{"id":139654,"date":"2026-09-17T17:42:00","date_gmt":"2026-09-17T20:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/pesquisa-em-herbario-de-sc-descobre-seis-especies-de-plantas\/"},"modified":"2026-09-17T17:42:00","modified_gmt":"2026-09-17T20:42:00","slug":"pesquisa-em-herbario-de-sc-descobre-seis-especies-de-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/pesquisa-em-herbario-de-sc-descobre-seis-especies-de-plantas\/","title":{"rendered":"Pesquisa em herb\u00e1rio de SC descobre seis esp\u00e9cies de plantas"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de cinco anos, o exemplar de uma planta presente no acervo do Herb\u00e1rio Barbosa Rodrigues (HBR) intrigou o curador do espa\u00e7o, o bi\u00f3logo Lu\u00eds Adriano Funez. \u00c0 \u00e9poca, rec\u00e9m-chegado ao casar\u00e3o, localizado na regi\u00e3o central de Itaja\u00ed (SC), o estudioso se debru\u00e7ou sobre as amostras antigas. A rotineira descri\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cime assumiu propor\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e, aos poucos, a curiosidade do pesquisador levou \u00e0 descoberta de seis plantas que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o possu\u00edam registros na ci\u00eancia.<\/p>\n<p>O resultado da pesquisa acaba de ser publicado no peri\u00f3dico neozeland\u00eas Phytotaxa, especializado em estudos dessa natureza. O artigo foi nomeado como <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.11646\/phytotaxa.769.3.1\" target=\"_blank\"><i>\u201cA taxonomic revision of Thaumatocaryon (Boraginaceae) reveals hidden diversity in southern South America\u201d<\/i><\/a> (Uma revis\u00e3o taxon\u00f4mica de Thaumatocaryon (Boraginaceae) revela uma diversidade oculta no sul da Am\u00e9rica do Sul).<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, acreditava-se que este g\u00eanero de plantas possu\u00eda tr\u00eas esp\u00e9cies. A partir do estudo, ficou constatado que, na realidade, s\u00e3o nove esp\u00e9cies diferentes, sendo cinco delas completamente in\u00e9ditas e uma que foi restabelecida\u201d, frisa Funez.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do curador do HBR, que \u00e9 vinculado \u00e0 Universidade do Vale do Itaja\u00ed (Univali), tamb\u00e9m colaboraram com o estudo os pesquisadores Rafael Trevisan (Herb\u00e1rio Flor\/UFSC) e Andr\u00e9 Lu\u00eds de Gasper (Herb\u00e1rio Dr. Roberto Miguel Klein\/FURB), o bi\u00f3logo Douglas Meyer e o bot\u00e2nico amador, Paulo Schwirkowski.<\/p>\n<p><b>Como come\u00e7ou<\/b><\/p>\n<p>A planta que deu origem ao estudo foi a <i>Thaumatocaryon parviflorum<\/i>. Lu\u00eds afirma que o \u00fanico exemplar conhecido pela ci\u00eancia, at\u00e9 ent\u00e3o, integra o acervo do HBR e foi coletado, em 1962, em Santa Cec\u00edlia, munic\u00edpio localizado no planalto serrano de Santa Catarina.<\/p>\n<p>\u201cAo encontr\u00e1-lo, percebi que ele n\u00e3o se encaixava em nenhuma das esp\u00e9cies j\u00e1 existentes, pois suas flores eram muito diferentes. Isso me motivou a estudar mais amostras de esp\u00e9cimes deste g\u00eanero, que cobre quatro estados do Brasil, al\u00e9m da Argentina e do Paraguai. \u00c0 medida que examinava estas amostras, outras d\u00favidas iam surgindo\u201d, relata Funez.<\/p>\n<p>O estudo foi tomando corpo e, com o tempo, foi intrigando e envolvendo mais interessados. Neste contexto, o grupo buscou analisar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de esp\u00e9cimes do mesmo g\u00eanero da planta, a fim de encontrar padr\u00f5es que ajudassem a separ\u00e1-los de forma organizada e que fizessem sentido como esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cAcabamos revisando o g\u00eanero todo e descobrindo seis plantas que n\u00e3o eram oficialmente reconhecidas, sendo cinco novas e uma que o m\u00e9dico e bot\u00e2nico franc\u00eas Henri Ernest Baillon j\u00e1 havia nomeado no s\u00e9culo XVIII e, posteriormente, acabou misturada aos demais esp\u00e9cimes, permanecendo ignorada pela ci\u00eancia at\u00e9 agora\u201d, conta.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, todo o estudo foi baseado em material de herb\u00e1rios e sem financiamentos de pesquisa. Al\u00e9m de revisar o acervo presente no HBR, Funez tamb\u00e9m revisou, pessoalmente, os exemplares do herb\u00e1rio vinculado \u00e0 Furb.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, muitos herb\u00e1rios j\u00e1 t\u00eam material digitalizado em alta qualidade, ent\u00e3o conseguimos consultar uma grande quantidade de esp\u00e9cimes pela internet. