{"id":141146,"date":"2026-09-30T14:55:00","date_gmt":"2026-09-30T17:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/engenheiro-odair-jose-mannrich-analisa-como-automacao-e-manutencao-podem-reduzir-o-consumo-de-energia-no-saneamento\/"},"modified":"2026-09-30T14:55:00","modified_gmt":"2026-09-30T17:55:00","slug":"engenheiro-odair-jose-mannrich-analisa-como-automacao-e-manutencao-podem-reduzir-o-consumo-de-energia-no-saneamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/engenheiro-odair-jose-mannrich-analisa-como-automacao-e-manutencao-podem-reduzir-o-consumo-de-energia-no-saneamento\/","title":{"rendered":"Engenheiro Odair Jos\u00e9 Mannrich analisa como automa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o podem reduzir o consumo de energia no saneamento"},"content":{"rendered":"<p><b>Efici\u00eancia energ\u00e9tica em esta\u00e7\u00f5es de tratamento ganha espa\u00e7o diante do peso da eletricidade nos custos operacionais do setor.<\/b><\/p>\n<p>O consumo de eletricidade est\u00e1 entre os principais custos da opera\u00e7\u00e3o de sistemas de saneamento no Brasil, alude Odair Jos\u00e9 Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental. Dados do governo federal mostram que os prestadores de servi\u00e7os consumiram 12,9 TWh de energia el\u00e9trica em 2018. Naquele ano, a despesa com eletricidade chegou a R$ 6,19 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a efici\u00eancia energ\u00e9tica em esta\u00e7\u00f5es de tratamento passou a ganhar relev\u00e2ncia tanto para reduzir despesas quanto para melhorar o desempenho operacional. Nesse quesito, parte das perdas est\u00e1 relacionada a decis\u00f5es tomadas no projeto e \u00e0 forma como os equipamentos s\u00e3o operados.<\/p>\n<p>Problemas como dimensionamento inadequado de bombas, aus\u00eancia de automa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o insuficiente podem fazer com que equipamentos consumam mais energia para entregar o mesmo resultado. Al\u00e9m disso, o acompanhamento sistem\u00e1tico dos indicadores permite identificar desvios antes que eles se transformem em falhas.<\/p>\n<p>A busca por efici\u00eancia n\u00e3o depende apenas da substitui\u00e7\u00e3o de equipamentos. O Minist\u00e9rio das Cidades mant\u00e9m iniciativas espec\u00edficas para estimular medidas de redu\u00e7\u00e3o do consumo energ\u00e9tico em sistemas de abastecimento, com foco em instala\u00e7\u00f5es de bombeamento, automa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o operacional.<\/p>\n<p><b>Dimensionamento de bombas influencia o consumo energ\u00e9tico<\/b><\/p>\n<p>Entre os pontos que exigem aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 o dimensionamento dos conjuntos motobomba. Equipamentos especificados acima da demanda real podem operar fora da faixa de maior efici\u00eancia durante parte significativa do tempo.<\/p>\n<p>Em sistemas de bombeamento, o governo federal identifica o dimensionamento adequado, a escolha de equipamentos eficientes e a automa\u00e7\u00e3o como medidas com potencial relevante de economia. Um documento do Minist\u00e9rio de Minas e Energia estima que interven\u00e7\u00f5es desse tipo podem representar redu\u00e7\u00e3o de pelo menos 20% do consumo atual em determinadas aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Odair Jos\u00e9 Mannrich explica que o problema pode se agravar quando a vaz\u00e3o \u00e9 controlada por estrangulamento. Nessa situa\u00e7\u00e3o, a energia utilizada pelo conjunto n\u00e3o acompanha necessariamente a necessidade real do processo. O uso de inversores de frequ\u00eancia permite modular a rota\u00e7\u00e3o dos motores conforme a demanda.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das curvas de carga tamb\u00e9m \u00e9 importante na defini\u00e7\u00e3o dos equipamentos. Em vez de utilizar apenas margens gen\u00e9ricas de seguran\u00e7a, o projeto pode considerar diferentes condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o e a varia\u00e7\u00e3o da demanda ao longo do dia.<\/p>\n<p><b>Automa\u00e7\u00e3o permite ajustar processos em tempo real<\/b><\/p>\n<p>Outro fator relacionado \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica em esta\u00e7\u00f5es de tratamento \u00e9 o grau de automa\u00e7\u00e3o dos processos. Sistemas que dependem exclusivamente de ajustes manuais podem ter dificuldade para acompanhar mudan\u00e7as de vaz\u00e3o, n\u00edvel e caracter\u00edsticas da \u00e1gua ou do esgoto. Sensores e sistemas de supervis\u00e3o permitem acompanhar par\u00e2metros operacionais continuamente. Com essas informa\u00e7\u00f5es, controladores podem ajustar bombas, sopradores e sistemas de dosagem de acordo com as condi\u00e7\u00f5es efetivamente registradas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do engenheiro Odair Jos\u00e9 Mannrich, a automa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para reduzir a depend\u00eancia de configura\u00e7\u00f5es definidas para situa\u00e7\u00f5es de pico. Quando os equipamentos permanecem operando nessas condi\u00e7\u00f5es, mesmo durante per\u00edodos de menor demanda, o consumo pode aumentar sem que exista ganho proporcional no tratamento.