{"id":137244,"date":"2026-08-26T08:55:00","date_gmt":"2026-08-26T11:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-novo-ideb-e-a-escola-pos-pandemia-aprender-exige-muito-mais-do-que-ensinar-conteudos-se-retrata-na-sigma-educacao\/"},"modified":"2026-08-26T08:55:00","modified_gmt":"2026-08-26T11:55:00","slug":"o-novo-ideb-e-a-escola-pos-pandemia-aprender-exige-muito-mais-do-que-ensinar-conteudos-se-retrata-na-sigma-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-novo-ideb-e-a-escola-pos-pandemia-aprender-exige-muito-mais-do-que-ensinar-conteudos-se-retrata-na-sigma-educacao\/","title":{"rendered":"O novo Ideb e a escola p\u00f3s-pandemia: aprender exige muito mais do que ensinar conte\u00fados, se retrata na Sigma Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>A melhora dos indicadores educacionais reacende o debate sobre desenvolvimento integral, aprendizagem e os desafios da escola ap\u00f3s a pandemia.<\/b><\/p>\n<p>Seis anos depois do in\u00edcio da pandemia de Covid-19, a educa\u00e7\u00e3o brasileira recebe uma not\u00edcia que precisa ser analisada para al\u00e9m dos rankings, como se informa pela empresa refer\u00eancia em inova\u00e7\u00e3o educacional, a Sigma Educa\u00e7\u00e3o. Os resultados do Ideb 2025, divulgados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e pelo Inep em agosto de 2026, mostram avan\u00e7os importantes nas tr\u00eas etapas avaliadas e revelam um pa\u00eds que come\u00e7a a consolidar a recomposi\u00e7\u00e3o das aprendizagens profundamente afetadas pela maior ruptura educacional das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Considerando conjuntamente as redes p\u00fablicas e privadas, o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental passou de 6,0, em 2023, para 6,3, em 2025. Nos anos finais, avan\u00e7ou de 5,0 para 5,3 e, no ensino m\u00e9dio, de 4,3 para 4,5. H\u00e1 um dado ainda mais significativo: nos anos iniciais, 1.097 munic\u00edpios apresentavam Ideb abaixo de 4,9 em 2023. Em 2025, s\u00e3o 442. Em apenas um ciclo de avalia\u00e7\u00e3o, 655 munic\u00edpios deixaram esse grupo, uma redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 60%.<\/p>\n<p><b>Uma gera\u00e7\u00e3o marcada pela interrup\u00e7\u00e3o da escola<\/b><\/p>\n<p>Para compreender a dimens\u00e3o desses resultados, precisamos voltar a 2020. A pandemia fechou escolas, interrompeu rotinas, afastou crian\u00e7as de professores e colegas e obrigou redes de ensino a substituir emergencialmente a experi\u00eancia presencial por diferentes estrat\u00e9gias de ensino remoto e h\u00edbrido.<\/p>\n<p>Os efeitos apareceram rapidamente. Dados do Inep mostram que, em 2019, 60,3% dos estudantes, ao final do 2\u00ba ano do ensino fundamental, estavam alfabetizados em L\u00edngua Portuguesa, segundo o crit\u00e9rio utilizado no Saeb. Em 2021, eram 43,6%. Uma queda de 16,7 pontos percentuais.<\/p>\n<p>N\u00e3o perdemos apenas conte\u00fados. Perdemos conviv\u00eancia, rotina, v\u00ednculos, experi\u00eancias coletivas e parte importante da rela\u00e7\u00e3o cotidiana entre professor e aluno. A pandemia tornou vis\u00edvel algo que talvez a educa\u00e7\u00e3o tradicional tenha demorado a reconhecer: uma crian\u00e7a n\u00e3o aprende apenas porque algu\u00e9m lhe apresenta um conte\u00fado. Para aprender, ela precisa estar presente, vinculada, emocionalmente dispon\u00edvel, motivada e inserida em um ambiente que favore\u00e7a seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por isso, os resultados atuais merecem uma reflex\u00e3o maior. Se houve uma perda extraordin\u00e1ria de aprendizagem durante o afastamento da escola e, posteriormente, uma recupera\u00e7\u00e3o significativa, precisamos investigar n\u00e3o apenas quanto os estudantes aprenderam, mas quais condi\u00e7\u00f5es permitiram que voltassem a aprender.