{"id":140302,"date":"2026-09-23T15:45:00","date_gmt":"2026-09-23T18:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/salario-alto-orcamento-apertado-andre-filipe-explica-por-que-dividas-crescem\/"},"modified":"2026-09-23T15:45:00","modified_gmt":"2026-09-23T18:45:00","slug":"salario-alto-orcamento-apertado-andre-filipe-explica-por-que-dividas-crescem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/salario-alto-orcamento-apertado-andre-filipe-explica-por-que-dividas-crescem\/","title":{"rendered":"Sal\u00e1rio alto, or\u00e7amento apertado: Andr\u00e9 Filipe explica por que d\u00edvidas crescem"},"content":{"rendered":"<p>Em julho de 2026, 72% das fam\u00edlias brasileiras com renda superior a dez sal\u00e1rios m\u00ednimos tinham algum tipo de d\u00edvida, segundo a <a href=\"https:\/\/portaldocomercio.org.br\/acoes-institucionais\/cnc-endividamento-e-o-maior-da-serie-historica\" target=\"_blank\"><u>Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic)<\/u><\/a>, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio. O grupo tamb\u00e9m registrou o maior avan\u00e7o do endividamento no ano, de 4,1 pontos percentuais, mostrando que compromissos financeiros elevados tamb\u00e9m fazem parte da realidade de quem est\u00e1 nas faixas superiores de renda.<\/p>\n<p>O dado n\u00e3o significa que sete em cada dez dessas fam\u00edlias estivessem inadimplentes. A Peic considera endividada aquela que possui obriga\u00e7\u00f5es a vencer, como fatura do cart\u00e3o, empr\u00e9stimos, cheque especial, cr\u00e9dito consignado e financiamentos. Entre as fam\u00edlias com renda superior a dez sal\u00e1rios m\u00ednimos, 15,1% tinham contas em atraso no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para quem ganha mais, a dificuldade muitas vezes aparece antes da inadimpl\u00eancia: os pagamentos continuam em dia, mas a parcela livre do or\u00e7amento diminui \u00e0 medida que novos compromissos se acumulam. Mesmo com sal\u00e1rio elevado e carreira est\u00e1vel, a soma de faturas, empr\u00e9stimos, financiamentos e despesas fixas pode consumir o espa\u00e7o que antes permitia absorver imprevistos ou formar uma reserva.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Filipe observa uma din\u00e2mica semelhante entre clientes que recebem mais de R$ 10 mil mensais. O recorte \u00e9 diferente do adotado pela Peic, que, considerando o sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 1.621 em 2026, re\u00fane na faixa superior fam\u00edlias com renda acima de R$ 16.210. Com 11 anos de atua\u00e7\u00e3o no mercado financeiro e experi\u00eancia em bancos e financeiras, ele afirma que muitos demoram a reconhecer o desequil\u00edbrio porque ainda contam com renda, patrim\u00f4nio e acesso a novas linhas de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&#8220;O endividado que me procura ganha bem, tem carreira, tem carro na garagem&#8221;, afirma Andr\u00e9. Para ele, a renda deixa de representar seguran\u00e7a quando uma parcela crescente do que entra no m\u00eas j\u00e1 est\u00e1 comprometida antes mesmo das despesas cotidianas.<\/p>\n<p>Entre os atendimentos, Andr\u00e9 cita o caso de um casal que acumulou uma d\u00edvida de seis d\u00edgitos no cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Sem expor nomes ou detalhes pessoais, ele recorre ao epis\u00f3dio para mostrar como o problema pode avan\u00e7ar durante algum tempo antes que os pagamentos se tornem claramente insustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mais renda tamb\u00e9m amplia o acesso ao cr\u00e9dito<\/p>\n<p>O aumento da renda costuma vir acompanhado de limites maiores no cart\u00e3o, acesso a empr\u00e9stimos de valores mais altos e possibilidade de assumir financiamentos mais robustos. Esses produtos n\u00e3o representam, por si s\u00f3, um problema financeiro, mas podem se tornar dif\u00edceis de administrar quando obriga\u00e7\u00f5es contratadas em momentos diferentes passam a disputar o mesmo sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>O desequil\u00edbrio nem sempre aparece de uma vez. Uma presta\u00e7\u00e3o pode parecer confort\u00e1vel quando analisada sozinha, assim como a parcela de um empr\u00e9stimo ou determinada fatura. O quadro muda quando esses valores s\u00e3o somados \u00e0s despesas com moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, transporte e outros compromissos recorrentes.