<\/p>\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o energ\u00e9tica tamb\u00e9m permite acompanhar indicadores como consumo por volume tratado, demanda el\u00e9trica e desempenho individual dos equipamentos. O Minist\u00e9rio das Cidades destaca justamente o monitoramento e a gest\u00e3o de energia como instrumentos para identificar oportunidades de economia no saneamento.<\/p>\n<p><b>Manuten\u00e7\u00e3o evita perda gradual de efici\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 outro componente da efici\u00eancia operacional. Bombas, motores e sopradores sujeitos a desgaste podem perder desempenho ao longo do tempo. Sem acompanhamento, o aumento do consumo pode ser percebido apenas quando surge uma falha.<\/p>\n<p>Programas de manuten\u00e7\u00e3o preventiva e preditiva permitem acompanhar as condi\u00e7\u00f5es dos equipamentos antes de uma parada. An\u00e1lise de vibra\u00e7\u00e3o, termografia e monitoramento do consumo el\u00e9trico est\u00e3o entre as ferramentas utilizadas para identificar altera\u00e7\u00f5es de funcionamento.<\/p>\n<p>Esse acompanhamento muda a l\u00f3gica de manuten\u00e7\u00e3o baseada apenas na corre\u00e7\u00e3o de falhas. A identifica\u00e7\u00e3o antecipada de componentes desgastados permite programar interven\u00e7\u00f5es e evitar que um equipamento permane\u00e7a por longos per\u00edodos trabalhando em condi\u00e7\u00f5es inadequadas.<\/p>\n<p>O tema tamb\u00e9m ganha import\u00e2ncia porque parte dos equipamentos de sistemas de saneamento brasileiros possui longo tempo de utiliza\u00e7\u00e3o. Documento do Minist\u00e9rio de Minas e Energia destaca que instala\u00e7\u00f5es mais antigas podem apresentar menor rendimento e exigir manuten\u00e7\u00e3o mais frequente, com impacto sobre o consumo de eletricidade.<\/p>\n<p><b>Gest\u00e3o energ\u00e9tica amplia oportunidades de economia<\/b><\/p>\n<p>A efici\u00eancia energ\u00e9tica em esta\u00e7\u00f5es de tratamento n\u00e3o depende de uma \u00fanica interven\u00e7\u00e3o. O resultado tende a ser maior quando dimensionamento, automa\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de dados s\u00e3o tratados de forma integrada. De maneira adicional, algumas instala\u00e7\u00f5es podem avaliar alternativas de recupera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. O aproveitamento de biog\u00e1s em esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto e a gera\u00e7\u00e3o associada a determinados fluxos podem complementar medidas de redu\u00e7\u00e3o do consumo, desde que exista viabilidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Odair Jos\u00e9 Mannrich ressalta a import\u00e2ncia de acompanhar o consumo espec\u00edfico, relacionando a energia utilizada ao volume efetivamente tratado. O indicador permite comparar diferentes per\u00edodos e identificar se uma interven\u00e7\u00e3o produziu o resultado esperado. O acompanhamento cont\u00ednuo tamb\u00e9m ajuda a transformar ganhos pontuais em uma rotina de gest\u00e3o. Sem indicadores e procedimentos definidos, uma economia obtida ap\u00f3s uma interven\u00e7\u00e3o pode diminuir com o passar do tempo.<\/p>\n<p><b>Efici\u00eancia ganha import\u00e2ncia na opera\u00e7\u00e3o do saneamento<\/b><\/p>\n<p>A efici\u00eancia energ\u00e9tica em esta\u00e7\u00f5es de tratamento est\u00e1 relacionada n\u00e3o apenas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de despesas, mas tamb\u00e9m \u00e0 sustentabilidade econ\u00f4mica da presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira de saneamento estabelece a efici\u00eancia e a sustentabilidade econ\u00f4mica como princ\u00edpios dos servi\u00e7os p\u00fablicos do setor. A Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico tamb\u00e9m estabeleceu normas de refer\u00eancia relacionadas a indicadores operacionais dos servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua e esgotamento sanit\u00e1rio. Entre as atribui\u00e7\u00f5es da ag\u00eancia est\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias para qualidade e efici\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o dos sistemas.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, decis\u00f5es tomadas na etapa de projeto podem influenciar os custos durante toda a vida \u00fatil de uma esta\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, automa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o criam oportunidades para corrigir desvios em instala\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes. A combina\u00e7\u00e3o entre engenharia, monitoramento e capacita\u00e7\u00e3o das equipes \u00e9 fundamental para preservar os resultados. A efici\u00eancia deixa, assim, de depender de uma a\u00e7\u00e3o isolada e passa a fazer parte da gest\u00e3o cotidiana das instala\u00e7\u00f5es de saneamento.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Efici\u00eancia energ\u00e9tica em esta\u00e7\u00f5es de tratamento ganha espa\u00e7o diante do peso da eletricidade nos custos operacionais do setor. 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