{"id":136334,"date":"2026-08-18T15:19:00","date_gmt":"2026-08-18T18:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/como-a-escola-ajuda-jovens-a-sair-da-bolha-digital\/"},"modified":"2026-08-18T15:19:00","modified_gmt":"2026-08-18T18:19:00","slug":"como-a-escola-ajuda-jovens-a-sair-da-bolha-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/como-a-escola-ajuda-jovens-a-sair-da-bolha-digital\/","title":{"rendered":"Como a escola ajuda jovens a sair da bolha digital"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos de algoritmos que moldam identidades e redes sociais que incentivam a superexposi\u00e7\u00e3o, educadores t\u00eam observado um comportamento recorrente entre adolescentes: jovens que acreditam ter &#8220;inventado&#8221; express\u00f5es populares, tend\u00eancias de moda ou comportamentos amplamente difundidos na cultura h\u00e1 d\u00e9cadas. O fen\u00f4meno abre um debate urgente sobre identidade, pertencimento e o papel insubstitu\u00edvel da escola na constru\u00e7\u00e3o do chamado &#8220;eu coletivo&#8221;.<\/p>\n<p>Ao personalizar conte\u00fados a partir do comportamento anterior do usu\u00e1rio, os aplicativos constroem experi\u00eancias individualizadas que fragmentam refer\u00eancias hist\u00f3ricas e culturais. Uma m\u00fasica antiga, uma g\u00edria ou uma est\u00e9tica de outra \u00e9poca reaparecem sem contexto, como se pertencessem exclusivamente \u00e0 gera\u00e7\u00e3o que as redescobriu.\u00a0<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno se relaciona ao que o pesquisador Eli Pariser chamou de \u2018bolha de filtro\u2019: a tend\u00eancia das plataformas de reduzir o contato com perspectivas divergentes. Como consequ\u00eancia, o estudante pode acreditar que sua vis\u00e3o de mundo \u00e9 mais abrangente do que realmente \u00e9. Para Lilian Amaral, gerente pedag\u00f3gica do Grupo Salta Educa\u00e7\u00e3o, a escola rompe essa l\u00f3gica quando amplia o repert\u00f3rio do estudante. \u201cEla apresenta outros tempos, outras culturas, outras vozes e outras formas de pensar. Ajuda a crian\u00e7a e o adolescente a compreenderem que a realidade n\u00e3o come\u00e7a nem termina no pr\u00f3prio feed e a perceber que aquilo que ele fala, consome, compartilha e reproduz faz parte de uma constru\u00e7\u00e3o social e cultural mais ampla\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a escola passa a ocupar uma fun\u00e7\u00e3o ainda mais importante: ser um espa\u00e7o de distanciamento da l\u00f3gica algor\u00edtmica. Um ambiente em que crian\u00e7as e adolescentes entram em contato com refer\u00eancias que n\u00e3o foram escolhidas pela l\u00f3gica da personaliza\u00e7\u00e3o, mas pela constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, cultural e social da humanidade.<\/p>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio da OECD, habilidades socioemocionais como empatia, colabora\u00e7\u00e3o, senso de pertencimento e abertura ao outro, est\u00e3o diretamente ligadas ao desempenho acad\u00eamico, ao bem-estar e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. A pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/institutoayrtonsenna.org.br\/app\/uploads\/2024\/08\/Competencias-socioemocionais-para-uma-vida-melhor_08082024_final.pdf\" target=\"_blank\">Survey on Social and Emotional Skills 2023<\/a>\u201d refor\u00e7a que as escolas t\u00eam papel decisivo no desenvolvimento dessas compet\u00eancias.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A escola ainda \u00e9 um dos poucos espa\u00e7os capazes de oferecer \u00e0 crian\u00e7a aquilo que as redes sociais tendem a limitar: a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos capazes de dizer \u2018eu\u2019, sem esquecer do \u2018n\u00f3s\u2019.