{"id":137389,"date":"2026-08-27T04:55:00","date_gmt":"2026-08-27T07:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/engrenagens-do-crescimento\/brasil-precisa-transformar-terras-raras-em-capacidade-industrial-diz-especialista\/"},"modified":"2026-08-27T04:55:00","modified_gmt":"2026-08-27T07:55:00","slug":"brasil-precisa-transformar-terras-raras-em-capacidade-industrial-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/engrenagens-do-crescimento\/brasil-precisa-transformar-terras-raras-em-capacidade-industrial-diz-especialista\/","title":{"rendered":"Brasil precisa transformar terras raras em capacidade industrial, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p>Embora concentre a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atr\u00e1s apenas da China, o Brasil ainda enfrenta desafios para transformar esse potencial em produ\u00e7\u00e3o industrial. A crescente demanda por esses elementos, usados em setores de alta tecnologia, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, defesa militar e ind\u00fastria automotiva, intensificou a disputa global por novas fontes de fornecimento. A principal vantagem do Pa\u00eds nessa corrida est\u00e1 na capacidade de acelerar projetos, atrair capital e ampliar sua inser\u00e7\u00e3o nesse mercado. A principal desvantagem surge quando o investimento chega antes da defini\u00e7\u00e3o dos objetivos nacionais para o setor, como explica Jaques Paes, professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV, nesta entrevista.<\/p>\n<p>Para ele, o investimento externo costuma resolver um problema de capital, mas nem sempre resolve quest\u00f5es relacionadas \u00e0 infraestrutura ou \u00e0 estrat\u00e9gia de longo prazo do Pa\u00eds. \u201cTer reservas relevantes pode ser uma vantagem competitiva. Transform\u00e1-las em capacidade industrial \u00e9 uma tarefa diferente\u201d, afirma. Confira a entrevista na \u00edntegra a seguir.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento <\/b>\u2014 Como o governo e as empresas t\u00eam impulsionado a corrida por terras raras no Brasil e no mundo?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes<\/b> \u2014 Governos t\u00eam impulsionado essa corrida por meio de financiamento, incentivos, mudan\u00e7as regulat\u00f3rias, acordos internacionais e apoio a projetos considerados estrat\u00e9gicos. As empresas t\u00eam respondido ampliando investimentos em explora\u00e7\u00e3o mineral, processamento, aquisi\u00e7\u00e3o de ativos e desenvolvimento de novas capacidades produtivas.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, o debate esteve concentrado na disponibilidade dos recursos. Hoje, cada vez mais, os movimentos de governos e empresas parecem direcionados para o controle das etapas que determinam quem captura os maiores benef\u00edcios econ\u00f4micos dessa atividade.<\/p>\n<p>No plano internacional, essa agenda deixou de ser tratada apenas como minera\u00e7\u00e3o e passou a integrar temas como seguran\u00e7a econ\u00f4mica, pol\u00edtica industrial, defesa e resili\u00eancia das cadeias de suprimento. No Brasil, \u00e9 poss\u00edvel ver um movimento em tr\u00eas frentes: maior aten\u00e7\u00e3o legislativa, entrada de capital internacional e tentativa de organizar uma pol\u00edtica nacional para minerais cr\u00edticos e estrat\u00e9gicos. O <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2447259\" target=\"_blank\"><b>PL 2780\/2024<\/b><\/a> \u00e9 um sinal disso.<\/p>\n<p>Essas iniciativas sinalizam uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o relevante, pois reconhecem a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica dos minerais cr\u00edticos. Mas t\u00e3o importante quanto esse reconhecimento \u00e9 a capacidade de transform\u00e1-lo em produ\u00e7\u00e3o, tecnologia e desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento<\/b> \u2014 Hoje o Brasil \u00e9 mais fornecedor e exportador de commodities. Quais s\u00e3o os riscos de o Pa\u00eds ficar restrito apenas a esse campo e de se tornar dependente de produtos finais importados? H\u00e1 algo j\u00e1 sendo feito para modificar essa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes<\/b> \u2014 O principal risco \u00e9 o Brasil ampliar sua participa\u00e7\u00e3o em um mercado estrat\u00e9gico sem ampliar sua capacidade de influ\u00eancia sobre ele. Quando um pa\u00eds exporta predominantemente recursos minerais e importa produtos de maior complexidade tecnol\u00f3gica, ele participa da atividade econ\u00f4mica, mas permanece mais exposto \u00e0s decis\u00f5es tomadas por outros atores da cadeia. Nesse cen\u00e1rio, pre\u00e7os, tecnologia, padr\u00f5es produtivos e parte significativa das decis\u00f5es estrat\u00e9gicas continuam sendo definidos fora de suas fronteiras.