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m tivemos apoio de colegas na Argentina, que nos enviaram imagens de esp\u00e9cies de fora do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>A partir do trabalho desempenhado pelos autores do estudo, foram identificadas as esp\u00e9cies <i>T. hispidissimum<\/i>, <i>T. macrophyllum<\/i>, <i>T. parviflorum<\/i>, <i>T. moritziiflorum<\/i> e <i>T. quiririense<\/i>. A esp\u00e9cie <i>T. hilarii<\/i> foi revalidada a partir da an\u00e1lise de imagens de uma amostra localizada em Paris. O estudo feito em Santa Catarina descreve os limites morfol\u00f3gicos de cada esp\u00e9cie, assim como os limites geogr\u00e1ficos onde elas crescem.<\/p>\n<p>\u201cIsso por si s\u00f3, \u00e9 um avan\u00e7o imenso no conhecimento da nossa biodiversidade\u201d, comemora o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Funez ressalta que uma das vantagens de conhecer as plantas nativas \u00e9 a possibilidade de compreender o seu potencial medicinal.<\/p>\n<p>\u201cAs plantas da fam\u00edlia Boraginaceae s\u00e3o muito utilizadas na medicina e possuem diversos compostos bioativos conhecidos. No entanto, esse conhecimento est\u00e1 restrito \u00e0s plantas nativas da Europa e da \u00c1sia, pois as esp\u00e9cies brasileiras, como a Thaumatocaryon, nunca foram sequer prospectadas\u201d, lamenta Lu\u00eds.<\/p>\n<p><b>Esp\u00e9cies sens\u00edveis<\/b><\/p>\n<p>O estudo liderado pelo curador do HBR tamb\u00e9m revelou que, entre as seis esp\u00e9cies novas, tr\u00eas s\u00e3o conhecidas unicamente pelos exemplares antigos de herb\u00e1rios, datados h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. O bi\u00f3logo suspeita que as altera\u00e7\u00f5es humanas realizadas sobre os seus habitats naturais, ao longo dos \u00faltimos anos, podem ter resultado na sua completa extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse dado contrasta com o cen\u00e1rio anterior, aponta Funez, no qual as esp\u00e9cies j\u00e1 conhecidas n\u00e3o eram classificadas sob risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 v\u00e1rios crit\u00e9rios que precisam ser considerados antes de classificar uma esp\u00e9cie como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Um deles \u00e9 o tamanho do territ\u00f3rio que ela habita. Se ela pode ser encontrada em uma vasta \u00e1rea, torna-se pouco relevante para a conserva\u00e7\u00e3o, pois entende-se que ela pode ser encontrada em muitos lugares. No entanto, ao entendermos que n\u00e3o se trata de uma \u00fanica esp\u00e9cie, mas de um conjunto delas, e que cada uma habita uma pequena regi\u00e3o espec\u00edfica dentro dessa abrang\u00eancia, o cen\u00e1rio muda completamente\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Por apresentarem pequeno porte e habitarem a regi\u00e3o de campos naturais, as esp\u00e9cies investigadas no estudo tornam-se mais vulner\u00e1veis ao desaparecimento, de acordo com o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cEsses campos ocorrem nas \u00e1reas de elevadas altitudes e abrigam uma biodiversidade rica e diversa. Embora sejam muito antigos, milh\u00f5es de anos mais antigos que a floresta mais antiga de Santa Catarina, s\u00e3o locais muito sens\u00edveis e, infelizmente, facilmente destru\u00eddos por qualquer interven\u00e7\u00e3o humana. Cabe acrescentar que essa vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de mananciais que abastecem grandes cidades da nossa regi\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>O resultado dessa investiga\u00e7\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o de Lu\u00edz, demonstra a relev\u00e2ncia do conhecimento armazenado nos herb\u00e1rios. \u201cSe n\u00e3o fosse algu\u00e9m ter depositado esses exemplares nos herb\u00e1rios, d\u00e9cadas atr\u00e1s, estas esp\u00e9cies poderiam ter desaparecido da face da terra sem nem deixar rastros de sua exist\u00eancia\u201d, observa.<\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/univali.br\" target=\"_blank\">https:\/\/univali.br<\/a><\/p>\n<p>Foto: Dales Hoeckesfeld<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 cerca de cinco anos, o exemplar de uma planta presente no acervo do Herb\u00e1rio Barbosa Rodrigues (HBR) intrigou o curador do espa\u00e7o, o bi\u00f3logo Lu\u00eds Adriano Funez. \u00c0 \u00e9poca, rec\u00e9m-chegado ao","protected":false},"author":1,"featured_media":139655,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[11470],"tags":[12397,232,73,300,12395,12170],"class_list":["post-139654","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-knewin-dino","tag-ciencia","tag-educacao","tag-meio-ambiente","tag-negocios","tag-sociedade","tag-sustentabilidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139654\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}