{"id":137288,"date":"2026-08-26T11:00:00","date_gmt":"2026-08-26T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/poraque-a-usina-flutuante-que-navegou-pelo-brasil-levando-energia-eletrica\/"},"modified":"2026-08-26T11:33:24","modified_gmt":"2026-08-26T14:33:24","slug":"poraque-a-usina-flutuante-que-navegou-pelo-brasil-levando-energia-eletrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/poraque-a-usina-flutuante-que-navegou-pelo-brasil-levando-energia-eletrica\/","title":{"rendered":"Poraqu\u00ea: a usina flutuante que navegou pelo Brasil levando energia el\u00e9trica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i>Criada para servir na guerra, a <\/i> <i>geradora<\/i> <i> hoje repousa sob as \u00e1guas do rio Tocantins<\/i> <i>; trajet\u00f3ria \u00e9 contada em exposi\u00e7\u00e3o virtual no Google <\/i> <i>Arts<\/i> <i> &amp; Culture<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a Segunda Guerra Mundial, na d\u00e9cada de 1940, o mundo vivia o auge da corrida tecnol\u00f3gica. Nos Estados Unidos, o engenheiro Walker Cisler foi convocado para liderar um projeto in\u00e9dito: criar usinas el\u00e9tricas flutuantes capazes de cruzar os oceanos e fornecer energia em zonas de guerra. Assim nasceram quatro navios movidos a vapor \u2014 <i>Impedance<\/i>, <i>Inductance<\/i>, <i>Resistance<\/i> e <i>Seapower<\/i> \u2014, este \u00faltimo destinado a se tornar a lend\u00e1ria Poraqu\u00ea, a primeira usina flutuante do Brasil. As embarca\u00e7\u00f5es foram constru\u00eddas pela Bethlehem Steel Company, na Pensilv\u00e2nia, e projetadas para resistir \u00e0s condi\u00e7\u00f5es extrema s do mar e da guerra. A Mem\u00f3ria da Eletricidade conta a hist\u00f3ria da usina, a partir de registros presentes em seu acervo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <i>Seapower<\/i> foi lan\u00e7ada ao mar em 1943 no porto de Charleston, equipada com caldeiras a \u00f3leo e turbinas a vapor capazes de gerar energia suficiente para abastecer uma cidade de m\u00e9dio porte. Ap\u00f3s atravessar o Atl\u00e2ntico em meio aos ataques de submarinos alem\u00e3es, o navio ancorou no rio T\u00e2misa, em Londres, onde testemunhou o desfecho da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o fim do conflito, a embarca\u00e7\u00e3o retornou aos Estados Unidos e, mais tarde, a Brazilian Hydroelectric Company, do grupo Light, adquiriu o navio e o trouxe para o Rio de Janeiro em 1950. Batizada, inicialmente, como <i>Piraqu\u00ea<\/i> e operada pela Marinha do Brasil, teve a miss\u00e3o de enfrentar a grave crise energ\u00e9tica que atingia a ent\u00e3o capital federal. Operando no sistema da Companhia Carris Luz e For\u00e7a, a <i>Piraqu\u00ea <\/i> foi alvo de cr\u00edticas. N\u00e3o por seu funcionamento, mas p ela organiza\u00e7\u00e3o priorizar os bairros tur\u00edsticos, como Copacabana e o J\u00f3quei Club, na G\u00e1vea, ambos na Zona Sul, enquanto grande parte da cidade permanecia \u00e0s escuras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1954, foi deslocada para Niter\u00f3i, munic\u00edpio vizinho, ajudando a amenizar o problema de energia do outro lado da ba\u00eda. At\u00e9 ser vendida anos depois, em 1968, para a Companhia Estadual de Energia El\u00e9trica do Rio Grande do Sul (CEEE) e rebocada at\u00e9 Porto Alegre. O estado vivia uma estiagem severa e os reservat\u00f3rios viviam secos. A usina flutuante, ancorada no Gua\u00edba, foi respons\u00e1vel por fornecer parte da eletricidade \u00e0 regi\u00e3o metropolitana at\u00e9 1975.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A embarca\u00e7\u00e3o foi vendida em seguida \u00e0 Companhia de Eletricidade de Manaus (CEM). L\u00e1, a usina-navio foi rebatizada de <i>Poraqu\u00ea, em<\/i> homenagem ao peixe- el\u00e9trico amaz\u00f4nico capaz de soltar descargas de at\u00e9 600 volts. A simbologia n\u00e3o poderia ser mais apropriada. A cidade crescia rapidamente com a cria\u00e7\u00e3o da Zona Franca e a velha usina flutuante, mesmo cansada, ajudou a evitar apag\u00f5es e iluminou o novo polo industrial, operando ao lado da Usina de Mau\u00e1 e de outras t\u00e9rmicas locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1978, a <i>Poraqu\u00ea<\/i> foi transferida para a rec\u00e9m-criada Eletronorte e rebocada at\u00e9 Bel\u00e9m, onde seria usada para refor\u00e7ar o sistema el\u00e9trico da capital paraense. Sua chegada tomou as manchetes dos jornais e recebeu o apelido de \u201cPrincesinha do Guajar\u00e1\u201d, noticiada como a \u201cm\u00e1quina da Segunda Guerra\u201d. A empolga\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, logo