{"id":140774,"date":"2026-09-28T15:05:00","date_gmt":"2026-09-28T18:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/reajustes-de-planos-coletivos-elton-fernandes-especialista-em-direito-da-saude-suplementar-analisa-desafio-regulatorio\/"},"modified":"2026-09-28T15:05:00","modified_gmt":"2026-09-28T18:05:00","slug":"reajustes-de-planos-coletivos-elton-fernandes-especialista-em-direito-da-saude-suplementar-analisa-desafio-regulatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/reajustes-de-planos-coletivos-elton-fernandes-especialista-em-direito-da-saude-suplementar-analisa-desafio-regulatorio\/","title":{"rendered":"Reajustes de planos coletivos: Elton Fernandes, especialista em Direito da Sa\u00fade Suplementar, analisa desafio regulat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><b>Aus\u00eancia de teto anual pela ANS n\u00e3o elimina regras contratuais, deveres de transpar\u00eancia e limites para a negocia\u00e7\u00e3o entre empresas e operadoras.<\/b><\/p>\n<p>Elton Fernandes \u00e9 advogado especialista em planos de sa\u00fade, professor convidado da Universidade de S\u00e3o Paulo e autor do Manual de Direito da Sa\u00fade Suplementar, e  analisa os desafios regulat\u00f3rios relacionados aos reajustes dos planos coletivos, modalidade que segue regras diferentes dos contratos individuais e familiares.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) informa que n\u00e3o estabelece um teto anual para os planos coletivos. Nos contratos com 30 ou mais benefici\u00e1rios, o percentual \u00e9 definido por negocia\u00e7\u00e3o entre a pessoa jur\u00eddica contratante e a operadora ou administradora de benef\u00edcios. J\u00e1 os contratos com menos de 30 benefici\u00e1rios seguem, em regra, o mecanismo de agrupamento previsto pela regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a regulat\u00f3ria ganhou import\u00e2ncia diante da press\u00e3o sobre os custos assistenciais e da necessidade de conciliar sustentabilidade econ\u00f4mica das operadoras, previsibilidade para empresas contratantes e continuidade da assist\u00eancia aos benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p><b>A aus\u00eancia de teto n\u00e3o significa aus\u00eancia de regula\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Nos contratos individuais e familiares, a ANS estabelece anualmente um percentual m\u00e1ximo de reajuste. Para os contratos coletivos com 30 ou mais benefici\u00e1rios, a l\u00f3gica \u00e9 diferente. O \u00edndice resulta da negocia\u00e7\u00e3o entre as partes e deve observar as condi\u00e7\u00f5es previstas no contrato.  A operadora precisa fundamentar o percentual proposto e disponibilizar \u00e0 pessoa jur\u00eddica contratante a mem\u00f3ria de c\u00e1lculo e a metodologia utilizada. Essas informa\u00e7\u00f5es devem ser fornecidas com anteced\u00eancia m\u00ednima de 30 dias da aplica\u00e7\u00e3o do reajuste.<\/p>\n<p>Elton Fernandes, especialista em Direito da Sa\u00fade Suplementar, contextualiza que essa estrutura faz do contrato um elemento central da an\u00e1lise. O fato de a ANS n\u00e3o estabelecer um percentual m\u00e1ximo para determinada modalidade n\u00e3o elimina a necessidade de observar as regras contratuais e regulat\u00f3rias aplic\u00e1veis.<\/p>\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o ocorre entre a operadora e cada benefici\u00e1rio individualmente. Nos contratos empresariais, a pessoa jur\u00eddica contratante ocupa posi\u00e7\u00e3o relevante na rela\u00e7\u00e3o contratual, enquanto os trabalhadores e dependentes s\u00e3o benefici\u00e1rios da assist\u00eancia.<\/p>\n<p><b>Contratos menores seguem outra l\u00f3gica<\/b><\/p>\n<p>A regula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diferencia os contratos coletivos conforme o n\u00famero de benefici\u00e1rios. Para carteiras com menos de 30 pessoas, a ANS determina o agrupamento dos contratos da mesma operadora para aplica\u00e7\u00e3o de um \u00edndice \u00fanico. O mecanismo procura diluir o risco entre diferentes contratos e reduzir o impacto que uma carteira pequena poderia produzir no c\u00e1lculo do reajuste. O \u00edndice do agrupamento deve ser divulgado pela pr\u00f3pria operadora e aplicado nos respectivos anivers\u00e1rios dos contratos.