{"id":135847,"date":"2026-08-11T12:50:00","date_gmt":"2026-08-11T15:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/moradores-transformam-cidade-mineira-com-arte-contemporanea\/"},"modified":"2026-08-11T12:50:00","modified_gmt":"2026-08-11T15:50:00","slug":"moradores-transformam-cidade-mineira-com-arte-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/knewin-dino\/moradores-transformam-cidade-mineira-com-arte-contemporanea\/","title":{"rendered":"Moradores transformam cidade mineira com arte contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p>Na varanda de Norma de Oliveira e Laudelino Ferreira, uma obra de arte passou a dividir espa\u00e7o com a rotina da casa. Desde ent\u00e3o, o alpendre tornou-se ponto de visita\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed. Moradores e visitantes chegam orientados por um mapa, conhecem o trabalho instalado no local e seguem para os demais pontos do percurso.<\/p>\n<p>A resid\u00eancia integra a exposi\u00e7\u00e3o Rio Que Grita, da artista, educadora e historiadora Joyce Ribeiro. Em cartaz at\u00e9 14 de agosto, a mostra re\u00fane fotografias, v\u00eddeos, cer\u00e2micas, escritos, a\u00e7\u00f5es urbanas e conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias em diferentes locais do munic\u00edpio. A visita\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita.<\/p>\n<p>Norma vive em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed h\u00e1 quase 39 anos e conhece Joyce desde a inf\u00e2ncia, quando a artista estudava com Clara, filha do casal. Agora, ela e Laudelino acompanham a chegada do p\u00fablico \u00e0 varanda da fam\u00edlia. \u201cAchei lindo ter uma obra dela no nosso alpendre. Tem sido um prazer enorme receber os visitantes aqui. Vou sentir saudades. Nunca minha varanda foi t\u00e3o visitada. Amei\u201d, conta Norma.<\/p>\n<p><b>Um museu espalhado pela cidade<br \/><\/b><br \/>A advogada Giuliene Azevedo Luciano, natural de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, percorreu os diferentes pontos da exposi\u00e7\u00e3o acompanhada da filha. \u201cFoi uma experi\u00eancia muito reflexiva e diferente de tudo o que eu j\u00e1 havia vivenciado. \u00c9 como se o museu estivesse a c\u00e9u aberto, integrado \u00e0s ruas da cidade. Cada parada despertava uma emo\u00e7\u00e3o diferente e me fez perceber que o simples, o cotidiano e o sertanejo tamb\u00e9m s\u00e3o belos e carregam significado\u201d, relata.<\/p>\n<p>Para o curador da exposi\u00e7\u00e3o, o arquiteto, artista visual e diretor do Museu de Arte de Ribeir\u00e3o Preto, Nilton Campos, essa rela\u00e7\u00e3o entre as obras, os espa\u00e7os e os moradores \u00e9 um dos elementos centrais da proposta. \u201cO que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o na exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 que a Joyce, ao fazer essa proposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica, ativa a pr\u00f3pria cidade, fazendo com que os moradores repensem suas origens e suas refer\u00eancias no espa\u00e7o urbano\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Essa participa\u00e7\u00e3o come\u00e7a antes mesmo de o p\u00fablico percorrer o circuito. Norma e Laudelino, por exemplo, produziram os carimbos personalizados utilizados no mapa que orienta os visitantes pelos diferentes pontos da exposi\u00e7\u00e3o. \u201cFiquei lisonjeada com a proposta, e minha filha tamb\u00e9m. Afinal, eu e o Laudelino herdamos, de alguma forma, esse trabalho de confec\u00e7\u00e3o de carimbos, que come\u00e7ou com a Clara no comando, at\u00e9 que ela nos entregou a tarefa\u201d, relata Norma.<\/p>\n<p><b>Voltar para olhar de outro modo<br \/><\/b><br \/>Rio Que Grita integra o Projeto Bageira, pesquisa desenvolvida por Joyce Ribeiro ao longo de seis anos sobre os modos de rela\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o e conv\u00edvio no interior. Artista, educadora e historiadora, Joyce \u00e9 natural de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed e vive e trabalha entre S\u00e3o Paulo e Minas Gerais desde 2014. Sua pesquisa aborda o imagin\u00e1rio cultural caipira, os causos de tradi\u00e7\u00e3o oral e suas rela\u00e7\u00f5es com a historiografia.<\/p>\n<p>Joyce abriu o primeiro ateli\u00ea aos 14 anos e come\u00e7ou a lecionar aos 17. Aos 28, mudou-se para S\u00e3o Paulo para estudar artes visuais. Ao retornar, passou a aproximar esse repert\u00f3rio das narrativas, h\u00e1bitos e refer\u00eancias do interior. \u201cN\u00e3o me interessa separar o que \u00e9 lembran\u00e7a, inven\u00e7\u00e3o ou hist\u00f3ria, mas compreender como essas dimens\u00f5es produzem juntas uma forma de conhecimento\u201d, assinala Joyce.