deu lugar \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o: faltavam pe\u00e7as e cabos que j\u00e1 n\u00e3o existiam no mercado. T\u00e9cnicos tiveram de improvisar, buscando sobras de guerra e equipamentos antigos em S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20260826110011904572-usinaflutuantepo-1.jpg\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o 1\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">2. Vista da popa e lateral da Usina de Poraqu\u00ea. S.d | Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calor e a umidade da regi\u00e3o castigavam a embarca\u00e7\u00e3o e sua tripula\u00e7\u00e3o. As caldeiras come\u00e7aram a dar problemas e o custo de opera\u00e7\u00e3o subia sem parar. Foi ent\u00e3o que, nos anos 1980, com a constru\u00e7\u00e3o das grandes hidrel\u00e9tricas na regi\u00e3o, como Tucuru\u00ed, a <i>Poraqu\u00ea<\/i> perdeu espa\u00e7o e ficou desativada, esquecida no porto de Bel\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu fim veio em 1991. Por determina\u00e7\u00e3o do Governo Federal, o navio foi doado \u00e0 cidade de Camet\u00e1, no Par\u00e1. L\u00e1, foi naufragado para servir como barreira contra a eros\u00e3o do rio Tocantins, protegendo a orla e as antigas igrejas da cidade. Fragmentos de sua hist\u00f3ria, como imagens, v\u00eddeos e os di\u00e1rios de bordo, permanecem preservados pela Mem\u00f3ria da Eletricidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, quem passa por Camet\u00e1 talvez nem imagine que, sob as \u00e1guas que circundam a cidade, repousa um peda\u00e7o da hist\u00f3ria el\u00e9trica do s\u00e9culo XX. A <i>Poraqu\u00ea<\/i>, que nasceu da urg\u00eancia da guerra e atravessou meio mundo levando luz a cidades inteiras, descansa no fundo do rio Tocantins como um monumento submerso. Entre o ferro e o lodo, dorme a mem\u00f3ria de um tempo em que o Brasil tentava iluminar o pr\u00f3prio futuro e, por um breve momento, conseguiu fazer a energia navegar.<\/p>\n\n\n\n<figure><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20260826110011904572-usinaflutuantepo-2.jpg\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o 2\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">3. Placa de identifica\u00e7\u00e3o do gerador de corrente alternada refrigerado a hidrog\u00eanio da Usina de Poraqu\u00ea, fabricado pela General Eletric. S.d | Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figcaption><\/figcaption>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Trajet\u00f3ria da Poraqu\u00ea vira exposi\u00e7\u00e3o virtual<\/b><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria e a <a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/story\/CQVhBQZmKgs6iA\">trajet\u00f3ria da usina flutuante<\/a> Poraqu\u00ea agora \u00e9 contada em uma exposi\u00e7\u00e3o virtual na plataforma Google Arts &amp; Culture, lan\u00e7ada pela Mem\u00f3ria da Eletricidade. A mostra re\u00fane fotografias hist\u00f3ricas, documentos, registros t\u00e9cnicos e conte\u00fados audiovisuais que ajudam a reconstruir a rota da embarca\u00e7\u00e3o desde sua origem at\u00e9 sua atua\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do acervo documental, o trabalho apresenta uma entrevista in\u00e9dita com Andrey Martin, doutor em Hist\u00f3ria e docente da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), pesquisador que se dedicou ao estudo da Poraqu\u00ea e de sua relev\u00e2ncia para a hist\u00f3ria da energia no Brasil. O pesquisador aborda o contexto hist\u00f3rico da embarca\u00e7\u00e3o, sua chegada ao pa\u00eds e sua import\u00e2ncia como exemplo de adapta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e inova\u00e7\u00e3o diante dos desafios energ\u00e9ticos enfrentados pelo Brasil ao longo do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Criada para servir na guerra, a geradora hoje repousa sob as \u00e1guas do rio Tocantins ; trajet\u00f3ria \u00e9 contada em exposi\u00e7\u00e3o virtual no Google Arts &amp; Culture Durante a Segunda Guerra Mundial, na","protected":false},"author":1,"featured_media":137289,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1680],"tags":[],"class_list":["post-137288","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-memoria-da-eletricidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137288"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137288\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":137298,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137288\/revisions\/137298"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}