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o se torna ainda mais relevante no caso das terras raras. O debate costuma come\u00e7ar na mina, mas a influ\u00eancia econ\u00f4mica associada a esses minerais se distribui por diversas etapas posteriores \u00e0 extra\u00e7\u00e3o. Quanto maior a depend\u00eancia de produtos, componentes e tecnologias desenvolvidos no exterior, maior tende a ser a vulnerabilidade associada a essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 iniciativas que buscam alterar esse quadro. O debate regulat\u00f3rio recente, a entrada de novos investidores e a tentativa de estruturar uma pol\u00edtica nacional para minerais cr\u00edticos indicam uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente com o tema. A forma como essa agenda ser\u00e1 avaliada ao longo do tempo talvez seja t\u00e3o importante quanto a pr\u00f3pria expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento<\/b> \u2014 Como os pa\u00edses estrangeiros t\u00eam explorado terras raras no Brasil e em outros pa\u00edses e quais s\u00e3o as vantagens e desvantagens competitivas para o Pa\u00eds nesse setor a longo prazo?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes<\/b> \u2014 Os pa\u00edses estrangeiros t\u00eam atuado principalmente por meio de investimentos, participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, financiamento de projetos, acordos de fornecimento e parcerias tecnol\u00f3gicas. Mas o interesse n\u00e3o est\u00e1 restrito aos dep\u00f3sitos minerais. Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente com seguran\u00e7a de suprimento e redu\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades associadas \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o dessas cadeias produtivas.<\/p>\n<p>Para o Brasil, a principal vantagem est\u00e1 na capacidade de acelerar projetos, atrair capital e ampliar sua inser\u00e7\u00e3o em uma agenda que ganhou relev\u00e2ncia global. Al\u00e9m disso, o Pa\u00eds re\u00fane disponibilidade mineral, potencial energ\u00e9tico e capacidade de dialogar com diferentes blocos econ\u00f4micos. A principal desvantagem surge quando o investimento chega antes da defini\u00e7\u00e3o dos objetivos nacionais associados a essa agenda. O investimento externo costuma resolver um problema de capital, mas nem sempre resolve quest\u00f5es relacionadas \u00e0 infraestrutura ou \u00e0 estrat\u00e9gia de longo prazo do Pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento<\/b> \u2014 A explora\u00e7\u00e3o desse setor no Brasil \u00e9 muito diferente da realidade de outros pa\u00edses? Pode nos dar exemplos e apontar o que deveria ser modificado a favor da soberania do Pa\u00eds?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes<\/b> \u2014 Penso que a diferen\u00e7a principal est\u00e1 no est\u00e1gio de maturidade. O Brasil ainda discute potencial. Muitos pa\u00edses discutem execu\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, o debate brasileiro ainda est\u00e1 fortemente concentrado no potencial mineral. Em muitos pa\u00edses que ocupam posi\u00e7\u00f5es mais relevantes nessa agenda, a discuss\u00e3o j\u00e1 avan\u00e7ou para temas relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, processamento, aplica\u00e7\u00e3o industrial, financiamento e posicionamento estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>A China \u00e9 o exemplo mais evidente. Sua posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi constru\u00edda apenas a partir da exist\u00eancia de reservas minerais. Ela resulta de d\u00e9cadas de investimento em processamento, conhecimento t\u00e9cnico, escala produtiva e integra\u00e7\u00e3o com setores consumidores. A disponibilidade do recurso foi apenas uma parte da estrat\u00e9gia. Isso muitas vezes se perde no debate brasileiro: reserva mineral n\u00e3o \u00e9 o mesmo que capacidade estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A favor da soberania, penso que o Brasil deveria dedicar menos energia \u00e0 discuss\u00e3o sobre quem controla o recurso e mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de definir o que pretende fazer com ele. Soberania, nesse contexto, n\u00e3o est\u00e1 associada ao isolamento econ\u00f4mico, mas \u00e0 capacidade de tomar decis\u00f5es, negociar em melhores condi\u00e7\u00f5es e reduzir vulnerabilidades de longo prazo. Soberania n\u00e3o depende da origem do capital. O que importa \u00e9 o que permanece depois dele.