<\/p>\n<p>Segundo Andr\u00e9, um dos sinais mais preocupantes \u00e9 quando um cr\u00e9dito come\u00e7a a sustentar outro. Um empr\u00e9stimo contratado para cobrir a fatura ou o uso do cart\u00e3o para compensar a falta de dinheiro depois do pagamento das parcelas pode aliviar a press\u00e3o imediata, mas transfere parte dela para os meses seguintes.<\/p>\n<p>Entre consumidores com maior acesso ao sistema financeiro, esse processo pode durar mais porque ainda existem limites dispon\u00edveis e novas ofertas de cr\u00e9dito. A aus\u00eancia de contas vencidas, portanto, n\u00e3o significa necessariamente que o or\u00e7amento permane\u00e7a saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os sinais de desequil\u00edbrio aparecem antes do atraso<\/p>\n<p>Os dados gerais da Peic ajudam a dimensionar essa diferen\u00e7a. Em julho, 82% das fam\u00edlias brasileiras tinham algum tipo de d\u00edvida, enquanto 29,8% estavam com contas ou parcelas em atraso. Entre os consumidores endividados, os pagamentos comprometiam, em m\u00e9dia, 29,5% da renda; para 19% das fam\u00edlias, mais da metade dos rendimentos j\u00e1 estava destinada a essas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As contas n\u00e3o precisam estar atrasadas para que o or\u00e7amento j\u00e1 esteja sob press\u00e3o. A dificuldade de formar reserva, a redu\u00e7\u00e3o do dinheiro dispon\u00edvel ap\u00f3s o pagamento das despesas fixas e o uso recorrente de cr\u00e9dito para cobrir compromissos anteriores s\u00e3o sinais de que a capacidade financeira est\u00e1 se estreitando.<\/p>\n<p>Outro problema, segundo Andr\u00e9, \u00e9 olhar cada d\u00edvida separadamente. O financiamento parece administr\u00e1vel, a presta\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo tem valor definido e o cart\u00e3o ainda est\u00e1 dentro do limite, mas a soma desses contratos pode revelar um comprometimento muito maior do que o percebido no dia a dia.<\/p>\n<p>A renda elevada tamb\u00e9m pode dificultar o reconhecimento do problema por uma raz\u00e3o comportamental. Quem associa dificuldade financeira \u00e0 falta de dinheiro pode resistir a admitir que perdeu o controle quando continua recebendo um bom sal\u00e1rio ou mantendo patrim\u00f4nio. Nesses casos, o valor da renda permanece alto, mas diz pouco sobre quanto realmente sobra depois das obriga\u00e7\u00f5es j\u00e1 assumidas.<\/p>\n<p>Cart\u00e3o de cr\u00e9dito pode acelerar uma press\u00e3o j\u00e1 existente<\/p>\n<p>O cart\u00e3o costuma ter peso relevante nesse processo porque concentra despesas diferentes em uma mesma fatura e permite adiar parte do pagamento. Quando o consumidor deixa de quitar o valor integral, entra em uma modalidade cujo custo continua elevado.<\/p>\n<p>No cr\u00e9dito rotativo, a taxa m\u00e9dia chegou a 15,13% ao m\u00eas e 442,44% ao ano em junho de 2026, segundo o <a href=\"https:\/\/dadosabertos.bcb.gov.br\/dataset\/22022-taxa-media-de-juros-das-operacoes-de-credito-com-recursos-livres---pessoas-fisicas---cartao-d\" target=\"_blank\"><u>Banco Central<\/u><\/a>, um n\u00edvel que ajuda a dimensionar o peso desse tipo de d\u00edvida sobre or\u00e7amentos j\u00e1 pressionados. Desde 2024, juros e encargos acumulados no rotativo e no parcelamento da fatura n\u00e3o podem superar 100% do valor original da d\u00edvida, o que limita a expans\u00e3o desses custos, mas n\u00e3o elimina o impacto de um d\u00e9bito que j\u00e1 deixou de caber na renda mensal.