{"id":137813,"date":"2026-08-31T15:48:00","date_gmt":"2026-08-31T18:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/o-credito-ainda-classifica-pessoas-o-futuro-sera-compreende-las\/"},"modified":"2026-08-31T15:48:00","modified_gmt":"2026-08-31T18:48:00","slug":"o-credito-ainda-classifica-pessoas-o-futuro-sera-compreende-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/o-credito-ainda-classifica-pessoas-o-futuro-sera-compreende-las\/","title":{"rendered":"O cr\u00e9dito ainda classifica pessoas. O futuro ser\u00e1 compreend\u00ea-las."},"content":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, o mercado financeiro enquadrou consumidores em categorias bin\u00e1rias. Em um cen\u00e1rio cada vez mais complexo, o pr\u00f3ximo passo da inclus\u00e3o financeira depender\u00e1 da capacidade de compreender pessoas, n\u00e3o apenas classific\u00e1-las<\/p>\n<p>O mercado de cr\u00e9dito brasileiro se acostumou a transformar momentos em identidades. Uma d\u00edvida em atraso pode virar &#8220;nome sujo&#8221;; um hist\u00f3rico positivo gera o r\u00f3tulo de &#8220;bom pagador&#8221; e uma decis\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 simplesmente &#8220;aprovada&#8221; ou &#8220;recusada&#8221;. Tem sido assim h\u00e1 d\u00e9cadas &#8211; mas o problema \u00e9 que nenhum desses r\u00f3tulos \u00e9 capaz de explicar, sozinho, quem \u00e9 a pessoa do outro lado da opera\u00e7\u00e3o. Em um Pa\u00eds em que 82% das fam\u00edlias declararam ter algum n\u00edvel de endividamento, segundo dados recentes da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), essa limita\u00e7\u00e3o importa &#8211; e muito.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dessa l\u00f3gica est\u00e1 uma premissa profundamente enraizada no mercado: a de que consumidores podem ser organizados em categorias opostas. Positivo ou negativo. Aprovado ou recusado. Nome limpo ou nome sujo. O desafio \u00e9 que pessoas reais raramente cabem em classifica\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias. Esse modelo ajudou a simplificar decis\u00f5es e administrar riscos, mas foi concebido em um contexto de menor disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es sobre o consumidor. Hoje, por\u00e9m, a realidade financeira das pessoas \u00e9 mais diversa e complexa do que essas categorias conseguem representar.<\/p>\n<p>Enfrentar dificuldades financeiras n\u00e3o significa que todos os endividados e inadimplentes tenham o mesmo perfil, a mesma capacidade de pagamento ou as mesmas necessidades.<\/p>\n<p>Ainda assim, boa parte das decis\u00f5es de cr\u00e9dito continua partindo de classifica\u00e7\u00f5es que agrupam consumidores muito diferentes sob um mesmo r\u00f3tulo. Isso acontece mesmo em um cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00e3o do mercado, marcado por novas fontes de informa\u00e7\u00e3o, novas formas de relacionamento financeiro e ferramentas cada vez mais sofisticadas de an\u00e1lise de dados.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ainda considerar que uma informa\u00e7\u00e3o verdadeira pode produzir uma conclus\u00e3o incompleta. Uma restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 relevante, mas n\u00e3o explica sozinha a capacidade de pagamento, o momento financeiro ou as necessidades de uma pessoa. Assim, o mercado corre o risco de transformar sinais sobre um consumidor em defini\u00e7\u00f5es sobre quem ele \u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa l\u00f3gica que a TransUnion questiona. &#8220;Na TransUnion, entendemos que \u00e9 preciso mudar a perspectiva da classifica\u00e7\u00e3o para a perspectiva da compreens\u00e3o do consumidor&#8221;, diz Fernando Musolino, CEO da TransUnion Brasil. Na pr\u00e1tica, isso significa entender quem s\u00e3o essas pessoas, em que momento est\u00e3o e quais produtos fazem sentido para ajud\u00e1-las a reconstruir sua rela\u00e7\u00e3o com o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Superar r\u00f3tulos<\/p>\n<p>Restri\u00e7\u00f5es ao cr\u00e9dito continuam sendo informa\u00e7\u00f5es relevantes para qualquer decis\u00e3o. O ponto, portanto, n\u00e3o \u00e9 abandonar o hist\u00f3rico financeiro ou deixar de considerar a inadimpl\u00eancia. \u00c9 impedir que uma informa\u00e7\u00e3o importante se transforme em uma identidade permanente. &#8220;O mercado foi constru\u00eddo para classificar e agora precisa evoluir para compreender. Indicadores de cr\u00e9dito tradicionais continuam importantes, mas representam apenas uma parte do perfil financeiro do consumidor e n\u00e3o podem ser a identidade dele. As pessoas t\u00eam um nome que vai muito al\u00e9m da ideia de &#8216;nome sujo&#8217; ou &#8216;nome limpo'&#8221;, afirma o executivo.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a parece pequena, mas muda profundamente a forma de enxergar o consumidor. Durante d\u00e9cadas, a principal preocupa\u00e7\u00e3o do mercado foi determinar em qual lado da classifica\u00e7\u00e3o uma pessoa deveria estar. Agora, o desafio passa a ser compreender os fatores que explicam aquela situa\u00e7\u00e3o e identificar possibilidades que n\u00e3o aparecem em an\u00e1lises bin\u00e1rias.