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento<\/b> \u2014 Quais s\u00e3o as vantagens e os desafios para as empresas entrarem e permanecerem na corrida em busca das terras raras?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes <\/b>\u2014 Terras raras costumam exigir investimentos elevados, horizontes longos de matura\u00e7\u00e3o, conhecimento t\u00e9cnico especializado e capacidade de operar em um ambiente sujeito a forte volatilidade. Por essa raz\u00e3o, existe uma dist\u00e2ncia significativa entre o n\u00famero de projetos anunciados e o n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es que efetivamente entram em produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso evidencia que o desafio para os novos entrantes n\u00e3o est\u00e1 apenas em acessar o recurso mineral. Est\u00e1 em atravessar todo o percurso necess\u00e1rio para transformar um projeto em uma opera\u00e7\u00e3o economicamente vi\u00e1vel.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento <\/b>\u2014 A China responde por cerca de 69% da produ\u00e7\u00e3o global de terras raras e det\u00e9m a maior reserva (48%), enquanto o Brasil possui a segunda maior reserva mundial. Quais s\u00e3o os principais desafios tecnol\u00f3gicos e regulat\u00f3rios do Brasil para transformar essa riqueza em produ\u00e7\u00e3o industrial?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes <\/b>\u2014 O primeiro desafio talvez seja evitar uma confus\u00e3o bastante comum nesse debate: reservas minerais e capacidade produtiva n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. O desafio brasileiro n\u00e3o est\u00e1 apenas no subsolo. O Brasil possui uma posi\u00e7\u00e3o relevante em termos de disponibilidade mineral, mas isso n\u00e3o significa automaticamente capacidade industrial.<\/p>\n<p>Do ponto de vista tecnol\u00f3gico, o desafio est\u00e1 em transformar recursos minerais em produtos capazes de atender requisitos industriais espec\u00edficos. Isso exige conhecimento, dom\u00ednio de processos, continuidade operacional e capacidade de competir em um mercado que j\u00e1 possui atores consolidados.<\/p>\n<p>Do ponto de vista regulat\u00f3rio, o desafio \u00e9 construir um ambiente institucional coerente com os objetivos que o pr\u00f3prio Pa\u00eds pretende alcan\u00e7ar nessa agenda. Nem sempre instrumentos, incentivos e prioridades caminham na mesma dire\u00e7\u00e3o. Ter reservas relevantes pode ser uma vantagem competitiva. Transform\u00e1-las em capacidade industrial \u00e9 uma tarefa diferente.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento <\/b>\u2014 Atualmente, a China controla a maior parte da cadeia produtiva mundial de terras raras, seguida pela \u00cdndia. O mercado de extra\u00e7\u00e3o desses elementos tamb\u00e9m \u00e9 dominado pela China, seguida por R\u00fassia e \u00cdndia. H\u00e1 risco de depend\u00eancia e vulnerabilidade estrat\u00e9gica para pa\u00edses dependentes da exporta\u00e7\u00e3o desse produto? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes \u2014<\/b> Sim, h\u00e1 risco. Depend\u00eancia tamb\u00e9m surge do lado de quem vende. Quando uma parcela significativa das exporta\u00e7\u00f5es est\u00e1 concentrada em poucos mercados, mudan\u00e7as regulat\u00f3rias, comerciais, tecnol\u00f3gicas ou geopol\u00edticas podem produzir impactos relevantes sobre receitas, investimentos e perspectivas de crescimento do setor.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre minerais cr\u00edticos costuma enfatizar a depend\u00eancia de quem compra, mas existe tamb\u00e9m uma vulnerabilidade associada a quem vende. Quanto menor a diversidade de mercados, aplica\u00e7\u00f5es e destinos para esses produtos, maior tende a ser a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s decis\u00f5es tomadas por outros pa\u00edses. Por essa raz\u00e3o, a relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica dos minerais cr\u00edticos n\u00e3o depende apenas da capacidade de produzi-los. Ela tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 capacidade de ampliar op\u00e7\u00f5es e reduzir depend\u00eancias.<\/p>\n<p>Participar de um mercado estrat\u00e9gico n\u00e3o elimina automaticamente vulnerabilidades. Em alguns casos, elas decorrem de depend\u00eancias que apenas assumem novas formas.