{"id":136323,"date":"2026-08-18T10:11:00","date_gmt":"2026-08-18T13:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/nem-toda-mulher-com-cancer-de-mama-se-beneficia-da-quimio\/"},"modified":"2026-08-18T10:11:00","modified_gmt":"2026-08-18T13:11:00","slug":"nem-toda-mulher-com-cancer-de-mama-se-beneficia-da-quimio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/nem-toda-mulher-com-cancer-de-mama-se-beneficia-da-quimio\/","title":{"rendered":"Nem toda mulher com c\u00e2ncer de mama se beneficia da quimio"},"content":{"rendered":"<p>Uma an\u00e1lise brasileira apresentada durante a ASCO 2026, nos Estados Unidos, estima que o teste gen\u00f4mico Oncotype DX\u00ae, que analisa a atividade de <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1nugvIMd3z8g3IHoaYfhV7nCV-wnfG57h\" target=\"_blank\">16<\/a> genes do tumor e 5 genes de refer\u00eancia, pode mudar a indica\u00e7\u00e3o de quimioterapia em <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1nugvIMd3z8g3IHoaYfhV7nCV-wnfG57h\" target=\"_blank\">43%<\/a> das pacientes com c\u00e2ncer de mama inicial que receberiam a recomenda\u00e7\u00e3o para o tratamento. Na maioria das mudan\u00e7as projetadas, a quimioterapia deixaria de ser indicada.<\/p>\n<p>Publicado no JCO Global Oncology, o estudo utilizou uma modelagem para estimar como as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelo teste Oncotype DX\u00ae poderiam modificar as recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas para pacientes atendidas pela sa\u00fade suplementar brasileira. Os c\u00e1lculos foram constru\u00eddos com dados epidemiol\u00f3gicos, resultados de pesquisas e padr\u00f5es de conduta informados por dez oncologistas brasileiros com experi\u00eancia no tratamento do c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>Os achados se somam a evid\u00eancias brasileiras anteriores obtidas na pr\u00e1tica cl\u00ednica, com recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas registradas antes e depois do resultado do teste.<\/p>\n<p>Em um estudo prospectivo publicado em 2021, no JCO Global Oncology, pesquisadores avaliaram <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1bfOKUMCrYTivdyV6_jqxmL5MOXR7yKVj\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\">179<\/a> mulheres atendidas em dois hospitais p\u00fablicos de S\u00e3o Paulo. Todas tinham c\u00e2ncer de mama em est\u00e1gio inicial, positivo para receptores hormonais e negativo para a prote\u00edna HER2, conhecidos pelas siglas RH+HER2-. Os m\u00e9dicos informaram a recomenda\u00e7\u00e3o de tratamento antes de conhecer o resultado do teste Oncotype DX\u00ae e voltaram a registrar a conduta ap\u00f3s receber essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica mudou em <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1bfOKUMCrYTivdyV6_jqxmL5MOXR7yKVj\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\">65%<\/a> dos casos. A maior parte das altera\u00e7\u00f5es ocorreu entre mulheres que inicialmente seriam encaminhadas para quimioterapia, mas passaram a ter indica\u00e7\u00e3o apenas de terapia hormonal ap\u00f3s o resultado do exame. Em cinco casos, ocorreu o movimento contr\u00e1rio: a quimioterapia, antes n\u00e3o recomendada, passou a ser indicada. O estudo registrou uma redu\u00e7\u00e3o relativa de 66% nas recomenda\u00e7\u00f5es de tratamento.<\/p>\n<p>\u201cComo registramos a recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica antes e depois do resultado do teste, foi poss\u00edvel observar diretamente a influ\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica sobre a decis\u00e3o terap\u00eautica. Em muitos casos, a quimioterapia deixou de ser indicada, mas tamb\u00e9m identificamos pacientes para as quais o tratamento deveria ser indicado. O objetivo n\u00e3o \u00e9 simplesmente reduzir seu uso, e sim oferecer a cada mulher a estrat\u00e9gia com maior possibilidade de benef\u00edcio\u201d, afirma o mastologista Andr\u00e9 Mattar, primeiro autor do estudo de 2021.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de mama RH+HER2- \u00e9 o subtipo mais frequente da doen\u00e7a e, em geral, responde \u00e0 terapia hormonal. Depois da cirurgia, uma das principais decis\u00f5es da equipe m\u00e9dica \u00e9 definir quais pacientes tamb\u00e9m podem se beneficiar de quimioterapia para reduzir o risco de retorno do c\u00e2ncer e quais podem ser tratadas apenas com terapia end\u00f3crina.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, essa escolha leva em conta caracter\u00edsticas como tamanho e grau do tumor, idade da paciente, comprometimento dos linfonodos e condi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 menopausa. Embora sejam fundamentais, esses crit\u00e9rios cl\u00ednicos e patol\u00f3gicos nem sempre permitem estimar com precis\u00e3o quais mulheres ter\u00e3o benef\u00edcio relevante com a quimioterapia.