem\u201d, conta a historiadora Bruna Martoni, respons\u00e1vel pela pesquisa e curadoria das exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20261006101011161505-artigopreservaop-1.jpg\" alt=\"Pesquisadora Bruna Martoni durante trabalho de preserva\u00e7\u00e3o. Foto: Leila Guimar\u00e3es \/ Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Pesquisadora Bruna Martoni durante trabalho de preserva\u00e7\u00e3o. Foto: Leila Guimar\u00e3es \/ Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisa teve in\u00edcio com o estudo e a identifica\u00e7\u00e3o de itens do acervo capazes de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o dessa narrativa hist\u00f3rica. A pesquisadora lembra que n\u00e3o havia documentos contando a trajet\u00f3ria do in\u00edcio ao fim, e que as informa\u00e7\u00f5es estavam presentes em fragmentos como fotografias, jornais, publica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, plantas, documentos institucionais e registros produzidos em momentos diferentes.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s o levantamento e maior entendimento das viagens da Poraqu\u00ea, fizemos uma cronologia mais ampla. Depois come\u00e7amos a cruzar as fontes para confirmar datas, lugares, mudan\u00e7as de nome e momentos de opera\u00e7\u00e3o da usina. \u00c0 medida que a trajet\u00f3ria ficava mais clara, tamb\u00e9m fomos entendendo quais hist\u00f3rias poderiam ser contadas em cada etapa\u201d, explica Martoni.<\/p>\n<p>Um dos materiais que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o durante a pesquisa foi uma publica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de 1952, que continha detalhes internos da usina como registros dos equipamentos e espa\u00e7os de trabalho. \u201cDe repente, aquela embarca\u00e7\u00e3o que nas fotografias parece uma grande estrutura industrial come\u00e7a a revelar a cozinha, \u00e1reas de armazenamento, corredores e lugares ocupados pelas pessoas que trabalhavam ali\u201d, comenta.<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20261006101011161505-artigopreservaop-2.jpg\" alt=\"Equipamentos internos da Usina Flutuante Poraqu\u00ea. Foto: Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Equipamentos internos da Usina Flutuante Poraqu\u00ea. Foto: Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o tinha 109 metros de comprimento, 5.500 toneladas e funcionava com 25.000kW de pot\u00eancia, gerando cerca de 600 MWh por dia, volume pr\u00f3ximo ao consumo mensal estimado do Maracan\u00e3 atualmente. A usina, inicialmente chamada de Seapower, foi constru\u00edda junto de outras tr\u00eas flutuantes: Impedance, Inductance e Resistance.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que a trajet\u00f3ria da Poraqu\u00ea ensina, na hist\u00f3ria do setor el\u00e9trico, a necessidade e o aprendizado sobre adapta\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o. Sua tecnologia foi criada para uma determinada necessidade e que foi sendo deslocada, transformada e reutilizada ao longo de d\u00e9cadas\u201d, conclui Martoni.<\/p>\n<p>Os trabalhos de preserva\u00e7\u00e3o permitem que documentos produzidos d\u00e9cadas atr\u00e1s sejam revisitados e fa\u00e7am novas perguntas no presente, o que d\u00e1 vida a hist\u00f3rias como a de Poraqu\u00ea. Acesse gratuitamente \u201c A Usina Flutuante que Navegou o Brasil\u201d na plataforma <a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/story\/CQVhBQZmKgs6iA\" target=\"_blank\"><u>Google Arts &amp; Culture<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>Com objetivo de preservar, documentar e disseminar a trajet\u00f3ria do setor el\u00e9trico brasileiro, a Mem\u00f3ria da Eletricidade atua desde 1986 como a \u00fanica entidade nacional com essa miss\u00e3o. Realiza projetos de pesquisa hist\u00f3rica, conserva\u00e7\u00e3o de acervos, produ\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es e coleta de relatos de hist\u00f3ria oral, promovendo o conhecimento sobre a trajet\u00f3ria e os desafios da energia no Brasil. Seu acervo re\u00fane milhares de documentos, fotografias, v\u00eddeos e registros sonoros que contam a evolu\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisa da Mem\u00f3ria da Eletricidade cruzou documentos, fotografias e registros t\u00e9cnicos para reconstruir a trajet\u00f3ria da embarca\u00e7\u00e3o que abasteceu cidades brasileiras por quatro d\u00e9cadas As","protected":false},"author":1,"featured_media":141655,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[1680],"tags":[],"class_list":["post-141654","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-memoria-da-eletricidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141654"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141701,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141654\/revisions\/141701"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}