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento<\/b> \u2014 Dados hist\u00f3ricos dos EUA indicam que a China forneceu aproximadamente 70% das importa\u00e7\u00f5es de terras raras dos EUA nos \u00faltimos anos. Como os EUA t\u00eam investido para combater o dom\u00ednio da China no setor e qual \u00e9 sua opini\u00e3o sobre a efetividade dessas a\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes<\/b> \u2014 Os Estados Unidos v\u00eam adotando uma combina\u00e7\u00e3o de incentivos p\u00fablicos, financiamento, apoio \u00e0 minera\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, est\u00edmulo ao processamento, desenvolvimento tecnol\u00f3gico e fortalecimento de parcerias internacionais com pa\u00edses considerados estrat\u00e9gicos para diversificar suas fontes de suprimento.<\/p>\n<p>Penso que essas iniciativas refletem uma mudan\u00e7a importante na forma de enxergar a seguran\u00e7a econ\u00f4mica e industrial. Durante muito tempo, efici\u00eancia econ\u00f4mica e seguran\u00e7a de suprimento foram tratadas como objetivos compat\u00edveis. Hoje existe um reconhecimento crescente de que a concentra\u00e7\u00e3o de determinadas cadeias pode gerar vulnerabilidades que antes recebiam pouca aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A efetividade dessas a\u00e7\u00f5es ser\u00e1 medida menos pelo n\u00famero de projetos anunciados e mais pela capacidade de alterar padr\u00f5es de depend\u00eancia que foram constru\u00eddos ao longo de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento<\/b> \u2014 Quais s\u00e3o os riscos para o Brasil da depend\u00eancia da China para a exporta\u00e7\u00e3o de commodities, considerando que os EUA tamb\u00e9m est\u00e3o entre os principais parceiros comerciais do Pa\u00eds?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes<\/b> \u2014 O risco n\u00e3o est\u00e1 em vender para a China. O risco est\u00e1 em depender excessivamente de qualquer comprador. Quando a demanda fica concentrada, o fornecedor perde margem de negocia\u00e7\u00e3o e fica mais exposto a mudan\u00e7as comerciais, pol\u00edticas ou geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, h\u00e1 uma camada adicional. O Pa\u00eds tem rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas importantes com a China e tamb\u00e9m com os Estados Unidos. Transformar minerais cr\u00edticos em moeda de alinhamento autom\u00e1tico seria um erro. O Brasil precisa dialogar com diferentes atores, mas sem perder de vista seus pr\u00f3prios interesses econ\u00f4micos e industriais.<\/p>\n<p>A melhor posi\u00e7\u00e3o brasileira ser\u00e1 aquela que preserva autonomia, diversifica parceiros e evita que a pol\u00edtica mineral seja definida apenas pela demanda externa. Se a pol\u00edtica mineral for orientada apenas pela demanda externa, o Brasil corre o risco de ampliar sua participa\u00e7\u00e3o no mercado sem ampliar, na mesma propor\u00e7\u00e3o, os benef\u00edcios econ\u00f4micos associados a essa participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Engrenagens do Crescimento <\/b>\u2014 E quanto \u00e0 depend\u00eancia da compra de produtos finais da China, enquanto o Brasil n\u00e3o desponta como pot\u00eancia em produtos acabados?<\/p>\n<p><b>Jaques Paes <\/b>\u2014 Essa depend\u00eancia \u00e9 ainda mais sens\u00edvel. Vender recurso mineral e comprar produto final revela uma assimetria estrutural. Ainda assim, comprar produtos acabados n\u00e3o \u00e9 necessariamente um problema. Depender deles pode ser.<\/p>\n<p>Todas as economias participam de rela\u00e7\u00f5es de troca e nenhum pa\u00eds produz tudo o que consome. A preocupa\u00e7\u00e3o surge quando essa depend\u00eancia reduz alternativas e limita a capacidade de resposta diante de mudan\u00e7as econ\u00f4micas, tecnol\u00f3gicas ou geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>Para o Brasil, a discuss\u00e3o n\u00e3o deveria ser apenas sobre quantos minerais ser\u00e3o produzidos, mas tamb\u00e9m sobre quais capacidades econ\u00f4micas ser\u00e3o desenvolvidas a partir deles. S\u00e3o essas capacidades que tendem a determinar quem captura os maiores benef\u00edcios associados a essa agenda.<\/p>\n<p>O volume produzido ser\u00e1 apenas uma parte da hist\u00f3ria. Os resultados econ\u00f4micos dessa agenda tamb\u00e9m depender\u00e3o da capacidade de desenvolver conhecimento, atividade econ\u00f4mica e capacidades produtivas associadas a esses recursos. Se a participa\u00e7\u00e3o brasileira se limitar ao fornecimento de recursos minerais, o Brasil exporta potencial e importa depend\u00eancia.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Engrenagens do Crescimento<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Embora concentre a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atr\u00e1s apenas da China, o Brasil ainda enfrenta desafios para transformar esse potencial em produ\u00e7\u00e3o industrial. 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