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a tamb\u00e9m passa pela qualidade da informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. A consolida\u00e7\u00e3o do Cadastro Positivo, a expans\u00e3o do Open Finance e o crescimento de novas fontes de informa\u00e7\u00e3o ampliaram o conjunto de dados sobre o comportamento financeiro dos consumidores. Mas ter mais informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa, necessariamente, tomar decis\u00f5es melhores. \u00c9 preciso interpretar esses sinais e entender o que eles revelam sobre cada consumidor.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00e3o, melhor compreens\u00e3o<\/p>\n<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, milh\u00f5es de brasileiros foram inseridos no sistema financeiro, gra\u00e7as \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os banc\u00e1rios e a iniciativas do Banco Central, como o Pix. No entanto, muitos permanecem sem acesso efetivo ao cr\u00e9dito. Segundo estimativas da TransUnion Brasil, cerca de quatro em cada dez brasileiros ainda s\u00e3o subatendidos pelo mercado de cr\u00e9dito &#8211; espa\u00e7o relevante para ampliar oportunidades para a popula\u00e7\u00e3o e impulsionar a economia como um todo.<\/p>\n<p>Em muitos casos, o desafio n\u00e3o \u00e9 necessariamente a falta de capacidade de pagamento, mas a dificuldade de avaliar corretamente consumidores que n\u00e3o possuem um hist\u00f3rico tradicional de cr\u00e9dito. \u00c9 justamente a\u00ed que entram os chamados dados alternativos. Informa\u00e7\u00f5es sobre gera\u00e7\u00e3o de renda em plataformas digitais, movimenta\u00e7\u00f5es financeiras, contexto socioecon\u00f4mico e outros sinais podem ajudar empresas a compreender pessoas que, at\u00e9 ent\u00e3o, apareciam pouco ou quase nada nos modelos tradicionais.<\/p>\n<p>&#8220;Existem mecanismos de compreens\u00e3o que fogem da regra da classifica\u00e7\u00e3o. Quanto melhor conseguimos entender o consumidor, maiores s\u00e3o as chances de ampliar o acesso de forma equilibrada&#8221;, explica Musolino. Para ele, o desafio n\u00e3o est\u00e1 apenas em conceder mais cr\u00e9dito, mas em oferecer os produtos certos, no momento certo e na medida adequada para cada consumidor. &#8220;Entra aqui o papel da tecnologia, que pode nos ajudar cada vez mais na personaliza\u00e7\u00e3o de ofertas&#8221;, diz o CEO.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 relevante: pessoas que compartilham a mesma classifica\u00e7\u00e3o podem representar oportunidades completamente diferentes. Quanto maior a capacidade de compreender essas diferen\u00e7as, maiores tamb\u00e9m s\u00e3o as chances de ampliar o acesso de forma sustent\u00e1vel, tanto para consumidores quanto para empresas.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo passo<\/p>\n<p>Compreender o consumidor, por\u00e9m, n\u00e3o pode ser uma via de m\u00e3o \u00fanica. N\u00e3o basta que as empresas tenham condi\u00e7\u00f5es de interpretar melhor os clientes se os pr\u00f3prios consumidores n\u00e3o compreenderem o sistema financeiro e as consequ\u00eancias de suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Musolino, esse \u00e9 um dos desafios deixados pelo avan\u00e7o da bancariza\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds. &#8220;O Brasil ampliou o acesso ao sistema financeiro, mas a educa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o avan\u00e7ou no mesmo ritmo. Isso fez com que parte dos consumidores enfrentasse dificuldades. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 ajud\u00e1-los a entender melhor sua rela\u00e7\u00e3o com o cr\u00e9dito e a desenvolver h\u00e1bitos que contribuam para uma vida financeira mais saud\u00e1vel&#8221;, resume o executivo.<\/p>\n<p>Por isso, uma das frentes que a companhia desenvolve \u00e9 aproximar o consumidor das informa\u00e7\u00f5es que influenciam sua pr\u00f3pria vida financeira. A ideia \u00e9 ampliar a compreens\u00e3o sobre fatores como score de cr\u00e9dito, hist\u00f3rico financeiro e impacto das decis\u00f5es individuais ao longo do tempo. &#8220;Muitas pessoas ainda desconhecem os fatores que influenciam seu score de cr\u00e9dito. Queremos ampliar essa compreens\u00e3o, para que possam tomar decis\u00f5es mais informadas e entender de que forma suas escolhas impactam sua trajet\u00f3ria financeira&#8221;, afirma Musolino.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de perspectiva produz efeitos para os dois lados da rela\u00e7\u00e3o. Para as empresas, compreender melhor quem est\u00e1 do outro lado permite equilibrar crescimento e gest\u00e3o de risco e construir carteiras mais sustent\u00e1veis. Para os consumidores, significa ter mais condi\u00e7\u00f5es de encontrar produtos adequados \u00e0 pr\u00f3pria realidade e reconstruir, quando necess\u00e1rio, sua rela\u00e7\u00e3o com o sistema financeiro.<\/p>\n<p>\u00c9 uma mudan\u00e7a que n\u00e3o elimina o risco nem torna restri\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rico ou score menos importantes. O que muda \u00e9 o peso que essas informa\u00e7\u00f5es t\u00eam na defini\u00e7\u00e3o de uma pessoa. -. O futuro da inclus\u00e3o financeira come\u00e7a quando uma classifica\u00e7\u00e3o deixa de ser o ponto de chegada e passa a ser apenas o ponto de partida. &#8220;O mercado foi constru\u00eddo para classificar&#8221;, diz o CEO da TransUnion. &#8220;O futuro ser\u00e1 compreender.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante d\u00e9cadas, o mercado financeiro enquadrou consumidores em categorias bin\u00e1rias. 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