{"id":139155,"date":"2026-09-14T18:57:00","date_gmt":"2026-09-14T21:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/depressao-quando-a-tristeza-nao-e-apenas-coisa-da-idade\/"},"modified":"2026-09-14T18:57:00","modified_gmt":"2026-09-14T21:57:00","slug":"depressao-quando-a-tristeza-nao-e-apenas-coisa-da-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/depressao-quando-a-tristeza-nao-e-apenas-coisa-da-idade\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o: quando a tristeza n\u00e3o \u00e9 apenas \u201ccoisa da idade\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A ideia de que um idoso est\u00e1 triste porque envelheceu pode esconder um problema de sa\u00fade. Na terceira idade, a depress\u00e3o nem sempre se manifesta pela tristeza. Apatia, isolamento, dores persistentes, altera\u00e7\u00f5es no sono, apetite e mem\u00f3ria tamb\u00e9m podem indicar o quadro, ainda subdiagnosticado.<\/p>\n<p>No Brasil, cerca de 36 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam 60 anos ou mais, segundo o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/s\/saude-da-pessoa-idosa\" target=\"_blank\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/mental-health-of-older-adults\" target=\"_blank\">OMS<\/a>) estima que 15% das pessoas com 70 anos ou mais vivem com algum transtorno mental. Depress\u00e3o e ansiedade s\u00e3o comuns nessa faixa et\u00e1ria, mas frequentemente permanecem sem diagn\u00f3stico e tratamento.<\/p>\n<p>\u201cEnvelhecer envolve mudan\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es a perdas, mas a depress\u00e3o modifica a maneira como a pessoa vive\u201d, afirma Luis Alberto Saporetti, geriatra do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, tristeza e depress\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. \u201cTristeza \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o. Quando os sentimentos permanecem por muito tempo, \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o. Na depress\u00e3o, h\u00e1 perda de prazer, des\u00e2nimo, sensa\u00e7\u00e3o de culpa ou inutilidade e preju\u00edzo na vida cotidiana.\u201d<\/p>\n<p>Dificultando o reconhecimento da depress\u00e3o na velhice, irritabilidade, falta de energia, apatia, ins\u00f4nia, perda de apetite, emagrecimento, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e queixas f\u00edsicas podem ser sinais mais evidentes do que tristeza ou choro.<\/p>\n<p>\u201cA apatia merece aten\u00e7\u00e3o especial. \u00c9 aquela perda de iniciativa em que a pessoa vai deixando de fazer coisas que antes faziam parte da vida. Pode parar de cozinhar, cuidar do jardim, encontrar amigos, passear, cuidar da apar\u00eancia ou participar da fam\u00edlia\u201d, afirma Saporetti.<\/p>\n<p>Sintomas f\u00edsicos tamb\u00e9m podem ser atribu\u00eddos automaticamente \u00e0 idade ou a doen\u00e7as existentes. Uma dor persistente pode ter causa org\u00e2nica, mas tamb\u00e9m ser agravada pela depress\u00e3o e vice-versa.<\/p>\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o entre dor cr\u00f4nica e depress\u00e3o \u00e9 de m\u00e3o dupla. A dor pode limitar a mobilidade, prejudicar o sono, reduzir atividades prazerosas e favorecer o isolamento. Ao mesmo tempo, a depress\u00e3o pode aumentar o sofrimento associado \u00e0 dor e dificultar a ades\u00e3o ao tratamento\u201d, explica o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Perda de mem\u00f3ria \u00e9 outro sinal que confunde familiares. Como a depress\u00e3o compromete a aten\u00e7\u00e3o e a tomada de decis\u00f5es, o idoso pode parecer mais lento cognitivamente e reclamar de esquecimentos. Depress\u00e3o e doen\u00e7as neurodegenerativas, como dem\u00eancias, podem coexistir e precisam ser diferenciadas por avalia\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>\u201cQuando existe uma mudan\u00e7a significativa da mem\u00f3ria, principalmente se \u00e9 progressiva ou prejudica atividades como administrar dinheiro, medicamentos, compromissos ou tarefas dom\u00e9sticas, \u00e9 necess\u00e1ria uma investiga\u00e7\u00e3o\u201d, diz Saporetti. Para o m\u00e9dico, a idade isoladamente n\u00e3o causa depress\u00e3o, mas sim as condi\u00e7\u00f5es nas quais a pessoa envelhece.<\/p>\n<p><b>Conviv\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 cuidado<\/b><\/p>\n<p>Manter v\u00ednculos sociais funciona como fator de prote\u00e7\u00e3o. Atividades comunit\u00e1rias, grupos de conviv\u00eancia, cursos, encontros com amigos, familiares, comunidades religiosas e voluntariado contribuem para o bem-estar. Mas, quando a depress\u00e3o est\u00e1 instalada, o idoso pode n\u00e3o ter disposi\u00e7\u00e3o para a vida social.