<\/p>\n<p><b>Aprendizagem e habilidades socioemocionais n\u00e3o s\u00e3o mundos separados<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 importante estabelecer uma diferen\u00e7a cient\u00edfica. O Ideb n\u00e3o mede habilidades socioemocionais e seus resultados n\u00e3o permitem afirmar que o desenvolvimento dessas compet\u00eancias foi respons\u00e1vel pelo crescimento observado. O indicador combina desempenho dos estudantes em L\u00edngua Portuguesa e Matem\u00e1tica com informa\u00e7\u00f5es sobre aprova\u00e7\u00e3o escolar. Seria incorreto atribuir sua evolu\u00e7\u00e3o a um \u00fanico fator.<\/p>\n<p>Entretanto, existe um conjunto consistente de pesquisas mostrando que aprendizagem acad\u00eamica e desenvolvimento socioemocional est\u00e3o relacionados. Uma ampla meta-an\u00e1lise envolvendo 213 programas escolares e mais de 270 mil estudantes encontrou melhora em habilidades socioemocionais, atitudes, comportamentos e desempenho acad\u00eamico entre os participantes das interven\u00e7\u00f5es analisadas. O efeito observado correspondeu, em m\u00e9dia, a uma melhora equivalente a 11 pontos percentis no desempenho acad\u00eamico em compara\u00e7\u00e3o aos estudantes dos grupos de controle.<\/p>\n<p>Uma meta-an\u00e1lise publicada em 2023 ampliou essa dimens\u00e3o: foram analisados 424 estudos, realizados em 53 pa\u00edses, envolvendo mais de 575 mil estudantes. Os resultados indicaram efeitos positivos de interven\u00e7\u00f5es socioemocionais sobre habilidades, atitudes, comportamentos, rela\u00e7\u00f5es entre pares, clima e seguran\u00e7a escolar, funcionamento escolar e desempenho acad\u00eamico, embora os pr\u00f3prios pesquisadores ressaltem que contexto e qualidade da implementa\u00e7\u00e3o interferem nos resultados.<\/p>\n<p>Assim como se acredita pela perspectiva da Sigma Educa\u00e7\u00e3o, isso nos obriga a superar uma falsa escolha. Desenvolver habilidades socioemocionais n\u00e3o significa ensinar menos Portugu\u00eas, Matem\u00e1tica ou Ci\u00eancias. Significa criar melhores condi\u00e7\u00f5es para que a crian\u00e7a consiga aprender Portugu\u00eas, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias e todo o restante do curr\u00edculo.<\/p>\n<p>Persist\u00eancia, responsabilidade, autocontrole, empatia, capacidade de enfrentar frustra\u00e7\u00f5es, coopera\u00e7\u00e3o, autonomia e motiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o competem com o conhecimento acad\u00eamico. Elas participam das condi\u00e7\u00f5es que sustentam a aprendizagem.<\/p>\n<p><b>A crian\u00e7a mudou. A escola precisa mudar tamb\u00e9m<\/b><\/p>\n<p>A escola de 2026 recebe uma crian\u00e7a diferente daquela para a qual grande parte de sua arquitetura pedag\u00f3gica foi concebida. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que cresceu cercada por telas, redes sociais, intelig\u00eancia artificial, est\u00edmulos constantes e uma quantidade de informa\u00e7\u00e3o sem precedentes. Parte dela tamb\u00e9m atravessou, em um per\u00edodo decisivo do desenvolvimento, isolamento social e ruptura das rotinas escolares.<\/p>\n<p>Diante dessa realidade, uma escola baseada predominantemente na transmiss\u00e3o de conte\u00fado, na passividade do estudante e na avalia\u00e7\u00e3o como finalidade encontra limites cada vez mais evidentes. Isso n\u00e3o significa abandonar conhecimento, disciplina, curr\u00edculo ou avalia\u00e7\u00e3o. Significa compreender que eles j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes quando tratados isoladamente.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Base Nacional Comum Curricular reconhece essa necessidade ao incorporar compet\u00eancias relacionadas a autoconhecimento, autocuidado, empatia, coopera\u00e7\u00e3o, responsabilidade, cidadania, autonomia, resili\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o integral, portanto, n\u00e3o significa simplesmente aumentar o n\u00famero de horas que uma crian\u00e7a permanece na escola. Significa enxerg\u00e1-la em suas dimens\u00f5es cognitiva, emocional, social, cultural e f\u00edsica. Uma escola pode manter um estudante durante nove horas dentro de seus muros e continuar oferecendo uma educa\u00e7\u00e3o fragmentada. Tempo importa, mas aquilo que fazemos com esse tempo importa ainda mais.