\u00a0 O maior risco da gera\u00e7\u00e3o que cresce olhando apenas para o pr\u00f3prio reflexo \u00e9 a perda de refer\u00eancia. Quando um estudante descobre que o funk que ouve tem ra\u00edzes no soul norte-americano ou que a l\u00edngua que fala carrega s\u00e9culos de civiliza\u00e7\u00e3o, ele entende que a viv\u00eancia humana parte de refer\u00eancias anteriores coletivas. Ensinar isso \u00e9 ensinar humildade intelectual, pensamento cr\u00edtico e conviv\u00eancia social&#8221;, afirma Amaral.<\/p>\n<p>Isso acontece, na pr\u00e1tica, em diferentes dimens\u00f5es da rotina escolar. Ao estudar literatura cl\u00e1ssica, por exemplo, o estudante compreende que emo\u00e7\u00f5es, conflitos e dilemas humanos atravessam s\u00e9culos. Em projetos colaborativos, aprende a negociar, ouvir e construir coletivamente. Em debates, descobre que existem vis\u00f5es de mundo diferentes da sua bolha digital. A escola convida o jovem a lidar com diferen\u00e7as, esperar o tempo do outro, trabalhar em grupo, construir amizades e enfrentar conflitos fora da l\u00f3gica perform\u00e1tica das redes.<\/p>\n<p>Projetos interdisciplinares, assembleias de turma, pr\u00e1ticas restaurativas, gr\u00eamios estudantis, tutoria entre pares e atividades de cultura digital cr\u00edtica est\u00e3o entre as experi\u00eancias que mais contribuem para a forma\u00e7\u00e3o do &#8220;eu coletivo&#8221;, segundo a especialista. O elemento comum a todas elas \u00e9 colocar os estudantes em situa\u00e7\u00f5es reais de coopera\u00e7\u00e3o, escuta e responsabilidade compartilhada.<\/p>\n<p>Contudo, a escola n\u00e3o deve competir com as redes sociais, mas mostrar que, fora das telas, existe um contexto hist\u00f3rico de profundidade, conviv\u00eancia humana e senso de continuidade cultural. A restri\u00e7\u00e3o bem conduzida, segundo Lilian, pode devolver tempo e presen\u00e7a \u00e0s rela\u00e7\u00f5es. \u201cO pr\u00f3prio letramento digital tamb\u00e9m deve fazer parte desse processo. Explicar como funcionam os algoritmos, discutir bolhas de informa\u00e7\u00e3o, cultura viral e consumo acelerado de conte\u00fado ajuda os estudantes a desenvolver uma rela\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica com as plataformas\u201d, completa a especialista.<\/p>\n<p>Enquanto as redes tendem a repetir padr\u00f5es de interesse e refor\u00e7ar prefer\u00eancias j\u00e1 existentes, a educa\u00e7\u00e3o amplia horizontes, apresenta novas refer\u00eancias e cria conex\u00f5es entre passado, presente e futuro, formando sujeitos capazes de reconhecer a pr\u00f3pria individualidade sem perder a conex\u00e3o com a coletividade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA forma\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o pode se encerrar na afirma\u00e7\u00e3o individual. \u00c9 preciso que o sujeito compreenda que sua vida est\u00e1 ligada \u00e0 vida dos outros\u201d, conclui Lilian.<\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/gruposaltaedu.com\/\" target=\"_blank\">https:\/\/gruposaltaedu.com\/<\/a><\/p>\n<p>Foto: Magnific<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em tempos de algoritmos que moldam identidades e redes sociais que incentivam a superexposi\u00e7\u00e3o, educadores t\u00eam observado um comportamento recorrente entre adolescentes: jovens que acreditam ter","protected":false},"author":1,"featured_media":136335,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[11470],"tags":[12411,232,1152,12398,12395],"class_list":["post-136334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-knewin-dino","tag-arte","tag-educacao","tag-entretenimento","tag-saude-e-bem-estar","tag-sociedade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136334\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}