<\/p>\n<p>\u201cEstimular n\u00e3o significa obrigar. O idoso precisa, primeiro, ser ouvido. A insist\u00eancia, ainda que bem-intencionada, pode aumentar a culpa e o sofrimento\u201d, explica Saporetti.<\/p>\n<p>A atividade f\u00edsica tamb\u00e9m ajuda na preven\u00e7\u00e3o e no tratamento. A OMS recomenda para adultos mais velhos pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana, al\u00e9m de exerc\u00edcios de fortalecimento muscular, equil\u00edbrio e for\u00e7a.<\/p>\n<p>Para os familiares, mudan\u00e7as persistentes de comportamento devem servir de alerta. Deixar de fazer atividades que gostava, evitar pessoas, perder apetite, dormir mal, reclamar de dores ou perder a iniciativa exigem aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante escutar antes de aconselhar. O familiar pode oferecer ajuda concreta, como marcar uma consulta, acompanhar o idoso ou ajud\u00e1-lo a explicar ao profissional o que est\u00e1 acontecendo\u201d, pondera o especialista.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 cl\u00ednico e considera o hist\u00f3rico da pessoa, estado mental, condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, medicamentos e contexto psicossocial. O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combina\u00e7\u00e3o das duas abordagens.<\/p>\n<p>\u201cEnvelhecer n\u00e3o significa perder a vontade de viver, nem viver triste e isolado. Quando o sofrimento se prolonga, apaga o interesse pela vida e reduz a autonomia, n\u00e3o devemos simplesmente dizer que \u00e9 da idade\u201d, diz Saporetti.<\/p>\n<p><b>Autonomia tamb\u00e9m \u00e9 parte do envelhecimento saud\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o do envelhecimento saud\u00e1vel passa por preservar a autonomia e a capacidade funcional, que re\u00fane as habilidades f\u00edsicas e mentais para realizar atividades do dia a dia. Essa \u00e9 uma das propostas do Mova-se, projeto do S\u00edrio-Liban\u00eas criado em sintonia com as diretrizes da D\u00e9cada do Envelhecimento Saud\u00e1vel da ONU.<\/p>\n<p>O programa oferece atividades f\u00edsicas para pessoas com 60 anos ou mais e busca contribuir para que mantenham a independ\u00eancia. As atividades s\u00e3o definidas a partir das necessidades individuais, identificadas em avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas que consideram aspectos f\u00edsicos, cognitivos, psicol\u00f3gicos, nutricionais e sensoriais.<\/p>\n<p>\u201cO envelhecimento saud\u00e1vel tamb\u00e9m envolve preservar a autonomia e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Por isso, quando mudan\u00e7as come\u00e7am a comprometer a rotina, a independ\u00eancia ou o interesse pela vida, \u00e9 importante olhar para al\u00e9m da idade, escutar o idoso e buscar ajuda\u201d, finaliza Saporetti.<\/p>\n<p><b>Confira quatro dicas para identificar sinais da depress\u00e3o na terceira idade:<\/b><\/p>\n<p><b>N\u00e3o atribua mudan\u00e7as \u00e0 idade<\/b><br \/>Apatia, isolamento, perda de interesse, dores persistentes, altera\u00e7\u00f5es no sono e no apetite ou problemas de mem\u00f3ria n\u00e3o devem ser tratados simplesmente como consequ\u00eancias do envelhecimento.<\/p>\n<p><b>Escute antes de aconselhar<\/b><br \/>Converse com o idoso sem julgamentos ou cobran\u00e7as. Em vez de dizer que ele precisa \u201creagir\u201d ou \u201cpensar positivo\u201d, pergunte como ele est\u00e1 se sentindo e mostre disponibilidade para ajudar.<\/p>\n<p><b>Procure avalia\u00e7\u00e3o profissional<\/b><br \/>Mudan\u00e7as no comportamento, humor, sono, apetite ou mem\u00f3ria devem ser investigadas. Depress\u00e3o pode coexistir com outras doen\u00e7as e precisa de diagn\u00f3stico adequado.<\/p>\n<p><b>Mantenha v\u00ednculos e uma rotina ativa, sem pressionar<\/b><br \/>Conviv\u00eancia social e atividade f\u00edsica podem contribuir para a sa\u00fade mental, mas o est\u00edmulo deve respeitar<\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/hospitalsiriolibanes.org.br\/imprensa\/\" target=\"_blank\">https:\/\/hospitalsiriolibanes.org.br\/imprensa\/<\/a><\/p>\n<p>Foto: http:\/\/www.freepik.com\/<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A ideia de que um idoso est\u00e1 triste porque envelheceu pode esconder um problema de sa\u00fade. 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