<\/p>\n<p><b>A pr\u00f3xima d\u00e9cada precisa ser constru\u00edda com evid\u00eancias<\/b><\/p>\n<p>O Ideb 2025 chega em um momento especialmente importante para o planejamento educacional brasileiro. Munic\u00edpios e redes precisam pensar seus pr\u00f3ximos anos n\u00e3o como uma repeti\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do que fizeram no passado, mas como uma oportunidade de reconstruir pol\u00edticas educacionais a partir daquilo que efetivamente produz resultados.<\/p>\n<p>Isso significa perguntar quais pr\u00e1ticas melhoram a alfabetiza\u00e7\u00e3o, quais reduzem desigualdades, quais fortalecem a perman\u00eancia escolar, quais apoiam professores, quais melhoram o clima escolar, quais previnem bullying e viol\u00eancia e quais favorecem o desenvolvimento socioemocional. E significa, principalmente, medir resultados.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos importar modelos simplesmente porque funcionaram em outros pa\u00edses, nem rejeit\u00e1-los porque foram desenvolvidos fora do Brasil. Da mesma maneira, precisamos identificar experi\u00eancias brasileiras bem-sucedidas, estud\u00e1-las e verificar em quais contextos podem ser replicadas. O crit\u00e9rio deve ser a evid\u00eancia.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros recentes mostram que o Brasil possui capacidade de recupera\u00e7\u00e3o. Sair de 1.097 para 442 munic\u00edpios abaixo de 4,9 nos anos iniciais em apenas um ciclo de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 um resultado que merece reconhecimento. Mas talvez o maior erro que possamos cometer seja interpretar essa recupera\u00e7\u00e3o como autoriza\u00e7\u00e3o para simplesmente retornar \u00e0 escola que existia antes da pandemia.<\/p>\n<p><b>A escola que precisamos construir<\/b><\/p>\n<p>A pandemia mostrou de maneira dolorosa a import\u00e2ncia da escola como espa\u00e7o de aprendizagem, conviv\u00eancia e desenvolvimento. A recupera\u00e7\u00e3o posterior revelou a capacidade de professores, gestores, fam\u00edlias e estudantes de reconstru\u00edrem trajet\u00f3rias interrompidas. E as evid\u00eancias cient\u00edficas v\u00eam refor\u00e7ando que cogni\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o, comportamento, rela\u00e7\u00f5es sociais e ambiente escolar interagem no processo de aprender.<\/p>\n<p>Segundo o que se demonstra na trajet\u00f3ria e miss\u00e3o da Sigma Educa\u00e7\u00e3o, a escola do futuro n\u00e3o precisa ensinar menos conte\u00fado. Precisa compreender mais sobre quem aprende. Precisa compreender desenvolvimento infantil, rela\u00e7\u00f5es humanas, diferen\u00e7as individuais, forma\u00e7\u00e3o docente, impacto das emo\u00e7\u00f5es, pertencimento, tecnologia e as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para transformar informa\u00e7\u00e3o em conhecimento.<\/p>\n<p>O Ideb 2025 nos mostra que o Brasil \u00e9 capaz de avan\u00e7ar. A pergunta para a pr\u00f3xima d\u00e9cada, portanto, n\u00e3o deve ser como retornar \u00e0 escola que t\u00ednhamos antes de 2020. A pergunta precisa ser mais ambiciosa: &#8220;Que escola precisamos construir para a crian\u00e7a que chegou a 2026?&#8221;<\/p>\n<p>Se respondermos a essa quest\u00e3o com ci\u00eancia, evid\u00eancias, inova\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o docente e compromisso com o desenvolvimento integral, talvez uma das maiores li\u00e7\u00f5es deixadas pela pandemia seja finalmente compreender que n\u00e3o existe educa\u00e7\u00e3o de qualidade sem aprendizagem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o existe aprendizagem consistente sem olhar para quem aprende.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A melhora dos indicadores educacionais reacende o debate sobre desenvolvimento integral, aprendizagem e os desafios da escola ap\u00f3s a pandemia. 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