<\/p>\n<p><b>O que existe no fundo de um lugar<br \/><\/b><br \/>Entre os trabalhos apresentados est\u00e1 Profundo, a\u00e7\u00e3o realizada no Lago Piscina, antigo espa\u00e7o de minera\u00e7\u00e3o transformado em parque. Para executar a obra, Joyce aprendeu a remar e instalou uma boia de mergulho na \u00e1gua. Moradores disponibilizaram um barco e ajudaram na grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Norma acompanhou a realiza\u00e7\u00e3o do trabalho. \u201cO registro da foto de Joyce no lago nos fez perceber a for\u00e7a que ela carrega dentro de si, e a realiza\u00e7\u00e3o desse evento, al\u00e9m de nos mostrar a hist\u00f3ria que esse lugar guarda em suas profundidades, mostrou tamb\u00e9m o ato de coragem da artista\u201d, conta.<\/p>\n<p>A obra tamb\u00e9m permaneceu nas reflex\u00f5es de Giuliene ap\u00f3s a visita. \u201cA obra Profundo me deixou pensativa por quase uma semana. Cheguei em casa contando a hist\u00f3ria da \u2018piscina\u2019 e refletindo sobre quantas narrativas, encontros e mem\u00f3rias aquele espa\u00e7o j\u00e1 abrigou\u201d, relata.<\/p>\n<p><b>Causos, mem\u00f3rias e personagens locais<br \/><\/b><br \/>Formada em Hist\u00f3ria pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e p\u00f3s-graduada em Hist\u00f3ria, Sociedade e Cultura pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, Joyce utiliza causos, mitos, lendas, boatos e narrativas orais como formas de produzir conhecimento sobre a vida comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m retoma a mem\u00f3ria da Bageira, \u00e1rvore que existia na regi\u00e3o central de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed e foi abatida em 1956. Mesmo ausente da paisagem, ela permaneceu nas hist\u00f3rias e refer\u00eancias dos moradores.<\/p>\n<p>No projeto, Joyce cria outro destino para a \u00e1rvore: depois de morrer, a Bageira teria se transformado em uma canoa para seguir pelo rio Sapuca\u00ed. \u201cBageira representa justamente a perman\u00eancia intang\u00edvel da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria. Ela guarda o imagin\u00e1rio regional de uma comunidade sobre o seu territ\u00f3rio\u201d, explica a artista.<\/p>\n<p><b>O rio que grita e a cidade que conta<br \/><\/b><br \/>O t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o se refere ao pr\u00f3prio nome do munic\u00edpio. De origem tupi-guarani, Sapuca\u00ed pode ser traduzido como \u201crio que grita\u201d ou \u201crio que canta\u201d. Na mostra, a imagem do rio est\u00e1 associada a deslocamento, movimento, fronteira e retorno. Depois de percorrer o circuito, Giuliene afirma ter voltado seu olhar para elementos que fazem parte da forma\u00e7\u00e3o e da vida cotidiana de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00ed da exposi\u00e7\u00e3o com um sentimento ainda maior de pertencimento e gratid\u00e3o pela cidade onde nasci. Ela me fez refletir que a riqueza de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed est\u00e1 nas pessoas, em suas hist\u00f3rias, nos pequenos gestos e nos lugares que, \u00e0 primeira vista, parecem comuns, mas carregam uma enorme carga de mem\u00f3ria e significado\u201d, declara.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 realizado com recursos do Edital de Chamamento P\u00fablico n\u00ba 01\/2026, da Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc de Fomento \u00e0 Cultura, do Governo Federal, Minist\u00e9rio da Cultura, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Subsecretaria de Cultura; e do Edital de Chamamento P\u00fablico n\u00ba 002\/2026, da Secretaria de Cultura de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed. Conta ainda com patroc\u00ednio da EBM Cont\u00e1bil.<\/p>\n<p><b>Servi\u00e7o:<br \/><\/b><br \/>Exposi\u00e7\u00e3o: Rio Que Grita<br \/>Projeto: Bageira<br \/>Artista: Joyce Ribeiro<br \/>Curador: Nilton Campos<br \/>Per\u00edodo para visita\u00e7\u00e3o: at\u00e9 14 de agosto<\/p>\n<p>Foto: Foto de Paulo Libanio<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Knewin Dino<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na varanda de Norma de Oliveira e Laudelino Ferreira, uma obra de arte passou a dividir espa\u00e7o com a rotina da casa. 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