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se torna mais dif\u00edcil quando a fatura deixa de ser paga com a renda dispon\u00edvel e passa a depender de parcelamentos, empr\u00e9stimos ou do pr\u00f3prio limite de cr\u00e9dito. Nesse ponto, o sal\u00e1rio perde parte de sua capacidade de indicar seguran\u00e7a financeira, porque boa parte dele j\u00e1 tem destino definido antes do come\u00e7o do m\u00eas.<\/p>\n<p>Negociar exige saber o que realmente cabe no or\u00e7amento<\/p>\n<p>Quando os compromissos come\u00e7am a pesar, a renegocia\u00e7\u00e3o surge como uma possibilidade de reorganiza\u00e7\u00e3o, mas o valor da nova parcela precisa ser analisado junto com todo o restante do or\u00e7amento.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/idec.org.br\/negociacao-dividas-bancarias\" target=\"_blank\"><u>Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor<\/u><\/a> orienta que, antes de fechar um acordo, a pessoa levante os gastos essenciais e calcule quanto da renda pode efetivamente destinar ao pagamento sem comprometer novamente as despesas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Uma fam\u00edlia que recebe R$ 20 mil, por exemplo, n\u00e3o possui necessariamente esse montante dispon\u00edvel para reorganizar d\u00edvidas se parte relevante da renda j\u00e1 estiver destinada a moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, transporte, financiamentos e outros compromissos. \u00c9 o valor que sobra depois dessas obriga\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o o sal\u00e1rio isoladamente, que ajuda a dimensionar a capacidade de assumir um acordo.<\/p>\n<p>Para pessoas f\u00edsicas de boa-f\u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o conseguem pagar suas d\u00edvidas de consumo sem comprometer o m\u00ednimo necess\u00e1rio \u00e0 subsist\u00eancia, a Lei n\u00ba 14.181\/2021 tamb\u00e9m prev\u00ea mecanismos de tratamento do superendividamento. A legisla\u00e7\u00e3o permite reunir credores em uma tentativa de concilia\u00e7\u00e3o e apresentar um plano de pagamento de at\u00e9 cinco anos, preservando o m\u00ednimo existencial. Financiamentos imobili\u00e1rios, cr\u00e9dito rural e contratos com garantia real est\u00e3o entre as obriga\u00e7\u00f5es que ficam fora desse procedimento.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9, o sinal de que a situa\u00e7\u00e3o deixou de ser administr\u00e1vel costuma aparecer quando o consumidor passa a depender de cr\u00e9dito para pagar compromissos anteriores, perde a capacidade de guardar dinheiro ou j\u00e1 n\u00e3o consegue identificar quanto da renda est\u00e1 comprometido ao somar todos os contratos.<\/p>\n<p>A renda alta pode retardar essa percep\u00e7\u00e3o porque mant\u00e9m abertas alternativas de cr\u00e9dito por mais tempo, mas n\u00e3o muda a l\u00f3gica do or\u00e7amento. Quando as obriga\u00e7\u00f5es crescem a ponto de ocupar o dinheiro necess\u00e1rio aos meses seguintes, o sal\u00e1rio deixa de ser sin\u00f4nimo de folga financeira. Na negocia\u00e7\u00e3o, um desconto expressivo perde valor se a nova parcela tamb\u00e9m n\u00e3o couber no or\u00e7amento.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PulseBrand<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em julho de 2026, 72% das fam\u00edlias brasileiras com renda superior a dez sal\u00e1rios m\u00ednimos tinham algum tipo de d\u00edvida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic), da","protected":false},"author":1,"featured_media":140303,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[7691],"tags":[],"class_list":["post-140302","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pulsebrand"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140302\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/140303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}