<\/p>\n<p>O teste Oncotype DX\u00ae complementa essa avalia\u00e7\u00e3o ao analisar a atividade de genes presentes no tumor. O resultado, chamado resultado Recurrence Score\u00ae, \u00e9 apresentado em uma escala de zero a 100 e fornece informa\u00e7\u00f5es sobre o risco de recorr\u00eancia da doen\u00e7a e a probabilidade de benef\u00edcio da quimioterapia.<\/p>\n<p>Diferentemente dos exames destinados a identificar muta\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias, que podem ser transmitidas entre familiares, o teste avalia o comportamento biol\u00f3gico do tumor diagnosticado. Pacientes com caracter\u00edsticas cl\u00ednicas aparentemente semelhantes podem apresentar resultados gen\u00f4micos diferentes e, consequentemente, n\u00e3o obter o mesmo benef\u00edcio com o tratamento.<\/p>\n<p>\u201cDuas mulheres com tumores de tamanho, grau e est\u00e1gio semelhantes n\u00e3o necessariamente apresentam o mesmo risco de recorr\u00eancia. A informa\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica acrescenta uma nova camada \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o convencional e ajuda a tornar a recomenda\u00e7\u00e3o mais individualizada, especialmente nos casos em que ainda existe d\u00favida sobre a necessidade da quimioterapia\u201d, explica a oncologista Laura Testa, da Rede D\u2019Or e do Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo (ICESP).<\/p>\n<p>A modelagem mais recente refor\u00e7a que o teste Oncotype DX\u00ae n\u00e3o funciona apenas como instrumento para retirar a indica\u00e7\u00e3o do tratamento. Embora a quimioterapia tenha deixado de ser recomendada na maior parte das mudan\u00e7as estimadas, em 11 casos, o exame identificaria pacientes que poderiam se beneficiar dela, apesar de a avalia\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o apontar essa necessidade.<\/p>\n<p>A converg\u00eancia entre os dois estudos mostra que a an\u00e1lise gen\u00f4mica pode modificar de maneira relevante a recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica tanto em cen\u00e1rios simulados quanto na pr\u00e1tica cl\u00ednica brasileira. Os trabalhos t\u00eam desenhos e popula\u00e7\u00f5es diferentes: a pesquisa mais recente utilizou uma modelagem voltada \u00e0 sa\u00fade suplementar, enquanto o estudo de 2021 avaliou decis\u00f5es tomadas para pacientes atendidas na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>Uma indica\u00e7\u00e3o mais precisa pode evitar que mulheres com baixa probabilidade de benef\u00edcio sejam expostas a efeitos adversos da quimioterapia, como n\u00e1useas, queda de cabelo, fadiga e redu\u00e7\u00e3o da imunidade. Ao mesmo tempo, pode ajudar a identificar pacientes para as quais o tratamento \u00e9 importante, mesmo quando os crit\u00e9rios cl\u00ednicos convencionais apontam inicialmente para um risco menor.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam que os estudos avaliaram o impacto das informa\u00e7\u00f5es gen\u00f4micas sobre a recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. O trabalho prospectivo de 2021 n\u00e3o teve como objetivo acompanhar desfechos de longo prazo, como recorr\u00eancia ou sobrevida, e seus resultados n\u00e3o substituem a avalia\u00e7\u00e3o individual realizada pelo oncologista.<\/p>\n<p>O estudo de 2021 foi conduzido no Hospital P\u00e9rola Byington e na Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de S\u00e3o Paulo. A an\u00e1lise mais recente reuniu pesquisadores da ASAS Avalia\u00e7\u00f5es Econ\u00f4micas em Sa\u00fade, Universidade de Bras\u00edlia, Oncocl\u00ednicas&amp;CoMedica Scientia Innovation Research, Hospital Nora Teixeira, da Santa Casa de Porto Alegre, Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, Hospital Moinhos de Vento, Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo, Hospital Israelita Albert Einstein e Oncologia D\u2019Or, Rede D\u2019Or. O trabalho foi apresentado em um painel promovido pelo JCO Global Oncology durante a ASCO 2026.<\/p>\n<p>Website: <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ans\/pt-br\" target=\"_blank\">https:\/\/www.gov.br\/ans\/pt-br<\/a><\/p>\n<p>Foto: Magnific<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma an\u00e1lise brasileira apresentada durante a ASCO 2026, nos Estados Unidos, estima que o teste gen\u00f4mico Oncotype DX\u00ae, que analisa a atividade de 16 genes do tumor e 5 genes de refer\u00eancia, pode","protected":false},"author":1,"featured_media":136324,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[11470],"tags":[12397,300,12398,12395],"class_list":["post-136323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-knewin-dino","tag-ciencia","tag-negocios","tag-saude-e-bem-estar","tag-sociedade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136323\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}