<\/p>\n<p>Nos contratos maiores, a negocia\u00e7\u00e3o individualizada permite que caracter\u00edsticas espec\u00edficas da carteira sejam consideradas. Isso pode envolver fatores relacionados \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, composi\u00e7\u00e3o do grupo e evolu\u00e7\u00e3o das despesas assistenciais. Conforme alude Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Sa\u00fade Suplementar, a exist\u00eancia de modelos diferentes refor\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar a regularidade de um reajuste apenas pela compara\u00e7\u00e3o entre percentuais de contratos distintos.<\/p>\n<p><b>Transpar\u00eancia ganha import\u00e2ncia na negocia\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A disponibiliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de c\u00e1lculo \u00e9 um dos mecanismos que permitem \u00e0 empresa contratante compreender a forma\u00e7\u00e3o do \u00edndice proposto. A ANS determina que essas informa\u00e7\u00f5es sejam fornecidas antes da aplica\u00e7\u00e3o do reajuste e tamb\u00e9m estabelece prazo para atendimento de pedidos posteriores.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica coloca a transpar\u00eancia no centro da rela\u00e7\u00e3o entre operadoras e empresas. Para os contratantes, conhecer a metodologia utilizada \u00e9 relevante para avaliar as condi\u00e7\u00f5es de renova\u00e7\u00e3o e negociar altera\u00e7\u00f5es no contrato. O tema tamb\u00e9m possui impacto para os benefici\u00e1rios. Embora a negocia\u00e7\u00e3o ocorra no \u00e2mbito coletivo, o resultado pode modificar diretamente o valor da mensalidade ou a estrutura econ\u00f4mica da assist\u00eancia oferecida pela empresa.<\/p>\n<p><b>O equil\u00edbrio econ\u00f4mico permanece como quest\u00e3o regulat\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre reajustes coletivos envolve uma rela\u00e7\u00e3o entre custos assistenciais, equil\u00edbrio contratual e continuidade da cobertura. A pr\u00f3pria ANS define o reajuste como uma atualiza\u00e7\u00e3o da mensalidade relacionada \u00e0 varia\u00e7\u00e3o dos custos dos procedimentos m\u00e9dico-hospitalares.<\/p>\n<p>Em 2026, a ag\u00eancia tamb\u00e9m colocou o equil\u00edbrio das rela\u00e7\u00f5es assistenciais e econ\u00f4micas entre as prioridades de sua Agenda Regulat\u00f3ria para o per\u00edodo de 2026 a 2028. O documento estabelece o impacto da regula\u00e7\u00e3o sobre benefici\u00e1rios e sustentabilidade do setor como parte das diretrizes para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Sa\u00fade Suplementar, reitera que esse cen\u00e1rio exige uma an\u00e1lise que v\u00e1 al\u00e9m do percentual aplicado. A modalidade contratual, o tamanho da carteira, a cl\u00e1usula de reajuste, a metodologia utilizada e as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pela operadora comp\u00f5em o contexto jur\u00eddico de cada negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, os reajustes de planos coletivos permanecem em uma zona regulat\u00f3ria diferente daquela dos contratos individuais. A aus\u00eancia de um teto nacional n\u00e3o transforma a negocia\u00e7\u00e3o em uma rela\u00e7\u00e3o sem par\u00e2metros, mas estabelece um modelo no qual contrato, transpar\u00eancia, negocia\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o precisam ser considerados conjuntamente.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Aus\u00eancia de teto anual pela ANS n\u00e3o elimina regras contratuais, deveres de transpar\u00eancia e limites para a negocia\u00e7\u00e3o entre empresas e operadoras. 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